quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Não é exatamente o medo que nos domina, mas sim a crença nele que nos condena.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Devaneio

Pergunto-me se te preocupas onde pisa
Pergunto-lhe se te importa o entre passo
Pergunto-me se importa o que te faço
Pergunto-lhe se preocupa minha sínica

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A bruta fragilidade

Sempre fui compreendido (ou mal?) dessa forma: "O Grosso". Infamemente sempre emendava que "todas dizem isso" mas, no fundo, sabia do que se tratava.
Nunca assolou minha alma. De forma alguma. Chateava-me o fato da sensibilidade alheia (não que eu fosse uma pedra), no entanto entristecia-me a falta de brutalidade do restante.
Não devo ser um exemplo próprio de brutalidade. Devo ter brigado 2 ou 3 vezes na vida, ainda na infância, por coisas supérfluas. Mas se sempre teve algo com o que sabia bater, esse algo eram as palavras. Mas a verdade e que eu nem sabia bater...
Quando eu desejava nocautear alguém as coisas se embolavam e se engasgavam em grunhidos ininteligíveis, algo que imagino como um cavalo tropeçando e caindo. No entanto, quando eu apenas expressava meu âmago, sinceramente, de forma clara e honesta, desejando estar sendo objetivo e sucinto, era aí que meus golpes eram mortais. Incrível! Era uma frase e POW! Outra frase e fim, venci por nocaute.
Mas esse era o problema: vencia batalhas que sequer travei. Sem empunhar uma arma, tampouco desferir um único golpe: eu simplesmente desmantelava as coisas por uma simples frase.
Por um período até considerei ser sina, por outro que de fato possuia uma arma secreta (de mim mesmo), ou que, tristemente, fosse uma característica problemática. Ao longo dos períodos, e pode-se contabilizar centenas de dias, milhares de horas e mais de meia década, percebi que o problema não estava propriamente na brutalidade, e sim na fragilidade.
O Universo é complexamente frágil.
O Sol é brutalmente simples.
A Lua é pura brutalidade.
A Terra é bruta.
A Natureza é complexa, frágil e bruta.
A Essência é simplesmente bruta, mas as palavras simplesmente fragilizam...
Porém, e isso é algo digno de contemplação, a expressão nem sempre será delicada e, por um pouco de esforço (talvez?), caberá à quem ouvir compreendê-la e "admirá-lá", afinal a simplicidade de todas as coisas é brutalmente frágil, tal qual a simplicidade é fragilmente bruta.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Receita da insanidade explosiva

Ingredientes:
Sabe aquela polenta no fogo? Ou então aquele pirão? Ou aquele caldo bem grosso?
Fixe e reserve.
Sabe aquela borbulha da água fervente? Do caldo grosso? Das bolhas subindo à superfície e estourando?
Fixe e reserve.
Sabe aquela imagem do crânio aberto? Tipo o Eddie do Iron Maiden? Com a cabeça lobotomizada?
Fixe e reserve.

Modo de preparo:
Pegue 100% das borbulhas semelhantes ao caldo grosso, ponha dentro do crânio vazio e observe a fervura.

Modo de compressão:
A mente em ebulição, densa em suas conexões e maldições.
Entenda que o ponto de ebulição e cozimento não é desejável para este preparo. Se o vaso for tampado e a pressão abruptamente subir poderá ser catastrófico.

Modo de consumo:
Pacientemente aguarde até ser consumido.

Então o caro leitor pergunta "o preparo?" não, de forma alguma! Quem será consumido é o, nem tão caro, leitor.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

32914-7!

Certa vez, há tantos anos que esqueci qual das vezes, houve alguém. Sim. Não é pejorativo crer neste fato, tampouco menos glorificador. A questão é: houve alguém.
Inquietante, na verdade, não e é o fato mas sim aquilo que prosseguiu advindo dele.
Anos após, sejam eles unidades ou dezenas, o que importa é o tempo transcorrido entre os eventos que, indubitavelmente, revelaram seres abissais.
Descobertas dignas do front grotesco do sonho mais horripilante vislumbrado por qualquer sono de descanso divino em noite macabra. Sim!
A racionalidade? A coesão? 32914-7!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Minha paciência é do tamanho de uma manada, mas a paz no espírito mal chega à meio Jerry.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Zigue Zague

Santos são os antros de degradação, assim como amaldiçoados são os antros de santificação.
Se não muito à direita ou esquerda, então em zigue zague.

Pequeno manifesto

Gastam vidas à procura de pedras preciosas para, quando encontradas, serem lapidadas e possuírem "beleza e valor".
Se a bruta lapidação da natureza não for suficiente então todos os olhos são merecedores da escuridão.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

_Sabe onde fica esse endereço?
_Hummm. Até sei, mas o que deseja lá?
_Como assim? Preciso chegar lá.
_Então, meu caro, precisar e necessitar jamais te levarão a tal local.
_Como não?
_Ninguém está lá contra sua vontade...
_E por quê eu estaria?
_Justo! Qual a razão de estar lá?
_Por quê indicaram?!
_Isso não basta.
_E o que basta se saber onde não é suficiente?
_Nada será suficiente se não dispuser de capacidade para estar. Nada que faça o colocará permanentemente onde deseja. Garantia nenhuma há da tua permanência. Se deseja chegar onde pretende não pergunte, simplesmente vá!
_Mas...
_Sem mas. Aceita que as imperfeições existem e procura teu rumo.
_Certo. Mas e este endereço?
_Virando a rua, à esquerda.

