sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Números

Números:
750ml;
13,5%.
...e nada.

Desnecessária Explicação

Ah, o conforto.
Talvez nem todos compreendam, mas dele é o que mais sinto falta.
Não, luxo não é conforto.
Às vezes o lixo de alguns é o rico e poderoso luxo do outro. Mas o conforto de um jamais será o conforto do outro.
Conforto é entidade. É manifestação de poder oculto, por vezes desconhecido.
É tudo aquilo que tu encontras sem mesmo procurar, mas quando reconhece nunca mais deixará de percebê-lo.
Conforto é amor.
Liberação drástica de endorfinas que ocasionam nudez, despojo e liberdade.
Conforto é um encontro de universos paralelos, simétricos, congruentes e, dizem, até inexistentes.
Conforto é algo que nós não compreendemos muitas vezes, mas a alma já está lá sentada, de pernas para cima, cálice cheio e sorriso largo, beirando a gargalhada.
O conforto é tudo o que o luxo proporciona mas sem excessos, sem desgastes, sem julgamentos, sem uma série de argumentos desnecessários à justificativa.
Como já dito, conforto é amor, e se precisa explicar o amor então só há lixo.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Quem liga para semântica?

E tu, sabes? Eu não. Nunca soube. Sequer, um dia, pensei que saberia. É. Tortura contínua, travestida de decisão.
E se, e se somente se, puderes descobrir? Agarrar-te-a à travessão?

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Em cantos

Se esconderes os encantos
Quem sabe não me rendas
Aos teus belos desencantos

Mas se em cantos esconderes
Que ao menos os ponha rentes
Às beiradas de todos os recantos

Quando não entendemos a gratuidade

Sempre admirei a intensidade.
A maneira como os ventos sopram, dançam e, tornados, tornam de onde vieram. A vontade do fogo em arder e, até mesmo sem chama, incendiar o incessante consumo. A loucura fomentada pela paixão, digna de tornados incandescentes, açoitando ao único presente.
Só não entendo o ódio gratuito.

domingo, 6 de outubro de 2019

Dane-se!

Sabe o amor?
É,
daqueles mesmos.
Você se vê em situações absurdas,
imaginando o futuro presente,
sem eira e sequer beira.
Desfrutando do incerto,
do improvável,
e talvez do impraticável...
E lá está ela,
e somente ela.
Pois quando você voa e vive uma nova realidade,
uma inimaginável,
é somente ela quem vem visitá-lo.
E ela não é uma qualquer,
tampouco estranha.
Ela apenas é o conforto d'alma.
Da vossa expectativa.
E no mais impróprio conforto,
semeado pela saudade devido ao desconforto,
descobre-se a sincera verdade,
irrefutável e digna de moldura.
E se mentira ao futuro desconhecido,
dane-se!

Contrapartida

Q u  a   n    d     o

se deseja silêncio

o m  í   n    i     m      o som

se torna

b a  r   u    l     h      o.

Perguntas sem respostas

Se não te cansas
Por quê reclamas?

E se o faz
Por quê não mudas?

E se continua
Por quê insistes?

E se não desiste
Por quê pelo inútil?

E se te pergunto
Por quê não respondes?

E se te incomodo
Por quê insistes?

E se não te cansas
Por quê insisto?

Sarcosmos

Muito obrigado

por me fazer essa
companhia ausente,

presente
de recente

compartilhar

o assédio ao inconsciente...

(Outro mero) Devaneio

A liberdade poética em me pegar lendo o que escrevi e, sem modéstia alguma, cair em deleite com a incapacidade em crer na capacidade em gestar tal feito.
Não que me seja incapaz mas, por vezes, é tudo tão impressionante que fica uma dúvida tênue, capaz de tornar a mais segura certeza em mera gelatina.

Latência

Ah, se possível fosse...

um novo sonho;
um novo enjôo;
um novo "quero de novo".

Mas, Ah!, se impossível fosse...

amar outra vez;
pedir perdão;
recomeçar por alguém.

E de que essas, destas e daquelas...

digam sim,
e não
e, quem sabe, tente outra vez.

Pois da vida que fostes...

trouxe o hoje,
quiçá onde fostes e, se sim,
pelo o qual retornastes.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Recom'ecadência

Sim, a mesma lamúria.

Enquanto derrete,
e toma a forma alheia ou
aquela desejada por quem lapida,
gruda e enraíza por onde passa.

Entre os gases
nocivos aos pulmões,
exala feromônios
de complexa compreensão...

E aos que compreendem,
absortos,
só lhe restam aceitar que a decadência
é o novo recomeçar.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

P'Od(r)e

Ah, o plástico.

O que dizer da matéria prima,
substituta do bronze
e do mármore, e
tantas outras árduas de trabalho

como
a própria carne?

Como,
enquanto em ódio,
ode ao derivado do nocivo,
resultado do
passado em decomposição?

Em meio à matéria,
somos todos adoradores
da putrefação...