segunda-feira, 30 de maio de 2016

Covil de mim

Faça o que quiseres
Arranca-me os olhos
Dilacera minha carne
Arranhe-me os ossos

Amarre meus sentidos
Cave-me o umbigo
Ande por sobre o dorso
Catequize-me sem esforço

Não desejo rimas ricas
Tampouco uma pobre
Desejo a imensidão Sem tornar tudo tão pagão
E se piegas parecer, Dante-se

Que os pecados todos
Um a um, sejam cobrados
Dia após dia, hora após hora]
[minuto após minuto, segundo após segundo, instante após instante...

Súplica

Entrega
-me
teus
olhos
para
que
eu
possa
sobreviver
ao
pestilento
tédio.

domingo, 29 de maio de 2016

Dores.

É difícil segurar a alma quando ela escoa pelos dedos ou esfarela por entre as mãos. É um ato desprovido de razão tentar conter o esmorecimento somente por puro preciosismo. Mais irracional ainda é não permitir que a alma se vá e procure por quem à consiga segurar enquanto escorre ou esfarela. Importante é sabermos que, às vezes, a culpa é nossa em não permitirmos esse esvaecimento enquanto possível, e não de nossas mãos em contê-lo.

...que as lembranças não castiguem mais que os açoites infligidos por mim mesmo.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Diálogo assintomático

Teme?
Temo.
O que desconhece?
Não.
O que?
O que conheço.
Pelo o que?
Pelo desconhecido.
Mas se conhece?
Então não temeria.
Então porque?
Pois lidar é difícil.
Com o desconhecido?
Não.
Então pelo o que?
Pelo o que terei de lidar.

domingo, 22 de maio de 2016

Alguns medos

Às vezes é o medo quem nos impulsiona...

Seja para frente...

Seja para trás.

O medo também traz insights...

Às vezes para o bem...

Às vezes para o mal.

Que minhas epifanias não traiam à mim, minha intuição e o que mais houver.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Ciclos - Parte I

Círculos, forma geométrica que consegue ser tudo ao mesmo tempo, menos o nada. São os círculos que trazem o constante movimento em todos os âmbitos terrestres. Lembro de ouvir uma citação de um certo insano, tão ou mais que eu, dizendo que "nada se cria, tudo se transforma".
A percepção de início, meio e fim é uma das mais ingratas à nós, seres racionais. Às vezes, não poucas delas, notamos que cada instante desses ciclos e, ao tentar compreende-los, entramos em uma pequena avalanche de acontecimentos, uma sequência desenfreada de racionalização emocional ou razão emotiva. Esse looping, em forma de helicoide, predominantemente descendente, nos leva às mais profundas questões pessoais quando o assunto é início, meio e fim.
O início é sempre a partida de um ciclo no qual o destino é desconhecido; não há razão para sabermos todos os pormenores do destino, o que verdadeiramente importa é percebermos essa novidade para que não passe em branco em nosso atribulado cotidiano. Também é do início a responsabilidade pela emoção. O meio é a parte mais valiosa, cheia de acontecimentos, lembranças e histórias. O meio é o que verdadeiramente importa de um ciclo, é dele que nascem as plantas e que colhemos seus frutos. É dele que também morrem as mesmas plantas e ainda podemos aprender a cuidar e colher. E o fim é o encerramento, seja ele abrupto, esperado ou premeditado.
Quanto ao fim, para muitos, é apenas o início... Mas outro texto poderá contar melhor esta história.

domingo, 15 de maio de 2016

Surpreendido pelo devaneio

Freqüentemente sou surpreendido por mim mesmo, não pelo fato de não conhecer quem sou, mas de saber que posso sempre ser diferente sem deixar minha essência de lado.
Essa flexibilidade, essa adaptabilidade, essa mutabilidade faz de mim palco de pequenos ensaios sobre quem realmente desejo me tornar, afinal não nascemos mas sim nos lapidamos.
Pequenas jóias que temos dentro de nós, esses pequenos latifúndios, os quais exploramos e descobrimos preciosidades, são locais perfeitos para descobertas e para nossa coroação como donos de nós mesmo, como Altezas de nossos reinos.
O mais importante não é apenas governar aquilo que temos direito e obrigação, o mais importante é saber que além das muralhas de nosso território há vastos reinos merecedores de atenção e respeito. Unidos há força, separados há vulnerabilidades. Sejamos em prol de nós, nunca contra todos.