E essa é a história de outro Rafael na cova dos leões.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Peso para papéis

Certa vez comprei algo de conteúdo vazio. Sim, devia ser algo como 54Kg de peso bruto e Zero de peso liquido.
Deve estar se perguntando como algo vazio tem tanto peso...
Pois também me perguntava. Percebi que o preço era taxado sobre a embalagem.
Engraçado era que o conteúdo era, realmente, vazio. Vazio de conteúdo e de conteúdo completamente vazio.
Irônico!
Por quê?
Pois realmente comercializa-se algo assim.
E tem uso?
Quem compra uma pedra sempre arranja uso para ela.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Entre vidas

Sinto a vida que há entre as gotículas que me atingem e o vento que me arrepia com a janela aberta, em noites chuvosas e frias deitado em minha cama.

domingo, 2 de novembro de 2014

ogidartnoC

O hélio que se funde
A carne que se aquece
A alma que se esfria
Um dia re encara a carne

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Menos é mais

Conhecer a profundeza do oceano não significa que todos os mergulhos são para visitá-lo. Saiba o limite e deixe as bestas que o habitam em paz. Arrisque-se menos e viva mais. E entenda como quiser, afinal ninguém morreu sem ter vivido e tampouco viveu sem ter morrido.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Prenúncio

Sim, sem dúvida, decidi concentrar-me em algo mais produtivo. A verdade é que o produtivo era digno de comparação ao sarcófago criado para o reator 4, de Chernobyl.
Decidi que não era necessário falar o mesmo tanto de sempre sem expor praticamente nada (estava prestes a expor tudo sem o menor desejo, em uma reação comparável ao desastre atômico).
Há quase 30 anos os males radioativos foram selados, sem expectativa de incômodo, em Pripyat. Poderá o sarcófago resistir à mim?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Segunda-feira macabra

Alguns tantos desavisados, hipnotizados pela mítica ideia que os gatunos negros são azarentos, que o 13 é maldito e que a sexta-feira, então, nem se fala! mal sabem da existência malevolente das segundas-feiras.
Seres perversos que se alimentam das vidas revitalizadas dos finais de semanas, dos prazeres e alegrias neles vividos, deles proporcionados. Algozes de toda a vitalidade, esses seres horripilantes aterrorizam, dentre tantos, à mim.
Há algum tempo, e tenho que dizer que já é um considerável tempo, toda bendita (ou maldita?) segunda-feira tem sempre um catastrófico acontecimento para punir toda minha já cansada carcaça: é um desentendimento sério aqui, um carro quebrado ali, uma prova do curso lá, um chuveiro queimado acolá, enfim! sempre há.
É até engraçado, se é que os outros que são assombrados por essa entidade possessora podem achar engraçado, que eu acredito já ter identificado a razão pela qual ela assombra. Perceba que não é tão fácil distingui-la de uma sexta-feira 13, por exemplo. No folclore é já esperado, e até mesmo cultuado, uma sexta-feira que nasce pré datada de 13 com ventos fortes que sussurram indelicadezas ao pé do ouvido. Mas eis que nessa realidade contemporânea, as segundas se fazem muito mais devastadoras: como disse, a sua distinção não é para muitos, geralmente começando em uma sexta-feira qualquer, em um bar com cervejas para diversos paladares e mesa rodeada de bons amigos; um fim de noite esplêndido com uma companhia de fazer inveja e cantoria rítmica e descompassada; um sábado prazeroso produzindo trabalho artístico que realmente lhe dá o prazer mais íntimo que se pode sentir; incontáveis minutos consigo, pensando sobre o passado, o presente e talvez o futuro; mais cervejas; um domingo ensolarado com temperatura européia para degustar uma bebida quente; caminhar; sentir a vida correr dentro das veias; quem sabe entorpecer a mente; permitir à alma voar; dividir; compartilhar; ausentar-se. Para, então, permitir que Morfeu venha o consuma esta mente que aceita um merecido descanso antes do vindouro (inadvertido) agouro: a segunda-feira.
Sei muito bem que sou palco de meus desalentos, mas de seus caprichos? Por favor, poupe-me. Maldita segunda-feira...

Farol

Nunca foi uma opção minha. É fato que a partir de um dado momento percebi que as coisas estavam acontecendo dessa forma, mas eu jamais procurei por isso.
Eu assistia de camarote, era quase perturbador. Vez e outra, consecutivas e repetidas vezes.
Certa vez, em um ato sábio (e confesso as pouca vezes que esse divino ato ocorreu) brilhei minha mais intensa e potente luz. Poderia ser comparado à 10 mil sóis. Felizmente evitei uma catástrofe.
Já outras vezes, de atenção displicente, assisti à pequenas embarcações naufragarem ao encontrar os pedregulhos. Algumas encalhavam, mas eram abandonada e, com os anos, o vento, o mar e o sol davam cabo.
É verdade que por anos eu não compreendia. A responsabilidade era tamanha a displicência, que por sua vez fazia frente à ignorância. É fato, eu não desejava estar alí. Fui posto inadvertidamente e sem maiores explicações. Assisti todos os tipos de embarcações navegarem pelas proximidades, assisti todos os tipos se aproximarem. Poucos demasiadamente próximos. Alguns se perdiam e outros, mesmo advertidos, naufragavam. Ou pior, ocasionavam acidentes.
São esses anos sob o sol, sob a chuva, assistindo o vai e vem das marés, os raios, relâmpagos e tempestades que, querendo ou não, são rasgados por pequeníssimas embarcações (por mais colossal que tenha sido o desejo de criação).
Alguns acidentes são imprevisíveis e eu jamais desejei alertar sobre absolutamente nada. Saiba nadar antes de enfrentar o mar e certifique-se suportar um encontro com as águas e seus mistérios.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Caminho qualquer

Possuo tantas mentiras para te contar, sabia? Tantas que pergunto-me se vale a pena.
Gostaria de dizer verdades, mas elas soam mais falsas que a própria ilusão.
Talvez esse seja um rumo.
Não vemos os ventos mas eles levam à destinos bárbaros. Por quê não deixar esses ventos soprar?
A garantia de um destino certo torna a viagem monótona. Vamos aproveitar a viagem para que o destino seja incerto.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

À beira

Insônia não atormenta meu sono. O que verdadeiramente atormenta são questões não solucionadas à beira do abismo do descanso. É estar pronto para se jogar e essas correntes prenderem um fluxo deliciosamente prazeroso.
O abismo, que nada tem de aterrorizante, é palco das asas. Nele não tenho pernas e nem braços. Tampouco forma. Nele, enquanto despenco, sou apenas energia.
Ceifaram meu direito de saltar sem temer? Não. Eu mesmo quem não permiti à coragem abrir as asas e me desconstruir. Hoje colho o desgosto mas, se eu quiser, à noite plantarei o fantástico.
Encontre-me lá, se puder.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Não é uma despedida

Foi então que, finalmente, compreendi.
Houve uma época em que, realmente, sentia-me frustrado. Hoje trouxeram a luz. Foi com grande alívio que, triste e ressentido, compreendi que nunca quiseste aquilo que nunca desejei.
Não o culpo. Nem à mim. Continuarei a ama-lo e, desse mesmo jeito, desejarei que me ame. Só espero que, um dia, possamos conversar sobre isso.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Reprograme-se



Está na hora do vocês arrancarem esses pregos dos olhos, dos ouvidos, da língua e da mente.
Está na hora!

