Conhecer a profundeza do oceano não significa que todos os mergulhos são para visitá-lo. Saiba o limite e deixe as bestas que o habitam em paz. Arrisque-se menos e viva mais. E entenda como quiser, afinal ninguém morreu sem ter vivido e tampouco viveu sem ter morrido.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
terça-feira, 23 de setembro de 2014
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Sim, sem dúvida, decidi concentrar-me em algo mais produtivo. A verdade é que o produtivo era digno de comparação ao sarcófago criado para o reator 4, de Chernobyl.
Decidi que não era necessário falar o mesmo tanto de sempre sem expor praticamente nada (estava prestes a expor tudo sem o menor desejo, em uma reação comparável ao desastre atômico).
Há quase 30 anos os males radioativos foram selados, sem expectativa de incômodo, em Pripyat. Poderá o sarcófago resistir à mim?
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Segunda-feira macabra
Alguns tantos desavisados, hipnotizados pela mítica ideia que os gatunos negros são azarentos, que o 13 é maldito e que a sexta-feira, então, nem se fala! mal sabem da existência malevolente das segundas-feiras.
Seres perversos que se alimentam das vidas revitalizadas dos finais de semanas, dos prazeres e alegrias neles vividos, deles proporcionados. Algozes de toda a vitalidade, esses seres horripilantes aterrorizam, dentre tantos, à mim.
Há algum tempo, e tenho que dizer que já é um considerável tempo, toda bendita (ou maldita?) segunda-feira tem sempre um catastrófico acontecimento para punir toda minha já cansada carcaça: é um desentendimento sério aqui, um carro quebrado ali, uma prova do curso lá, um chuveiro queimado acolá, enfim! sempre há.
É até engraçado, se é que os outros que são assombrados por essa entidade possessora podem achar engraçado, que eu acredito já ter identificado a razão pela qual ela assombra. Perceba que não é tão fácil distingui-la de uma sexta-feira 13, por exemplo. No folclore é já esperado, e até mesmo cultuado, uma sexta-feira que nasce pré datada de 13 com ventos fortes que sussurram indelicadezas ao pé do ouvido. Mas eis que nessa realidade contemporânea, as segundas se fazem muito mais devastadoras: como disse, a sua distinção não é para muitos, geralmente começando em uma sexta-feira qualquer, em um bar com cervejas para diversos paladares e mesa rodeada de bons amigos; um fim de noite esplêndido com uma companhia de fazer inveja e cantoria rítmica e descompassada; um sábado prazeroso produzindo trabalho artístico que realmente lhe dá o prazer mais íntimo que se pode sentir; incontáveis minutos consigo, pensando sobre o passado, o presente e talvez o futuro; mais cervejas; um domingo ensolarado com temperatura européia para degustar uma bebida quente; caminhar; sentir a vida correr dentro das veias; quem sabe entorpecer a mente; permitir à alma voar; dividir; compartilhar; ausentar-se. Para, então, permitir que Morfeu venha o consuma esta mente que aceita um merecido descanso antes do vindouro (inadvertido) agouro: a segunda-feira.
Sei muito bem que sou palco de meus desalentos, mas de seus caprichos? Por favor, poupe-me. Maldita segunda-feira...
Farol
Eu assistia de camarote, era quase perturbador. Vez e outra, consecutivas e repetidas vezes.
Certa vez, em um ato sábio (e confesso as pouca vezes que esse divino ato ocorreu) brilhei minha mais intensa e potente luz. Poderia ser comparado à 10 mil sóis. Felizmente evitei uma catástrofe.
Já outras vezes, de atenção displicente, assisti à pequenas embarcações naufragarem ao encontrar os pedregulhos. Algumas encalhavam, mas eram abandonada e, com os anos, o vento, o mar e o sol davam cabo.
É verdade que por anos eu não compreendia. A responsabilidade era tamanha a displicência, que por sua vez fazia frente à ignorância. É fato, eu não desejava estar alí. Fui posto inadvertidamente e sem maiores explicações. Assisti todos os tipos de embarcações navegarem pelas proximidades, assisti todos os tipos se aproximarem. Poucos demasiadamente próximos. Alguns se perdiam e outros, mesmo advertidos, naufragavam. Ou pior, ocasionavam acidentes.
São esses anos sob o sol, sob a chuva, assistindo o vai e vem das marés, os raios, relâmpagos e tempestades que, querendo ou não, são rasgados por pequeníssimas embarcações (por mais colossal que tenha sido o desejo de criação).
Alguns acidentes são imprevisíveis e eu jamais desejei alertar sobre absolutamente nada. Saiba nadar antes de enfrentar o mar e certifique-se suportar um encontro com as águas e seus mistérios.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Caminho qualquer
Possuo tantas mentiras para te contar, sabia? Tantas que pergunto-me se vale a pena.
Gostaria de dizer verdades, mas elas soam mais falsas que a própria ilusão.
Talvez esse seja um rumo.
Não vemos os ventos mas eles levam à destinos bárbaros. Por quê não deixar esses ventos soprar?
A garantia de um destino certo torna a viagem monótona. Vamos aproveitar a viagem para que o destino seja incerto.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
À beira
Insônia não atormenta meu sono. O que verdadeiramente atormenta são questões não solucionadas à beira do abismo do descanso. É estar pronto para se jogar e essas correntes prenderem um fluxo deliciosamente prazeroso.
O abismo, que nada tem de aterrorizante, é palco das asas. Nele não tenho pernas e nem braços. Tampouco forma. Nele, enquanto despenco, sou apenas energia.
Ceifaram meu direito de saltar sem temer? Não. Eu mesmo quem não permiti à coragem abrir as asas e me desconstruir. Hoje colho o desgosto mas, se eu quiser, à noite plantarei o fantástico.
Encontre-me lá, se puder.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Não é uma despedida
Foi então que, finalmente, compreendi.
Houve uma época em que, realmente, sentia-me frustrado. Hoje trouxeram a luz. Foi com grande alívio que, triste e ressentido, compreendi que nunca quiseste aquilo que nunca desejei.
Não o culpo. Nem à mim. Continuarei a ama-lo e, desse mesmo jeito, desejarei que me ame. Só espero que, um dia, possamos conversar sobre isso.