terça-feira, 25 de março de 2014

Fortuna

Encontrei-me estático. Li "é incrível como pessoas boas tem curto período de vida" e pensei "boas pessoas?"
Será que a bondade é, de fato, seletora natural, ou apenas dedicar-se à bondade é tão prazeroso e desgastante ,simultaneamente? Será que "os bons só se fodem" é uma observação, ou mero acaso do literal prazer desgastante?
Constato que a vida longa é dos afortunados... Desafortunados que têm sob comando uma mente desengrenada, composta por metais duráveis que, mesmo desalinhado, não deixará de funcionar, perpetuando a existência dos condenados.
Deus se enganou. Dante cavou demais. Não soube delimitar. Deus fez da Terra palco de Dante, de Virgílio, de Beatriz. Deus dá mentes debilitadas para as máquinas pois elas não suportam a plena mente. Definham. Degradam. Se entregam.
A cobrança pela fortuna? O castigo enquanto o eterno perdura.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Renúncia

E desfaço-me de mim mesmo, aos poucos e tantos.
Pedaços despedaçados que não possuem sentido quando agrupados.
Um todo esfacelado. Partes do acaso.
Mágoas de mim, lágrimas dos outros.
Ódio interno, revolta avessa, amor alheio.
Descrente da crença de que o diferente pode ser mais do mesmo. Crente na descrença de que há necessidade no que não se crer.
Molhado ou seco, cheio ou vazio. Não há espaço para me desfazer de mim mesmo. Não há pedaço menor, não há pedaço maior.
Sem solução e sem saída. Acabo por tentar implodir. Não tenho sucesso. Engulo a mim, mas dentro é tão pra fora quanto pra fora é pra dentro.
Eu não quero à mim. Renuncio.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Ventos, mares e cabelos

O que acontecerá quando o vento deixar de soprar? Das ondas empurrar? E dos cabelos bagunçar?

O que restará por dentro do oceanos revoltosos? Sem as ondas para surfar? E sem os cabelos para embaraçar?

O que sentiremos sem as brisas e seus perfumes? Sem nada respingar? E nem das franjas assassinar?

E se meu vento deixou de soprar? E se meus mares acalmaram? E se meus cabelos não se penteiam?

E se me pergunto e não me respondo? E se não me indago por que não duvido? E se não sei pois deixei de querer?

E se cansei e não ousei aceitar? E se passei à amar e me reconfortar? E se encontrei o que nunca procurei?

Enquanto os ventos, mares e cabelos existirem, terei certeza de que tudo permanecerá errante.