Utilizem esses pregos para decorarem a casa, com quadros e pinturas que devam ser expostas.
Utilizem esses pregos!
E lembrem-se sempre de saciar a sede antes de dormir pois o amanhã, meus caros, é apenas um futuro que sequer nasceu.
Saciem a sede!

sábado, 30 de agosto de 2014

Soneto desmiolado

Cozinha-me!
Apenas os miolos
Não, não se atreva
Não prove o odor do meu refogado

As idéias dissipam
E a água evapora
Procure apenas observar e
Não prove o odor do meu refogado

Imagine e fantasie
Deseje mas
Não prove o odor do meu refogado

Contemple a música da panela
Da chama e da dama. Mas lembre-se:
Não prove o odor do meu refogado

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

...estes

Sentia-me assim, preste

Sem mesmo um mais
Sem mesmo um menos

Despia-me da veste

Sem dor nem sabor
Fulgor sem valor

Crescia-me a peste

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Simbitária parasiose

Escuto tua voz ditando idéias, influenciando, tentando manifestar-se.
Quanto mais são os capítulos lidos, mais ouço de ti idéias e desarranjos musicais.
Respondo às minhas perguntas ouvindo teu timbre e, ao ler, não reconheço-me.
Que tipo de loucura é capaz de fazer simbiose com outra (in)sanidade?
Seu velho, deixaste um legado. Um maldito legado. Desgraçado!
Desde que não viva em mim aquilo que não foi capaz de viver em ti, ótimo!

Simbiose parasitária

domingo, 24 de agosto de 2014

Manipular?
Condicionar?
Permitir-se?
Sabe diferenciar?
Não?
...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Sublimação

Feliz de mim ao ouvir tua voz!
Liquefazia-me até instante antes. Borbulhava a fervura da ira e raiva e, quando ouvi tua frequência única, solidifiquei-me assim, de qualquer forma. Tomei conta de mim, percebi como era. Feliz estava por ter evitado então a evaporação!
Sabe-se lá onde estaria se evaporasse...

Triunfo entre o trunfo

A coisa mais interessante neste bar, além de minha cerveja e meu livro, era o documentário sobre o ebola que, vez e outra, entre um parágrafo e um gole, subia os olhos para ler da legenda. Como me fascina esse cara. Mata formidavelmente! Um trunfo ao nosso planeta zumbi.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Norte, o Vento

Todos sabem o que acontece. Seja à noite, na manhã seguinte ou no dia depois do próximo. Todos compreendem que sua chegada é mítica e que, de alguma forma, ninguém fica à salvo de sua influência. Todos conhecem seu cheiro, sua forma, sua temperatura, sua intensidade e, inclusive, seu vigor. Todos, sem modéstia de procurar exceções, justificam atos injustificáveis com sua chegada. Todos desejam, tornam-se sedentos, enlouquecidos e desvairados. Ouvem vozes que somente ele traz. Todos reconhecem o uivo hipnotizante do vento norte quando sopra entre as frestas das janelas (entre as frestas da mente, entre as frestas da alma).

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Desfecho

Grito! Esbravejo! Desgarro sonoridades incompreensíveis da alma.
Desafios inéditos. Barbáries entre pensamentos do mesmo.
Inegável. Inaceitável. Bestialidade posta à prova frente aos selvagens.
Reviro...
Desviro...
Desfecho.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Rrrrrrrrrrrrrr

Arranhei tudo que pude. Senti o atrito das unhas com o crânio. Senti o cheiro de sangue. Senti o sabor das lágrimas.

Arranhei tudo o que pude. Sentia os ossos rasparem. Os vincos se formarem. Os trancos dificultando.

Arranhei tudo o que pude e sequer fui capaz de desfazer o mínimo do que quisesse desfazer.

E arranhei tudo o que pude.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Descarne

Pintamos, pincelamos e desenhamos esboços. Usamos preto, usamos branco, cores e, também, invisíveis.
Camuflagem sobre camuflagem.
Pincelada sobre cada intenção.
Objeções às projeções.
Maldições!
Fracassos internos compartilhados em egoísmo. Sim, em egoísmos!
Sai da tela e derrama as tintas. Suja. Bagunça. Amaldiçoa.
Descarna todos os ossos.

Reconhecimento

Sim, alimento o humor com doses de Indian Pale Ale e a alma e máquina com Weiss.
Triste, ou feliz, assim o faço.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Fotografia

Às vezes, as fotografias que registramos com a mente, tornado a fantasia em pintura e retrato, é a melhor expressão de arte possível. Perfeita e inquestionável.
É o registro da mais pura e bela maldição, conjurada entre olhares e fumaças. Nuvem densa de conspiração. Crucifica a alma e enaltece a máquina.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Oração

Aborrecimento.
Sim, é praticamente uma oração, com sujeito, substantivos, verbos e conjunções. Tudo o que necessita uma frase.
Esquecimento.
Já esta oração necessita cuidados como, primeiramente, o objeto esquecido. Em segundo, se foi devidamente esquecido e, por fim, se ainda recorda.

Em todo caso, uma necessidade em desconstrução. Uma vontade de erosão. O quase ato...

Suicida.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

P.E.

Euforia é o ponto de ebulição do estado humano da inércia rotineira.

sábado, 26 de julho de 2014

Contraponto

Maldição é a condenação do divino, seja ele maldito tal qual a condenação divina.

Rinite descabida

Dentre ossos e cinzas o espirro espalha toda a sina.

Rinite descabida

Dentre ossos e cinzas o espirro espalha toda a sina.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Sinfonia do desespero

Quem canta seus males espanta?
E para quem vive no silêncio, pois a melodia só tem sentido em poucos instantes? Vive?
Que teus grunhidos e urros sejam sinfonia...

