Não é exatamente o medo que nos domina, mas sim a crença nele que nos condena.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Devaneio
Pergunto-me se te preocupas onde pisa
Pergunto-lhe se te importa o entre passo
Pergunto-me se importa o que te faço
Pergunto-lhe se preocupa minha sínica
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
A bruta fragilidade
Sempre fui compreendido (ou mal?) dessa forma: "O Grosso". Infamemente sempre emendava que "todas dizem isso" mas, no fundo, sabia do que se tratava.
Nunca assolou minha alma. De forma alguma. Chateava-me o fato da sensibilidade alheia (não que eu fosse uma pedra), no entanto entristecia-me a falta de brutalidade do restante.
Não devo ser um exemplo próprio de brutalidade. Devo ter brigado 2 ou 3 vezes na vida, ainda na infância, por coisas supérfluas. Mas se sempre teve algo com o que sabia bater, esse algo eram as palavras. Mas a verdade e que eu nem sabia bater...
Quando eu desejava nocautear alguém as coisas se embolavam e se engasgavam em grunhidos ininteligíveis, algo que imagino como um cavalo tropeçando e caindo. No entanto, quando eu apenas expressava meu âmago, sinceramente, de forma clara e honesta, desejando estar sendo objetivo e sucinto, era aí que meus golpes eram mortais. Incrível! Era uma frase e POW! Outra frase e fim, venci por nocaute.
Mas esse era o problema: vencia batalhas que sequer travei. Sem empunhar uma arma, tampouco desferir um único golpe: eu simplesmente desmantelava as coisas por uma simples frase.
Por um período até considerei ser sina, por outro que de fato possuia uma arma secreta (de mim mesmo), ou que, tristemente, fosse uma característica problemática. Ao longo dos períodos, e pode-se contabilizar centenas de dias, milhares de horas e mais de meia década, percebi que o problema não estava propriamente na brutalidade, e sim na fragilidade.
O Universo é complexamente frágil.
O Sol é brutalmente simples.
A Lua é pura brutalidade.
A Terra é bruta.
A Natureza é complexa, frágil e bruta.
A Essência é simplesmente bruta, mas as palavras simplesmente fragilizam...
Porém, e isso é algo digno de contemplação, a expressão nem sempre será delicada e, por um pouco de esforço (talvez?), caberá à quem ouvir compreendê-la e "admirá-lá", afinal a simplicidade de todas as coisas é brutalmente frágil, tal qual a simplicidade é fragilmente bruta.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Receita da insanidade explosiva
Ingredientes:
Sabe aquela polenta no fogo? Ou então aquele pirão? Ou aquele caldo bem grosso?
Fixe e reserve.
Sabe aquela borbulha da água fervente? Do caldo grosso? Das bolhas subindo à superfície e estourando?
Fixe e reserve.
Sabe aquela imagem do crânio aberto? Tipo o Eddie do Iron Maiden? Com a cabeça lobotomizada?
Fixe e reserve.
Modo de preparo:
Pegue 100% das borbulhas semelhantes ao caldo grosso, ponha dentro do crânio vazio e observe a fervura.
Modo de compressão:
A mente em ebulição, densa em suas conexões e maldições.
Entenda que o ponto de ebulição e cozimento não é desejável para este preparo. Se o vaso for tampado e a pressão abruptamente subir poderá ser catastrófico.
Modo de consumo:
Pacientemente aguarde até ser consumido.
Então o caro leitor pergunta "o preparo?" não, de forma alguma! Quem será consumido é o, nem tão caro, leitor.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
32914-7!
Certa vez, há tantos anos que esqueci qual das vezes, houve alguém. Sim. Não é pejorativo crer neste fato, tampouco menos glorificador. A questão é: houve alguém.
Inquietante, na verdade, não e é o fato mas sim aquilo que prosseguiu advindo dele.
Anos após, sejam eles unidades ou dezenas, o que importa é o tempo transcorrido entre os eventos que, indubitavelmente, revelaram seres abissais.
