quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Lúcifer é Judas em lugar de Dante e Virgílio

Ser Judas é fácil.
Ser Lúcifer é fácil.
Ser Dante é fácil.
Ser Virgílio é fácil.

Ser Lúcifer seu próprio Judas é inquietante, especialmente quando também se é Dante e Virgílio.

Não há caminho fácil quando se guia a si mesmo para se confrontar e assistir a si mesmo consumir um eu já atordoado pelo fato de se castigar, especialmente enquanto é levado a contemplar de camarote tal ato.

A energia transformada

A arte de se destruir sem mover um músculo.

A destruição causada pela eletricidade descontrolada.

O ferimento sem sangue/A dor sem ferimento.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Valorize

Valorize o Inferno, Valorize a Dor.

O dia que chegar ao Paraíso irá querer se rebelar. Esquecerá da dor e do sofrimento e, novamente, desejará os Céus.

Será perdoado e lá estará.

Então terá esquecido das angústias e dos dissabores, e mais uma vez, questionará.
Valorize o Inferno, Valorize a Dor.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Instante

...e foi incrível: tropecei e ao levantar tudo estava diferente. As pessoas, as coisas, os lugares.
Em um instante o que era preto tornou-se branco, e um efeito negativo de cores se instaurou! Foi aquele meio fio que mudou minha percepção. Foi aquele passo desajeitado que descoloriu minha alma. Foi aquele desequilíbrio que desconstruiu um mundo.
Simplesmente foi naquele momento...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A arte de consumir a si

Caminhava tranquilamente. Passo a passo. Ouvia uma música em meus fones. Pensava, francamente, em nada. 
Subitamente sinto como um vórtex em meu peito. Sentia meus órgãos convergirem para o mesmo ponto. Meu estômago era o mais sensível, posteriormente pulmões, intestino, rins, fígado, coração. Sentia a cavidade torácica sendo devorada instantaneamente, dando espaço para um vazio digno de fome sentido do pescoço ao púbis. Sentia as costelas envergarem sem ceder. Por fora minha barriga tremulava.
Meus punhos cerraram. Sem pulmões a respiração tornou-se aleatória. O cérebro já não oxigenava corretamente. Os pensamentos  desorganizaram-se. A musculatura foi contraída na tentativa de dar algum sentido à alguma coisa. Fibra muscular após fibra muscular vociferava. Os dentes rangeram.
Então o vazio na caixa torácica cessou. Um arregalar de olhos com uma inspiração incrivelmente profunda se sucedeu.
Às gargalhadas, insanas e descontroladas, senti um calor ferver o sangue. Sentia o peito arder e o ar que saia da minha boca, quente, decorrente às gargalhadas. Cai ajoelhado e abracei a mim. Apertei-me como se quisesse conter algo que não sabia o que era. Senti vontade de gritar e, quando o fiz, entrei em combustão espontânea. Tentei apagar a mim mesmo mas foi em vão. 
No outro dia, quando despertei, encontrei-me carbonizado. Encontrei-me com um sorriso na boca invejável. Ajoelhei e beijei minha testa. Dei adeus a mim. Virei as costas e, caminhando, passo após passo, pensando em nada e ouvindo música alguma, tentei ser feliz.
Engraçado.
Há pouco sentia-me estranho, não sabia definir o que era.
Percebi que foi minha alma que voltou para o corpo.
Lamentável.
Sentia-me liberto e livre.
Maldito seja eu mesmo.