Indisposição pessoal

Tirei o telefone do gancho. Disquei. Chamou, atendeu em silêncio. "Alô? Passado? És tu quem estás ai?" Desliguei.
Naquela velha agenda, todos os números, sem exceção, resultavam na mesma resposta - ou falta dela.
Tornei a tirar o telefone do gancho. Disquei um número qualquer. Chamou e atenderam.
_Pois não?
_Ola! Eu liguei aleatoriamente e não sei à quem pertence esse número. Poderia informar?
_Claro, ele pertence à ti, senhor. Ligaste para o futuro. Daqui, da época em que falo, o senhor já não pertence mais.
_Oh! Então muito obrigado. - E desliguei. Perplexo. Sequer recordava o número que liguei e, honestamente, tampouco tive coragem de saber que época era aquela que falaram.
Foi então que pensei em ligar para o presente e conversar comigo - se é que eu encontraria à mim. Liguei. Atendeu a secretária eletrônica, disse que havia viajado, que não sabia quando retornaria e que, talvez, nem retornaria. Coloquei o telefone no gancho. Levantei de onde estava sentado e, ao fechar a porta, ouvi o telefone tocar e a secretária eletrônica atender: já não estava mais à disposição de mim.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Descons.

De certo modo, enquanto possível e saudável, esqueça de si. Deixe alguns pedaços em alguns lugares e, sem atenção, continue. Lembre-se de voltar e se reencontrar. Não permita que a inércia se instaure. Esqueça para lembrar, lembre de esquecer e, acima de tudo, saiba que alguém sempre estará por lembrar. Livre-se desses. Pode deixá-lo em qualquer local de perigoso e impossível acesso. Desfaça-se desses. E desfaça a si, também.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Singular plural

Sabe, pensando conjuntamente com os diversos eus existentes em mim, concluímos que é muito difícil.
Andamos em carros alemães, em motos japonesas. Bebemos água da fonte de outra cidade, de álcool mexicano, irlandês, russo. Comemos das receitas exóticas do oriente e de alguns ocidentes. Respiramos de aromas franceses. Contemplamos pinturas espanholas e arquiteturas italianas. Navegamos e voamos em território que não é de nossa pátria. Ouvimos música de todas as cultura. Falamos línguas que não a nossa materna. Com tudo isso em mente e, de certa maneira, ainda procuramos uma única pessoa que satisfaça nossa pluralidade ou, francamente, nossas singularidades.
Sim, sem dúvida, concluímos que é muito difícil.

Enquanto poucos anseiam por muito, e muitos anseiam por pouco eu, simplesmente, anseio não ansiar.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Pequenas coisas

Satisfaz-me as pequenas coisas: aquelas que caracterizam o homem em animal, e daquelas que caracterizam os animais em bestas.
Satisfaz-me as pequenas coisas: aquelas que profanam os santos, e daquelas que canonizam os depravados.
Satisfaz-me as pequenas coisas: aquelas que eu não faço o que digo, e daquelas que eu não digo o que faço.

Satisfaz-me as pequenas coisas.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

RUI(na)

Um brinde
À ruína do homem
Um brinde ao
Arruinado homem
Uma gargalhada para
A ruína do homem

a(RUINA)do...

Infames unânimes
Todos insonsos
Atrozes e algozes
Elegantes uivantes

(Uma rima sem ruína, com pretensões descabidas em uma mal humorada manhã chuvosa de sexta-feira)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Hoje sou tormenta

A diferença entre uma brisa e uma tormenta é a quantidade de pensamentos que o vento possui naquele instante.

domingo, 6 de julho de 2014

Inércia temporal

Às vezes tenho vontade de nada

Nem de vida
Nem de morte
Nem de sucesso
Nem de fracasso

Somente a vontade do nada.

sábado, 5 de julho de 2014

Sofro de um mal
Um mal desencontrado
Experimentado pelos amaldiçoados

Sofro.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Tic-tac

Quem passa? Os ponteiros? A areia? As pessoas? Algumas vidas? Habitantes de espaço, cidades cheias deles.
E alguns ainda dizem que a culpa é das estrelas, como se elas tivessem culpa. Como se um mapa fosse responsável pela jornada. Lamentável.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Imbróglio sem sentido às 7:33h em uma sexta-feira

Há coisas em mim que sempre necessitam sair para dar uma volta, eventualmente. Seja uma frustração, uma euforia, uma lembrança. Todos necessitam de ar fresco.
Penso que se para o maquinário todo isso é positivo, imagine para aquilo que raramente pode desfrutar de um passeio no parque.
Há lembranças, algumas mais especiais que outras, que tem essa necessidade quase "física" de dar uma volta pelas emoções. Aquela necessidade em sentir-se viva, em saber que tirar a poeira, o cheiro de mofo e, novamente, ter seus ares renovados é uma possibilidade vívida em sua existência.
Ou, talvez, seja apenas desculpas para fazer o que já tinha pretensão. Ou talvez não?
Imbróglio sem sentido às 7:33h em uma sexta-feira.

Cativo 2

Cativante são os olhos e a boca, com aquele vinco no lábio superior. O nariz, que define tudo com as orelhas, que dão graça.
Cativa os passos, o andar. Os trejeitos da carne balançando grudadas nos ossos, pondo-se à avançar no espaço.
Sedutor é a voz que viaja no ar. Dos cabelos que balançam ao vento e aquele olhar enquanto pensa com voracidade.
Seduz teu jeito, pensamentos e pesadelos. Toda a forma que tens para fazer absolutamente nada.
Poderia falar do sexo, mas correrá o risco de me considerar apaixonado. Apenas quero teu calor, teu grunhido, tua saliva e teu silêncio.