Descobertas dignas do front grotesco do sonho mais horripilante vislumbrado por qualquer sono de descanso divino em noite macabra. Sim!
A racionalidade? A coesão? 32914-7!
terça-feira, 18 de novembro de 2014
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Zigue Zague
Santos são os antros de degradação, assim como amaldiçoados são os antros de santificação.
Se não muito à direita ou esquerda, então em zigue zague.
Pequeno manifesto
Gastam vidas à procura de pedras preciosas para, quando encontradas, serem lapidadas e possuírem "beleza e valor".
Se a bruta lapidação da natureza não for suficiente então todos os olhos são merecedores da escuridão.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
_Sabe onde fica esse endereço?
_Hummm. Até sei, mas o que deseja lá?
_Como assim? Preciso chegar lá.
_Então, meu caro, precisar e necessitar jamais te levarão a tal local.
_Como não?
_Ninguém está lá contra sua vontade...
_E por quê eu estaria?
_Justo! Qual a razão de estar lá?
_Por quê indicaram?!
_Isso não basta.
_E o que basta se saber onde não é suficiente?
_Nada será suficiente se não dispuser de capacidade para estar. Nada que faça o colocará permanentemente onde deseja. Garantia nenhuma há da tua permanência. Se deseja chegar onde pretende não pergunte, simplesmente vá!
_Mas...
_Sem mas. Aceita que as imperfeições existem e procura teu rumo.
_Certo. Mas e este endereço?
_Virando a rua, à esquerda.
E essa é a história de outro Rafael na cova dos leões.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Peso para papéis
Certa vez comprei algo de conteúdo vazio. Sim, devia ser algo como 54Kg de peso bruto e Zero de peso liquido.
Deve estar se perguntando como algo vazio tem tanto peso...
Pois também me perguntava. Percebi que o preço era taxado sobre a embalagem.
Engraçado era que o conteúdo era, realmente, vazio. Vazio de conteúdo e de conteúdo completamente vazio.
Irônico!
Por quê?
Pois realmente comercializa-se algo assim.
E tem uso?
Quem compra uma pedra sempre arranja uso para ela.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Entre vidas
Sinto a vida que há entre as gotículas que me atingem e o vento que me arrepia com a janela aberta, em noites chuvosas e frias deitado em minha cama.
domingo, 2 de novembro de 2014
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Menos é mais
Conhecer a profundeza do oceano não significa que todos os mergulhos são para visitá-lo. Saiba o limite e deixe as bestas que o habitam em paz. Arrisque-se menos e viva mais. E entenda como quiser, afinal ninguém morreu sem ter vivido e tampouco viveu sem ter morrido.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Prenúncio
Sim, sem dúvida, decidi concentrar-me em algo mais produtivo. A verdade é que o produtivo era digno de comparação ao sarcófago criado para o reator 4, de Chernobyl.
Decidi que não era necessário falar o mesmo tanto de sempre sem expor praticamente nada (estava prestes a expor tudo sem o menor desejo, em uma reação comparável ao desastre atômico).
Há quase 30 anos os males radioativos foram selados, sem expectativa de incômodo, em Pripyat. Poderá o sarcófago resistir à mim?
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Segunda-feira macabra
Alguns tantos desavisados, hipnotizados pela mítica ideia que os gatunos negros são azarentos, que o 13 é maldito e que a sexta-feira, então, nem se fala! mal sabem da existência malevolente das segundas-feiras.
Seres perversos que se alimentam das vidas revitalizadas dos finais de semanas, dos prazeres e alegrias neles vividos, deles proporcionados. Algozes de toda a vitalidade, esses seres horripilantes aterrorizam, dentre tantos, à mim.
Há algum tempo, e tenho que dizer que já é um considerável tempo, toda bendita (ou maldita?) segunda-feira tem sempre um catastrófico acontecimento para punir toda minha já cansada carcaça: é um desentendimento sério aqui, um carro quebrado ali, uma prova do curso lá, um chuveiro queimado acolá, enfim! sempre há.
