sábado, 30 de agosto de 2014
Soneto desmiolado
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
...estes
Sentia-me assim, preste
Sem mesmo um mais
Sem mesmo um menos
Despia-me da veste
Sem dor nem sabor
Fulgor sem valor
Crescia-me a peste
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Simbitária parasiose
Escuto tua voz ditando idéias, influenciando, tentando manifestar-se.
Quanto mais são os capítulos lidos, mais ouço de ti idéias e desarranjos musicais.
Respondo às minhas perguntas ouvindo teu timbre e, ao ler, não reconheço-me.
Que tipo de loucura é capaz de fazer simbiose com outra (in)sanidade?
Seu velho, deixaste um legado. Um maldito legado. Desgraçado!
Desde que não viva em mim aquilo que não foi capaz de viver em ti, ótimo!
Simbiose parasitária
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Sublimação
Feliz de mim ao ouvir tua voz!
Liquefazia-me até instante antes. Borbulhava a fervura da ira e raiva e, quando ouvi tua frequência única, solidifiquei-me assim, de qualquer forma. Tomei conta de mim, percebi como era. Feliz estava por ter evitado então a evaporação!
Sabe-se lá onde estaria se evaporasse...
Triunfo entre o trunfo
A coisa mais interessante neste bar, além de minha cerveja e meu livro, era o documentário sobre o ebola que, vez e outra, entre um parágrafo e um gole, subia os olhos para ler da legenda. Como me fascina esse cara. Mata formidavelmente! Um trunfo ao nosso planeta zumbi.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Norte, o Vento
Todos sabem o que acontece. Seja à noite, na manhã seguinte ou no dia depois do próximo. Todos compreendem que sua chegada é mítica e que, de alguma forma, ninguém fica à salvo de sua influência. Todos conhecem seu cheiro, sua forma, sua temperatura, sua intensidade e, inclusive, seu vigor. Todos, sem modéstia de procurar exceções, justificam atos injustificáveis com sua chegada. Todos desejam, tornam-se sedentos, enlouquecidos e desvairados. Ouvem vozes que somente ele traz. Todos reconhecem o uivo hipnotizante do vento norte quando sopra entre as frestas das janelas (entre as frestas da mente, entre as frestas da alma).
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Desfecho
Grito! Esbravejo! Desgarro sonoridades incompreensíveis da alma.
Desafios inéditos. Barbáries entre pensamentos do mesmo.
Inegável. Inaceitável. Bestialidade posta à prova frente aos selvagens.
Reviro...
Desviro...
Desfecho.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Rrrrrrrrrrrrrr
Arranhei tudo que pude. Senti o atrito das unhas com o crânio. Senti o cheiro de sangue. Senti o sabor das lágrimas.
Arranhei tudo o que pude. Sentia os ossos rasparem. Os vincos se formarem. Os trancos dificultando.
Arranhei tudo o que pude e sequer fui capaz de desfazer o mínimo do que quisesse desfazer.
E arranhei tudo o que pude.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Descarne
Pintamos, pincelamos e desenhamos esboços. Usamos preto, usamos branco, cores e, também, invisíveis.
Camuflagem sobre camuflagem.
Pincelada sobre cada intenção.
Objeções às projeções.
Maldições!
Fracassos internos compartilhados em egoísmo. Sim, em egoísmos!
Sai da tela e derrama as tintas. Suja. Bagunça. Amaldiçoa.
Descarna todos os ossos.
Reconhecimento
Sim, alimento o humor com doses de Indian Pale Ale e a alma e máquina com Weiss.
Triste, ou feliz, assim o faço.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Fotografia
Às vezes, as fotografias que registramos com a mente, tornado a fantasia em pintura e retrato, é a melhor expressão de arte possível. Perfeita e inquestionável.
É o registro da mais pura e bela maldição, conjurada entre olhares e fumaças. Nuvem densa de conspiração. Crucifica a alma e enaltece a máquina.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Oração
Aborrecimento.
Sim, é praticamente uma oração, com sujeito, substantivos, verbos e conjunções. Tudo o que necessita uma frase.
Esquecimento.
Já esta oração necessita cuidados como, primeiramente, o objeto esquecido. Em segundo, se foi devidamente esquecido e, por fim, se ainda recorda.
Em todo caso, uma necessidade em desconstrução. Uma vontade de erosão. O quase ato...
Suicida.