Cativo 1

Cativaste!
Quem?
À mim!
Pelo que?
Aí depende.
Do que?
De quem.
Quem sou?
Quem pensa ser.
Cativei-o?
Só em partes.
Quais?
As que és.
Que sou?
Que pensa ser. Cativei-te?
Não.
Por quê?
Por quem.
Por quem penso que sou?
Não.
Então por quê?
Por quem!
Por quem sou?
Por, justamente, ser quem não é.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Entre movimentos

No silêncio da mente, entre os pensamentos insanos e outros profanos, escuta-se as mais impensáveis melodias.
Entre consonantes e dissonantes, sobre a tênue linha entre os sonhos e os pesadelos, reside uma única música.
Desde que haja desordem dentro do silêncio, e do escuro, haverá a motivação. Qual? Somente aquela impossível aos cegos e aos surdos.

Profundezas

Mais surpreendente que o lado mais sombrio de uma pessoa é somente o lado mais sombrio de nós mesmos.
Aceite-se antes que seja tarde e entenda que, talvez, lutar contra a essência não é um sábio caminho.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Jornada

Procure como se não houvesse amanhã. Ao encontrar, verifique se não é o próprio rabo. Certificando-se continue a busca, pois o fim só se tornou fim após desbravar o caminho até lá.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Desde quais tempos a embriaguez não foi levada à sério?
Desde quando?
Dezenas, centenas? Alguns milhares?

Anos?
Procuras?
Sentidos?
Rendimentos?

Qual tua unidade de medida é q preferencial?
Qual?
Reconhece-te?

Aposto que há dúvidas quanto um caminho errante
Um caminho desregrado
Um caminho por pernas próprias

terça-feira, 3 de junho de 2014

Conheci-te antes mesmo de saber

O universo é demasiadamente perfeito: não existe conjuntura dentro do maior espaço possível que seja imperfeita. Tudo está onde deveria estar, o tempo que deverá permanecer e da maneira que o será.
A programação universal é imensurável. Impossível de se tornar palpável.
A verdade é que o espaço é unido através do tempo, e vice é versa. E isso não cabe, somente, à teoria do espaço-tempo ou dos buracos de minhoca. Ela cabe aqui, dentro da mente e da alma.
A tecnologia é, realmente, a máquina que possibilita unir tempo e espaço. É dela que surgiu a oportunidade de selar um espaço pertinente à 7 anos de existencialidade.

7 anos

14 semestre


84 meses



336 semanas




2556 dias





60480 horas





3628800 minutos








217728000 segundos

Tempo este que, se não foi vivido, foi perdido.

À deus?

Nascerá um dia em que eu decidirei ir. Provavelmente perguntarás por quê e para onde e, com certa relutância, responderei que meu objetivo é egoísta. Talvez tu jamais compreenderá pois egoístas não são facilmente compreendidos. Egoístas são tidos por egocêntricos e incapazes de se colocarem no lugar um dos outros.
Sabe, um ser humano de atitudes egoístas é tão fácil de ser tachado. Mas as pessoas insistem em não se colocarem em seu lugar, afinal assim sempre foi mais fácil e, francamente, quem desgosta da comodidade?
Entenda, coloco-me tanto no lugar das pessoas que, se fosse sensato dizer, alertaria que relações, de qualquer gênero, são delicadas. Que o melhor, sem dúvida, é não criar expectativa de nada. Que, por fim, serei solitário num universo pluralizado de seres.
Não se engane, te amo de verdade. Tão possível é capaz amar.
No entanto a verdade sobre quem sou é algo tão longe de compreensão que, como já disse, nascerá o dia em que partirei e perguntarás a razão.
Meu amor, saiba que a razão de ir é que necessito encontrar à mim, e enquanto este sua não nascer jamais poderei ser de alguém, tampouco de mim mesmo.
Um dia voltarei.
Talvez outro, mas voltarei.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Torna (do)


Tornado
Eu clamo à ti: leve-me daqui!
Tornado
Leva minha alma para longe mim

Tira meus pés do chão
Contigo leva minha razão
Carrega as poucas importâncias
Dentre elas minhas ânsias

Tornado
Eu rezo por mim: carrega-me!
Tornado
Gira por tua impetuosa paz

Quero tua voracidade
Nos teus olhos descobrir a leveza em ser feliz
Rodopia, arranca de mim as lágrimas
Seca minha mediocridade

Tornado!

Torna dos ventos!
Torna das águas!
Torna do mundo!

Torna do que não deve ser de ninguém!

Tornado

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Aqui(múria)

Então eu quis chorar minhas lamúrias
E eis que pensei ter encontrado alguém que quisesse ouvi-las
E aí descobri que sequer haveria espaço
Quando notei, já havia sido usado
Prontifiquei-me à atendê-lo
Fui usado e, querendo apenas lamuriar, me decepcionei

Um novo caminho para as mesmas lamúrias

http://amplifybraindamage.tumblr.com/post/87268580056/ode-aos-inimigos

terça-feira, 27 de maio de 2014

O inferno é apenas um imenso déjà vu.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Deu (S)

Sou tão deus quanto Deus pensa que é deus
Creia
Dou vida e sou capaz de tira-la
Creia
Sou nefasto, quando conveniente
Saiba
Meu forte é meu humor irônico
Saiba
Sim, também sou soberbo
Aceite
Sou o humano mais Humano que qualquer outro
Aceite
O que nos separa, simplesmente, é em que crê
Compreenda

Deu (S)

Sou tão deus quanto Deus pensa que é deus
Creia
Dou vida e sou capaz de tira-la
Creia
Sou nefasto, quando conveniente
Saiba
Meu forte é meu humor irônico
Saiba
Sim, também sou soberbo
Aceite
Sou o humano mais Humano que qualquer outro
Aceite
O que nos separa, simplesmente, é em que crê
Compreenda