É até engraçado, se é que os outros que são assombrados por essa entidade possessora podem achar engraçado, que eu acredito já ter identificado a razão pela qual ela assombra. Perceba que não é tão fácil distingui-la de uma sexta-feira 13, por exemplo. No folclore é já esperado, e até mesmo cultuado, uma sexta-feira que nasce pré datada de 13 com ventos fortes que sussurram indelicadezas ao pé do ouvido. Mas eis que nessa realidade contemporânea, as segundas se fazem muito mais devastadoras: como disse, a sua distinção não é para muitos, geralmente começando em uma sexta-feira qualquer, em um bar com cervejas para diversos paladares e mesa rodeada de bons amigos; um fim de noite esplêndido com uma companhia de fazer inveja e cantoria rítmica e descompassada; um sábado prazeroso produzindo trabalho artístico que realmente lhe dá o prazer mais íntimo que se pode sentir; incontáveis minutos consigo, pensando sobre o passado, o presente e talvez o futuro; mais cervejas; um domingo ensolarado com temperatura européia para degustar uma bebida quente; caminhar; sentir a vida correr dentro das veias; quem sabe entorpecer a mente; permitir à alma voar; dividir; compartilhar; ausentar-se. Para, então, permitir que Morfeu venha o consuma esta mente que aceita um merecido descanso antes do vindouro (inadvertido) agouro: a segunda-feira.
Sei muito bem que sou palco de meus desalentos, mas de seus caprichos? Por favor, poupe-me. Maldita segunda-feira...
Farol
Eu assistia de camarote, era quase perturbador. Vez e outra, consecutivas e repetidas vezes.
Certa vez, em um ato sábio (e confesso as pouca vezes que esse divino ato ocorreu) brilhei minha mais intensa e potente luz. Poderia ser comparado à 10 mil sóis. Felizmente evitei uma catástrofe.
Já outras vezes, de atenção displicente, assisti à pequenas embarcações naufragarem ao encontrar os pedregulhos. Algumas encalhavam, mas eram abandonada e, com os anos, o vento, o mar e o sol davam cabo.
É verdade que por anos eu não compreendia. A responsabilidade era tamanha a displicência, que por sua vez fazia frente à ignorância. É fato, eu não desejava estar alí. Fui posto inadvertidamente e sem maiores explicações. Assisti todos os tipos de embarcações navegarem pelas proximidades, assisti todos os tipos se aproximarem. Poucos demasiadamente próximos. Alguns se perdiam e outros, mesmo advertidos, naufragavam. Ou pior, ocasionavam acidentes.
São esses anos sob o sol, sob a chuva, assistindo o vai e vem das marés, os raios, relâmpagos e tempestades que, querendo ou não, são rasgados por pequeníssimas embarcações (por mais colossal que tenha sido o desejo de criação).
Alguns acidentes são imprevisíveis e eu jamais desejei alertar sobre absolutamente nada. Saiba nadar antes de enfrentar o mar e certifique-se suportar um encontro com as águas e seus mistérios.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Caminho qualquer
Possuo tantas mentiras para te contar, sabia? Tantas que pergunto-me se vale a pena.
Gostaria de dizer verdades, mas elas soam mais falsas que a própria ilusão.
Talvez esse seja um rumo.
Não vemos os ventos mas eles levam à destinos bárbaros. Por quê não deixar esses ventos soprar?
A garantia de um destino certo torna a viagem monótona. Vamos aproveitar a viagem para que o destino seja incerto.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
À beira
Insônia não atormenta meu sono. O que verdadeiramente atormenta são questões não solucionadas à beira do abismo do descanso. É estar pronto para se jogar e essas correntes prenderem um fluxo deliciosamente prazeroso.
O abismo, que nada tem de aterrorizante, é palco das asas. Nele não tenho pernas e nem braços. Tampouco forma. Nele, enquanto despenco, sou apenas energia.
Ceifaram meu direito de saltar sem temer? Não. Eu mesmo quem não permiti à coragem abrir as asas e me desconstruir. Hoje colho o desgosto mas, se eu quiser, à noite plantarei o fantástico.
