Cave-me o umbigo
Ande por sobre o dorso
Catequize-me sem esforço
Tampouco uma pobre
Desejo a imensidão Sem tornar tudo tão pagão
Que os pecados todos
Um a um, sejam cobrados
Dia após dia, hora após hora]
Teme?
Temo.
O que desconhece?
Não.
O que?
O que conheço.
Pelo o que?
Pelo desconhecido.
Mas se conhece?
Então não temeria.
Então porque?
Pois lidar é difícil.
Com o desconhecido?
Não.
Então pelo o que?
Pelo o que terei de lidar.
Às vezes é o medo quem nos impulsiona...
Seja para frente...
Seja para trás.
O medo também traz insights...
Às vezes para o bem...
Às vezes para o mal.
Que minhas epifanias não traiam à mim, minha intuição e o que mais houver.
Círculos, forma geométrica que consegue ser tudo ao mesmo tempo, menos o nada. São os círculos que trazem o constante movimento em todos os âmbitos terrestres. Lembro de ouvir uma citação de um certo insano, tão ou mais que eu, dizendo que "nada se cria, tudo se transforma".
A percepção de início, meio e fim é uma das mais ingratas à nós, seres racionais. Às vezes, não poucas delas, notamos que cada instante desses ciclos e, ao tentar compreende-los, entramos em uma pequena avalanche de acontecimentos, uma sequência desenfreada de racionalização emocional ou razão emotiva. Esse looping, em forma de helicoide, predominantemente descendente, nos leva às mais profundas questões pessoais quando o assunto é início, meio e fim.
O início é sempre a partida de um ciclo no qual o destino é desconhecido; não há razão para sabermos todos os pormenores do destino, o que verdadeiramente importa é percebermos essa novidade para que não passe em branco em nosso atribulado cotidiano. Também é do início a responsabilidade pela emoção. O meio é a parte mais valiosa, cheia de acontecimentos, lembranças e histórias. O meio é o que verdadeiramente importa de um ciclo, é dele que nascem as plantas e que colhemos seus frutos. É dele que também morrem as mesmas plantas e ainda podemos aprender a cuidar e colher. E o fim é o encerramento, seja ele abrupto, esperado ou premeditado.
Quanto ao fim, para muitos, é apenas o início... Mas outro texto poderá contar melhor esta história.
Freqüentemente sou surpreendido por mim mesmo, não pelo fato de não conhecer quem sou, mas de saber que posso sempre ser diferente sem deixar minha essência de lado.
Essa flexibilidade, essa adaptabilidade, essa mutabilidade faz de mim palco de pequenos ensaios sobre quem realmente desejo me tornar, afinal não nascemos mas sim nos lapidamos.
Pequenas jóias que temos dentro de nós, esses pequenos latifúndios, os quais exploramos e descobrimos preciosidades, são locais perfeitos para descobertas e para nossa coroação como donos de nós mesmo, como Altezas de nossos reinos.
O mais importante não é apenas governar aquilo que temos direito e obrigação, o mais importante é saber que além das muralhas de nosso território há vastos reinos merecedores de atenção e respeito. Unidos há força, separados há vulnerabilidades. Sejamos em prol de nós, nunca contra todos.