quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Lbrdd

Liberdade,
Teu céu já não é mais tão azul,
Ó liberdade.
Tuas pedras contínuam duras, mas já não machucam mais.
Teu cheiro ainda possui a mesma fragrância,
Ó liberdade.
Próxima ao Paraíso
Atrás da catedral da Sé
Com olhos puxados
E línguas ininteligíveis
Liberdade!
Em São Paulo tu é conceito concreto de puro concreto.
Na abstração tua forma é moldável.
Na essência eu não mais te reconheço,
Ó liberdade.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Não importa: como?, onde? ou por quê? é irrelevante. Interessa-me, acima de tudo, o que eu não possuo; ou melhor, aquilo que nunca possuí:

Paz n'alma.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

J'Adore da Dior

Existe um tempero, um delicioso tempero, capaz de tornar toda e qualquer carne uma maravilha da humanidade. 
É um tempero que, incrivelmente, não se mescla com o sabor da carne. Ele o domina. 
Pensando bem, não é o sabor da carne que ele domina, mas sim o paladar de quem degusta. 
Sim, sem dúvidas. Malditos! Eu deveria sentir prazer com o tipo de carne, não seu maravilhoso e desconcertante tempero.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

East India Pale Ale

Às vezes tu acordar sem entender, exatamente, o que se passa na mente.
Tem dúvidas, inseguranças e inquietações que consomem a alma.
No entanto, quando uma Pale Ale é cheirada e degustada... Tudo faz sentido.

"De quem?"

Culpa é algo devastador se não for excretado. E culpado... Ou será "culpa do"?
Talvez o "culpa do" seja nós. Não culpa de alguém, ou de que, ou de algum dos porques da vida.
"Culpa do" é culpa nossa, mesmo. Não exatamente algo que possa ser delegado à alguém. "Culpa do" é aquela para conosco, aquela bendita (ou maldita?) dualidade em que nota metemos quando, inesperadamente, cometemos a insensatez de pararmos para dar ouvidos à nós. Sim, NÓS! Todos aqueles que nos habitam. Esses pequenos e grandes, formes e desformes de nós mesmos.
"Culpa do" mim.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Super poderes

E tudo aconteceu naquele dia. Acordei com super poderes. Eu tinha o poder da auto destruição. Poderia danificar centenas, quem sabe milhares; no entanto só era capaz de arruinar a mim.
Descobri, em minha mente, o ponto fraco da minha decadência: racionalização!
Aproximava-me mais. Cada vez mais de mim mesmo! Tornava-me o veneno da própria fonte de poder.
Só não esperava que, ao poluir-me, também intensificava o poder de devastação.
Machuquei centenas, devastei a mim e, talvez, arruinei a nós.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Sim, senti-me inflamando. Uma expansão de ar descomunal. A inquietude.
Minha carne já não dava conta de suportar àquela pressão.
Rompi como se fosse nada. Dilacerou os tecidos. Desfez-me em fétida carne tostada.
Aos urros, e não mais que urros, acendia feito um farol. Tornei-me referência. Caminhava não para excitar a chama, caminhava para apaga-la. Não será sua extinção. Não creio que haja. Só desejo a cessão, indeterminada ou temporária.
Só desejo...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Se sei?

Assim como Haley, o vazio assombra meu mundo de tempos em tempos. Diferente somente por não ser previsível e, também, por deixar sempre uma marca.
Perguntam-me se sei das coisas. Como se saber das coisas fosse de grande conforto, um alento à alma. Como se saber das coisas fosse lá grande coisa.
Só sei que nada sei? Deixo para quem é cliché em vida! Assumo a ignorância, mesmo.
Assumo residindo no cemitério em que resido!
Desabafo? Raiva? Ira? Tampouco.
O desgosto é dum amargor que só dá prazer à quem não se contenta com o doce, pois doce demais causa diabetes, e de enferma, quem sabe, já basta minha racionalidade.
Racionalidade...
Racionalidade é uma enfermidade! Uma febre sem fim!
E se sei se é enfermidade? Que me interessa?! Assola-me até na ignorância.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Tédio

Minha alma implora a mim:
"deixe-me ir, deixe-me dançar! eu conheço cantigas esquecidas. deixe-me cantar!"
Ela mal sabe que, se houvesse como, eu a deixaria sem pesar.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Reconhecer morar em um cemitério só não deve ser angustiante para os cadáveres, pois para os mortos-vivos isso sequer existe.
Infeliz do vivo que enterra os mortos e convive com os verdadeiros zumbis.
Feliz dos zumbis que sequer sabem que estão mortos.
E os mortos?
Estes estão fora da discussão.

Sou a tumba

Eu
Eu sou a tumba
Eu sou a tumba da minha alma
Dos meus pensamentos e das minhas idéias
Apenas um caixão que caminha solitário
Pois apenas solitário caminha um caixão

Eu sou a tumba

Sou apenas uma cripta
E as palavras nela dizem:
Descanse em paz

Desejo de Ano (Velho) Novo

Meu último desejo de 2013 manteve-se o primeiro desejo de 2014: estar completamente só.