quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Um refúgio às avessas

Jamais confunda o que carrego no peito com o coração que carregas no teu.
Jaz aqui o sepulcro da vida-e-morte, objeto de admiração e ódio.
Mas lembre-se: aqui eternamente será refúgio para ti e tuas desolações.

Dies Irae

A ira, da qual sofrem os desavisados, é capaz de liquidar exércitos. E estes não são figurativos, são dignos da incompreensão, da moléstia e pura incapacidade argumentativa. São eles fadados à enfrentar as levas de insanidades proferida pelas sete cabeças da besta contida no Apocalipse, livro bíblico. Tal bestialidade é mensurável às chamas destruidoras de Sodoma e Gomorra, e mesmo quantificável tal vislumbre torna-se incomparável pois, se assim formos permissíveis, a comparação divina é inexequível.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Hachuras Nebulosas

Fiz um [retrato],

coletando da m.e..m...ó....r.....i......a
os melhores _traçados_
no papel em branco
que pudessem descrevê-la.

Mas

aqui............................está você

no presente,
em ossos

e carne.

Destino do tempo

Eu devia ter algo próximo dos 12 anos, talvez um pouco menos, rabiscava tudo; inclusive os cantos em branco dos cadernos com linhas. E lá estiveram 3 linhas que sempre rabiscava quando queria algo sensual: a primeira começava reta e fazia algo como 1/2 rotatória à esquerda e seguia reto; a segunda fazia o mesmo destino, porém terminava antes da metade da segunda reta; a terceira era uma longa reta até que então, numa nova 1/2 rotatória à direita, a monotonia se acabava.
E assim, sem querer, fui construindo você.
Àquela época eu sequer sabia da tua existência e ao vê-la em uma fotografia pude reconhecer as linhas que tanto, até então sem saber, desejava.
Sim, essa é a verdade: encontrei em ti minha Vênus. Posso não tê-la esculpido com minhas próprias mãos, no entanto o  destino trouxe algo surpreendente.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Fazíamos mais sentindo juntos (1°)

Lembro daqueles anos como se tivessem passado há poucos instantes. Claro, algumas passagens são um pouco borradas (e outras completamente negras), algumas fictícias (que tem valor idêntico à verídica até você ser desmentido) e outras verdadeiras (que só tem valor enquanto a maioria concorda).
Uma boa história fictícia foi que, certa vez, ao chegar em uma de nossas tantas confraternizações, em frente à casa estava ela - solitária - lidando com algo que: a) merece total privacidade; b) merece total platéia; ou c) necessita apenas de mais uma pessoa. Bem, encontrava-me na circunstância c), mas fazendo papel de b) e jurando que seria como se estivéssemos na a).
Mas uma coisa é fato: somente eu posso barganhar meu segredo. E assim vivemos. Todos esses anos...