quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

À Sorte

 Eu? 


Eu gosto de observar o céu...


As ondas. 


O andar da sombra na janela. 


Eu?


Seduzo-me pelo movimento...


Inquietante. 


Fonte de saborosa curiosidade. 


Eu?


Hahahahahahahahaha


Não queira saber. 


Desvende-se e então encontre-me. 

Mais de mim falando além dos meus

 Não é como se o conforto estivesse no isolamento, tampouco ausência ou silêncio. O conforto, neste âmbito, é inexistente. Não há sequer um lampejo de possibilidade, na qual, haja exclusão de seres em ambiente privado e singular. 

Se, por si houvesse, tal demente desejo a possibilidade em realidade, qualquer afortunada conclusão daria-se por simples cessar de existência, frequentemente mal interpretado por sociedades, religiões e eruditos dos assuntos da psique. 

Há, como se nunca houvesse antes, a necessidade pela manutenção e mantenimento dos bons, claros e aceitos preceitos morais e sociais aos quais qualquer ser humano deva-se engajar, afiliar, militar e guerrear. 

Entretanto, não encara-se a misantropia como saudável, plausível e compreensível de habilidade sociopolítica. Credito ao pensamento o vislumbre singular do indivíduo, quando, na verdade, persiste a povoada mente humana.

Ode às Vênus

 Pergunto-me:


- O que pensou Da Vinci?


- Michelângelo?


- Jesus?


O que pensaram tantos outros quando atribuíram vida ao inanimado? Como puderam? Como perseguiram? Como enlouqueceram? Recobrarem-se e novamente se perderam?


Se Vênus, como viva?


Se morta, como Vênus?


Se em tempo, como atemporal...


(Sinapses Desvairadas)

Repetições

 Merda. "And here I go again". 

Não havia notado, em meio a embriaguês, o quão dramático és meu eu ébrio. Gosta de manifestar suas inquietudes, estabelecer seus devaneios às coisas triviais e mundanas. 

É existencialista às avessas, afogando-se na piscina para crianças e trepidando aos limites do meio-fio. Põe-se imaginar cenários obtusos de circunstâncias agudas e totalmente hipotenusas, sem qualquer ideia das possíveis incógnitas. 

Seguramente poderia-se perguntar "¿Qué paso?" e tranquilament respondería "Nada." Ou "Nothing."  Ou nada...


Senão o desejo de quietude, nada aconteceu neste inquieto universo que, volta e meia volver, clama por silêncio em meio o ensurdecedor. 


(Sinapses Desvairadas)