quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Interferência

De todas as vozes que ouço a que mais me chama atenção é a voz que diz: "não olhe para o lado, há um mendigo lá", ou então "veja aquela pessoa, não deseja cobiçá-la?". É uma voz tão extrema e primitiva em seus impulsos que por vezes paro, ouço, dou-lhe atenção e logo ignoro.
Quisera eu que fosse apenas esta voz. Por vezes ouço algumas tão deploráveis que jamais pensei existirem, ou então aquelas passíveis de todo humano se identificar. Pior são aquelas que livros antigos já enumeravam como moléstias mentais e sociais. De todas livro-me uma a uma, penso.
Se delas não me faço livre, então sem dúvida me resta a vaidade, pois só ela para dizer algo do gênero.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Por trás das nuvens


De todas as coisas as quais eu mais adoro em um dia ensolarado, as nuvens ganham disparado.
Elas parecem singelas, apenas indo de um lado para o outro conforme a vontade do vento, mas a verdade é que se tu considerá-las amigas, até pode vir a ter certo relacionamento. Todas manhãs acordo e logo vou à janela espiá-las: “Será que vocês farão o céu azul e belo ou o deixarão acinzentado?”, pergunto. Há dias em que elas já choram declarando como estarão no decorrer do dia, há dias em que não se definem quanto a uma resposta clara.
Contudo, de toda minha fascinação e estima, só existe um momento do dia em que, dependendo ou não, as odeio indefinidamente: meio-dia. “Queridas, qual a razão de fazer o céu incrivelmente belo se serei eu, aqui em baixo, quem arderá sob os raios do Sol?”, pergunto-me.