sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A beleza alheia é a fera das grandes cidades. É a violência mais pura. Agressividade que retém atenção da atenção. Mas engana-se quem a considerar mansa. Fera é fera, solta, presa ou condicionada. Cutuque-a e verá sua verdadeira natureza.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Carnaval dos trilhos

Nunca, em dias após o outro, detestei o vazio. Estava a contemplar minha leitura, após sorrisos ao pé de uma página par, ou era ímpar? Fato era que necessitava dar continuidade. Encontrava-me hirto, mentalmente também e, entre uma estação e outra, com seu habitual gingado, digno que sambistas, o trem pôs-se a rebolar.. Não mais que 7 ou 8 segundos. Frenético! Ouso dizer que ouvi uma bateria de samba rufar os tambores.
A verdade é que nesse exato momento havia soltado o pedestal da minha alegoria para folhar a próxima página ímpar. Ou era par? Como consequência continuei rindo, mas não pelo texto, e sim pela iminente prostração do integrante do abre alas.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Quando o céu se tornou chamas e olhei para trás, não me tornei uma estátua de sal, contemplei uma cena digna de Blockbuster.

domingo, 17 de novembro de 2013

Somos tão cheios de morte e reclamamos do pouco de vida que há.

Tem pessoas que apenas sentirão a vida quando um braço estiver na boca de um crocodilo e as vísceras na boca de um leão. Que haja sinapses suficientes para ela sentir a vida. Que haja tempo suficiente pro horror ser sua luz.
Que haja tempo. Que haja horror. Que haja vida dentro da dor e da morte.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Frankstein de mim mesmo

...e certo dia acordei, levantei-me da cama e percebi que certas partes não a deixaram. Parte de mim ainda repousava, parte tranquila, parte inquieta. Outra arrumava-se para acomodar as penas, e outra ajeitava o travesseiro.
Esse dia que sai de casa e não levei partes de mim foi como andar de muletas: era meio desengonçado mas passo a passo ganhava confiança. No mesmo dia voltei para casa, para minha cama. No mesmo dia voltei e senti saudade dessas partes de mim. Quando deitei para dormir perguntavam por onde andei, o que fiz, porque às deixei para trás. Confessei que senti falta, que vê-las ansiando meu retorno era de um confortar sem tamanho.
No entanto não pude deixar de notar que caminhar sem elas, mesmo sentindo-me fraco e inseguro, foi de um prazer desconhecido. Foi de uma curiosidade imensurável. Fez-me ter vontade de abrir os braços e correr. Fez-me ter a vontade de fechar os olhos e dar passos sem me importar.
Mas enquanto partes de mim ainda tendem a cair, a se perderem, viverei desta forma, deixando que as que se desprenderem definhem e apodreçam. Que cada uma seja consumida por seus vermes. Que cada uma seja consumida pelo universo que a compete. Que cada uma torne livre as partes que ficaram.
Desejo que a cada passo um pedaço de mim deixe de existir.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Take a walk

... Então assim que aconteceu. Convidaram-me para dar uma volta no lado selvagem e, por fim, encontrei abrigo.