segunda-feira, 12 de maio de 2014

(Des)Contos

Até os passos dos errantes são capazes de cruzar o mesmo caminho por inúmeras vezes. Esses passos que cegamente se postam em frente do outro. Seja um degrau acima, seja um abaixo.
Coincidente, ou não, é errantes desconhecidos que se cruzam, dia após dia. Seja nos mesmos passos, seja nos mesmos caminhos, seja em poucos cruzamentos.
Há um errante que, frequentemente, encontro. Sempre ele, de pele judiada pelo sol, com suas rugas já bem sinuosas, largas e profundas. O vejo assim: de costas para a porta, sempre duas estações de onde descemos, com sapatos, calça e camiseta branca (hoje com um manto de cor indefinida devido ao frio), fones em seus ouvidos (com aquele led vermelho piscante), anel protuberante dourado no anelar esquerdo, um relógio com alguns ponteiros no punho direito e hoje - inclusive hoje - talvez por descuido, uma corrente que ostentava um pingente volumoso que decidi decifrar: a imagem de um bode sobreposta à um pentagrama invertido.
Pensei mil pensamentos. Fantasiei mil fantasias. Seria um satanista? De religião apropriada? Amante da música dita pesada e seu flerte ao demoníaco? Seria, ele, quem? Pensei veementemente que ele possa ser um terapeuta holístico, adorador do oculto, talvez (eu seria).
De tudo, em cada manhã do amanhã, pois o hoje já foi dentro do agora, quando o encontro sempre pego-me fitando suas linhas e formas. De certo modo é um solitário hábito de criar histórias hipotéticas sobre a vida de seres alheios. Ele não motiva a mim mais que outros, o único detalhe é encontra-lo com frequência sempre pelo meu destino rotineiro.
Um dia, com coragem, motivarei-me à uma única pergunta. Vocês, claro, já devem imaginar.

D o r e s e r o C

Nas dores, as cores
No negro a falta, no branco também
Nas dores, as cores
Escalas de cinza na imensidão
Ao fim do arco íris não há pote com ouro, são raios solares dementes, apenas em suas errantes trajetórias, entre gotículas d'água e outras
Ao fim do curso, seja qual for, a  satisfação está em começar um novo, seja lá qual for
O prazer em desfrutar da jornada é para poucos, ingênuos e ignorantes
Não vejo muito mais que um punhado de cores
Um punhado negro, outro branco e misturas disso

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Aos vorazes

Pôr do sol
Início da noite
Hora de todos os gatos se tornarem pardos
Portões abertos (d'alma)
Monstros correm, uivam, ladram, grunhem, gemem, gritam

Um brinde!
Sim, um brinde!
À quem? perguntas
Aos poucos e insanos
Mas quem? perguntas
Àqueles cheios de permissões
Quais? perguntas
Daquelas capaz de libertar os vorazes para devorar
Quem? por fim
Os ingênuos, caro curioso. Os ingênuos

terça-feira, 29 de abril de 2014

(Armadura) Carne e ossos

Minha armadura está gasta.
Há plenos dias da idade maldita do rock e, antes disso, sempre soube que minha armadura já estava gasta.
Não faltam partes, poucas se quebraram, algumas já não funcionam como deveria desde o concebimento.
Duvido aqui comigo, e outros tantos eus, se há peças de reposição.
Sabem, não me importo tanto com a máquina, assim. Eu abriria mão dela desde que soubesse que a consciência teria paz. Oh, sim. Paz!
Lutar com armadura de carne e ossos não é páreo contra a luta da inquietação, da mente condenada à consciência.

domingo, 27 de abril de 2014

|P|A|Z|

A ruptura não é a incoesa.
A união não é incoesa.
A falta de coesão só está dentro de nossa mente.

Clausura

Janelas com janela
Da alma
Do inanimado

O dentro
Dentro do que é fora
Avesso

Incontestável dinâmica
Caminho bidirecional
Fluxo contínuo
Desejo intermitente

Busca
Fora
O que está
Dentro

sábado, 26 de abril de 2014

A mesma atitude que atrai é a mesma que repele. Repense.

domingo, 20 de abril de 2014

Enquanto contemplo os olhos teus
Tu invade minha alma através das janelas
Enquanto fico a contemplar os azuis das tuas cortinas
O alarme não toca, meu cão não late
E tuas janelas ficam assim, escancaradas
A brisa aumenta, o vento tremula a chama da vela
Para que apenas eu fique aqui, a contemplá-la
Vasculha minhas gavetas, revira meus armários
E eu? Somente a vislumbrar tais cortinas
Que bagunça! Que zona! Quem esteve aqui?
E alguém esteve aqui?
Só lembro de admirar o azul que precede a entrada da tua alma

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Mais do mesmo

A paz que não encontro em mim não poderei encontrar em ti, pois se não for dono do meu sossego, não serei capaz de ser calmaria para dono algum.
Arranca minha pele, dilacera minha carne, quebre meus ossos, não importa. Só faça com que o vazio seja preenchido. Só o faça desaparecer. Encontre-o e o preencha, ou leve contigo. Tanto faz.
Desencarna minha alma, se necessário.
Ponha meus miolos num liquidificador. NÃO PONHA AÇÚCAR! Beba até à última gota. Saboreiem o que sinto todos os minutos de cada dia.
Se sobreviver, parabéns! És outro condenado.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um amor que nunca vivi

Onde tu estará? Com quem estás te divertindo? O que custa a ti estar comigo?
Eu durmo, eu acordo, passo o restante do dia pensado em ti. Injustiça!
Sequer sei teu nome. Sequer sei teu cheiro. Sequer sei teu endereço.
Diga-me, sem titubear, onde moras? Com quem vives? Se é que possui vida.
Te quero, a todo instante. Te desejo, a todo momento. Suplico: tenha-me!
Ó paz, por onde andas que nunca te encontro? Por onde...

quarta-feira, 9 de abril de 2014

E os deuses?

Às vezes quero escrever, quero acalmar minha alma. As palavras são insuficientes, as idéias são impróprias.
Às vezes quero tocar, quero pôr fim ao desalento. As notas são dissonantes e a estrutura dodecafônica.
Às vezes quero sumir, quero inexistir.
Onde estarão os deuses astronautas?

terça-feira, 25 de março de 2014

Fortuna

Encontrei-me estático. Li "é incrível como pessoas boas tem curto período de vida" e pensei "boas pessoas?"
Será que a bondade é, de fato, seletora natural, ou apenas dedicar-se à bondade é tão prazeroso e desgastante ,simultaneamente? Será que "os bons só se fodem" é uma observação, ou mero acaso do literal prazer desgastante?
Constato que a vida longa é dos afortunados... Desafortunados que têm sob comando uma mente desengrenada, composta por metais duráveis que, mesmo desalinhado, não deixará de funcionar, perpetuando a existência dos condenados.
Deus se enganou. Dante cavou demais. Não soube delimitar. Deus fez da Terra palco de Dante, de Virgílio, de Beatriz. Deus dá mentes debilitadas para as máquinas pois elas não suportam a plena mente. Definham. Degradam. Se entregam.
A cobrança pela fortuna? O castigo enquanto o eterno perdura.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Renúncia

E desfaço-me de mim mesmo, aos poucos e tantos.
Pedaços despedaçados que não possuem sentido quando agrupados.
Um todo esfacelado. Partes do acaso.
Mágoas de mim, lágrimas dos outros.
Ódio interno, revolta avessa, amor alheio.
Descrente da crença de que o diferente pode ser mais do mesmo. Crente na descrença de que há necessidade no que não se crer.
Molhado ou seco, cheio ou vazio. Não há espaço para me desfazer de mim mesmo. Não há pedaço menor, não há pedaço maior.
Sem solução e sem saída. Acabo por tentar implodir. Não tenho sucesso. Engulo a mim, mas dentro é tão pra fora quanto pra fora é pra dentro.
Eu não quero à mim. Renuncio.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Ventos, mares e cabelos

O que acontecerá quando o vento deixar de soprar? Das ondas empurrar? E dos cabelos bagunçar?

O que restará por dentro do oceanos revoltosos? Sem as ondas para surfar? E sem os cabelos para embaraçar?

O que sentiremos sem as brisas e seus perfumes? Sem nada respingar? E nem das franjas assassinar?

E se meu vento deixou de soprar? E se meus mares acalmaram? E se meus cabelos não se penteiam?

E se me pergunto e não me respondo? E se não me indago por que não duvido? E se não sei pois deixei de querer?

E se cansei e não ousei aceitar? E se passei à amar e me reconfortar? E se encontrei o que nunca procurei?

Enquanto os ventos, mares e cabelos existirem, terei certeza de que tudo permanecerá errante.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

À chuva

Às vezes basta agradecer ao universo por manter a mente calma.
Não, nada mudou. Nenhuma molécula.
O que importa é que chove lá fora e, enquanto lá fora chover, aqui dentro ficará em paz.
Uma gota para cada pedaço de mim que a chuva acalmar.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Inferno de Nós

Toda entorpecimento abre uma janela. Todo aprofundar de níveis inebriantes apresentam novos círculos.
Às vezes, mas bem raramente, acredito que Dante escondeu alguns círculos de nós. Não seria possível viver sabendo da existência de alguns. Seria, sem dúvida, impossível.
Se abaixo de seus pés nove encaminhavam-se às profundezas da Terra, quantos mais poderiam existir, medidamente, nas profundezas da etérea mente? E mais: quantos, então, nas profundezas da eterna alma?
E se a alma, por ser eterna, nos foi concedida como castigo?
Talvez o castigo seja não exatamente a eternidade. Talvez o castigo seja considerarmos que somos castigados. Por quê? Qual a razão?
Pareço um paradoxo de mim mesmo, observando de longe a mim, rindo e zombando. Pareço um paradoxo de mim mesmo, avaliando-me de perto, chorando e confortando. Pareço um paradoxo de mim mesmo.
Na amplitude dos paraísos, purgatórios e infernos, percebo que Dante, simplesmente, possuía o mais saboroso de todos. De melhor fragrância e, ouso, de melhor música. Dante possuía a satisfação de assistir seus desafetados pagarem. Virgílio não se importava, apenas estava ali como guia. Talvez Virgílio mal compreendia onde estava, mesmo sabendo de cor e salteado onde estava.
De qualquer modo minha inveja ao inferno do Dante é tremenda. Ele poderia circular, observar, cheirar, tocar, ouvir e fechar os olhos. 
Eu também criei um inferno, é verdade. Infelizmente ele não tem começo. Eu jamais vi uma saída e nunca ninguém se aventurou por ele. Minto. Há uma presença humana no meu inferno. Ela não faz frente à Beatriz que Dante amava, mas ela faz frente ao meu castigo. Ela sabe onde começa, mesmo sem saber. Ela saber onde termina, mesmo sem saber. Ela sequer sabe que talvez saiba, no entanto quando ela o depara, ela o reconhece.
Dante, ao meu ver, foi um desafortunado. Possuía um inferno cheio de pessoas conhecidas (sim, puros desafetos), no entanto estava fadado a ser guiado.
Meu prazer, se é que assim posso chamá-lo, não é ter um inferno. Meu prazer é saber que nele há alguém que, talvez, o habita mais tempo que eu mesmo. Alguém que também o conhece e reconhece. Alguém que não me serve de guia, mas sim, de companhia.
Meu prazer não é um consolo ao desalento, meu prazer é ter solidão ao lado de alguém que vive a solidão. E creio que, pela primeira vez em vida, não vivo um sentimento egoísta.
Entenda (para quem não entende), isso está longe de ser algo estritamente egoísta. Isso é um ode. Sim! um ode! Um ode somente à quem tem capacidade de entusiasmar-se com ele. Talvez quem seja jamais o leia, mas honestamente?, isso não importa.
Ela sabe disso tudo... Vivemos juntos a mesma coisa, em locais diferentes.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Eletricidade radioativa

Significado 1: Impulso elétrico propagado entre, somente, dois neurônios. Capaz de destruir o restante da massa encefálica.
Significado 2: Capacidade cerebral da incapacitação d'órgão através de um único impulso elétrico.
Significado 3: Incapacidade neurológica de conter descargas elétricas d'atmosfera interna.
Significado 4: Completa desistência d'alma em procurar sentido na maquinaria.
Significado 5: Morte funcional d'órgão cerebral. Insuficiência de recursos internos para mantimento da razão.
Significado 666: Alusão ao divino.
Significado 7: Suicídio alegórico das idéias metafóricas.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Doa-se uma alma.

Implora.
Só assim será ouvida.
Clama.
Talvez não seja esquecida.
Consuma.
Jamais será bem-vinda.

Doa-se uma alma. Sem manual, sem truques. Aceite. É de coração.
Doa-se uma alma. Se na Galeria das Almas tivesse ganhado a chance, teria optado por outra.
Doa-se uma alma. De tão vazia não cabe mais em mim.

Meus órgãos levarei comigo. Minha alma é de quem se apoderar.

!!!NÃO ACEITO DEVOLUÇÃO!!!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Na rua, no elevador, no corredor ou no trem, se seu cheiro surgir, entrego-me.
Não precisa ser ela, tampouco a outra. Basta a qualquer.
Não é um ode às tantas, ou às poucas. Sequer falo delas.
Neste lugar em que me encontro não se faz necessária qualquer intimidade.
Nem procuro sentido para aquilo que mal compreendo. Não mesmo.
Nós, consumidores, somos assim: sem explicação. Sem manual.
No dia da criação as perguntas foram esquecidas. Para que agora?
Nem sempre o tenho, mas quando surge é avassalador.
Narinas em posição de ataque: consumam o que existir. Onde existir.

Quem colocou este cérebro dentro de mim?

Quem colocou este cérebro dentro de mim?

Quem decidiu?

Por quê o escolheram?

Justo a mim?

Beba do meu veneno!
Por quê não te intoxica? Maldita...

Beba... Quem sabe te afogo com mais do tanto. Quem sabe.

...

Justo a mim o escolheram. E sou o responsável pela decisão.

Dance cérebro! DANCE!!!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Lbrdd

Liberdade,
Teu céu já não é mais tão azul,
Ó liberdade.
Tuas pedras contínuam duras, mas já não machucam mais.
Teu cheiro ainda possui a mesma fragrância,
Ó liberdade.
Próxima ao Paraíso
Atrás da catedral da Sé
Com olhos puxados
E línguas ininteligíveis
Liberdade!
Em São Paulo tu é conceito concreto de puro concreto.
Na abstração tua forma é moldável.
Na essência eu não mais te reconheço,
Ó liberdade.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Não importa: como?, onde? ou por quê? é irrelevante. Interessa-me, acima de tudo, o que eu não possuo; ou melhor, aquilo que nunca possuí:

Paz n'alma.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

J'Adore da Dior

Existe um tempero, um delicioso tempero, capaz de tornar toda e qualquer carne uma maravilha da humanidade. 
É um tempero que, incrivelmente, não se mescla com o sabor da carne. Ele o domina. 
Pensando bem, não é o sabor da carne que ele domina, mas sim o paladar de quem degusta. 
Sim, sem dúvidas. Malditos! Eu deveria sentir prazer com o tipo de carne, não seu maravilhoso e desconcertante tempero.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

East India Pale Ale

Às vezes tu acordar sem entender, exatamente, o que se passa na mente.
Tem dúvidas, inseguranças e inquietações que consomem a alma.
No entanto, quando uma Pale Ale é cheirada e degustada... Tudo faz sentido.

"De quem?"

Culpa é algo devastador se não for excretado. E culpado... Ou será "culpa do"?
Talvez o "culpa do" seja nós. Não culpa de alguém, ou de que, ou de algum dos porques da vida.
"Culpa do" é culpa nossa, mesmo. Não exatamente algo que possa ser delegado à alguém. "Culpa do" é aquela para conosco, aquela bendita (ou maldita?) dualidade em que nota metemos quando, inesperadamente, cometemos a insensatez de pararmos para dar ouvidos à nós. Sim, NÓS! Todos aqueles que nos habitam. Esses pequenos e grandes, formes e desformes de nós mesmos.
"Culpa do" mim.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Super poderes

E tudo aconteceu naquele dia. Acordei com super poderes. Eu tinha o poder da auto destruição. Poderia danificar centenas, quem sabe milhares; no entanto só era capaz de arruinar a mim.
Descobri, em minha mente, o ponto fraco da minha decadência: racionalização!
Aproximava-me mais. Cada vez mais de mim mesmo! Tornava-me o veneno da própria fonte de poder.
Só não esperava que, ao poluir-me, também intensificava o poder de devastação.
Machuquei centenas, devastei a mim e, talvez, arruinei a nós.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Sim, senti-me inflamando. Uma expansão de ar descomunal. A inquietude.
Minha carne já não dava conta de suportar àquela pressão.
Rompi como se fosse nada. Dilacerou os tecidos. Desfez-me em fétida carne tostada.
Aos urros, e não mais que urros, acendia feito um farol. Tornei-me referência. Caminhava não para excitar a chama, caminhava para apaga-la. Não será sua extinção. Não creio que haja. Só desejo a cessão, indeterminada ou temporária.
Só desejo...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Se sei?

Assim como Haley, o vazio assombra meu mundo de tempos em tempos. Diferente somente por não ser previsível e, também, por deixar sempre uma marca.
Perguntam-me se sei das coisas. Como se saber das coisas fosse de grande conforto, um alento à alma. Como se saber das coisas fosse lá grande coisa.
Só sei que nada sei? Deixo para quem é cliché em vida! Assumo a ignorância, mesmo.
Assumo residindo no cemitério em que resido!
Desabafo? Raiva? Ira? Tampouco.
O desgosto é dum amargor que só dá prazer à quem não se contenta com o doce, pois doce demais causa diabetes, e de enferma, quem sabe, já basta minha racionalidade.
Racionalidade...
Racionalidade é uma enfermidade! Uma febre sem fim!
E se sei se é enfermidade? Que me interessa?! Assola-me até na ignorância.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Tédio

Minha alma implora a mim:
"deixe-me ir, deixe-me dançar! eu conheço cantigas esquecidas. deixe-me cantar!"
Ela mal sabe que, se houvesse como, eu a deixaria sem pesar.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Reconhecer morar em um cemitério só não deve ser angustiante para os cadáveres, pois para os mortos-vivos isso sequer existe.
Infeliz do vivo que enterra os mortos e convive com os verdadeiros zumbis.
Feliz dos zumbis que sequer sabem que estão mortos.
E os mortos?
Estes estão fora da discussão.

Sou a tumba

Eu
Eu sou a tumba
Eu sou a tumba da minha alma
Dos meus pensamentos e das minhas idéias
Apenas um caixão que caminha solitário
Pois apenas solitário caminha um caixão

Eu sou a tumba

Sou apenas uma cripta
E as palavras nela dizem:
Descanse em paz

Desejo de Ano (Velho) Novo

Meu último desejo de 2013 manteve-se o primeiro desejo de 2014: estar completamente só.