Encontre-me lá, se puder.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Não é uma despedida
Foi então que, finalmente, compreendi.
Houve uma época em que, realmente, sentia-me frustrado. Hoje trouxeram a luz. Foi com grande alívio que, triste e ressentido, compreendi que nunca quiseste aquilo que nunca desejei.
Não o culpo. Nem à mim. Continuarei a ama-lo e, desse mesmo jeito, desejarei que me ame. Só espero que, um dia, possamos conversar sobre isso.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Reprograme-se
sábado, 30 de agosto de 2014
Soneto desmiolado
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
...estes
Sentia-me assim, preste
Sem mesmo um mais
Sem mesmo um menos
Despia-me da veste
Sem dor nem sabor
Fulgor sem valor
Crescia-me a peste
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Simbitária parasiose
Escuto tua voz ditando idéias, influenciando, tentando manifestar-se.
Quanto mais são os capítulos lidos, mais ouço de ti idéias e desarranjos musicais.
Respondo às minhas perguntas ouvindo teu timbre e, ao ler, não reconheço-me.
Que tipo de loucura é capaz de fazer simbiose com outra (in)sanidade?
Seu velho, deixaste um legado. Um maldito legado. Desgraçado!
Desde que não viva em mim aquilo que não foi capaz de viver em ti, ótimo!
Simbiose parasitária
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Sublimação
Feliz de mim ao ouvir tua voz!
Liquefazia-me até instante antes. Borbulhava a fervura da ira e raiva e, quando ouvi tua frequência única, solidifiquei-me assim, de qualquer forma. Tomei conta de mim, percebi como era. Feliz estava por ter evitado então a evaporação!
Sabe-se lá onde estaria se evaporasse...
Triunfo entre o trunfo
A coisa mais interessante neste bar, além de minha cerveja e meu livro, era o documentário sobre o ebola que, vez e outra, entre um parágrafo e um gole, subia os olhos para ler da legenda. Como me fascina esse cara. Mata formidavelmente! Um trunfo ao nosso planeta zumbi.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Norte, o Vento
Todos sabem o que acontece. Seja à noite, na manhã seguinte ou no dia depois do próximo. Todos compreendem que sua chegada é mítica e que, de alguma forma, ninguém fica à salvo de sua influência. Todos conhecem seu cheiro, sua forma, sua temperatura, sua intensidade e, inclusive, seu vigor. Todos, sem modéstia de procurar exceções, justificam atos injustificáveis com sua chegada. Todos desejam, tornam-se sedentos, enlouquecidos e desvairados. Ouvem vozes que somente ele traz. Todos reconhecem o uivo hipnotizante do vento norte quando sopra entre as frestas das janelas (entre as frestas da mente, entre as frestas da alma).
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Desfecho
Grito! Esbravejo! Desgarro sonoridades incompreensíveis da alma.
Desafios inéditos. Barbáries entre pensamentos do mesmo.
Inegável. Inaceitável. Bestialidade posta à prova frente aos selvagens.
Reviro...
Desviro...
Desfecho.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Rrrrrrrrrrrrrr
Arranhei tudo que pude. Senti o atrito das unhas com o crânio. Senti o cheiro de sangue. Senti o sabor das lágrimas.
Arranhei tudo o que pude. Sentia os ossos rasparem. Os vincos se formarem. Os trancos dificultando.
Arranhei tudo o que pude e sequer fui capaz de desfazer o mínimo do que quisesse desfazer.
E arranhei tudo o que pude.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Descarne
Pintamos, pincelamos e desenhamos esboços. Usamos preto, usamos branco, cores e, também, invisíveis.
Camuflagem sobre camuflagem.
Pincelada sobre cada intenção.
Objeções às projeções.
Maldições!
Fracassos internos compartilhados em egoísmo. Sim, em egoísmos!
Sai da tela e derrama as tintas. Suja. Bagunça. Amaldiçoa.
Descarna todos os ossos.
Reconhecimento
Sim, alimento o humor com doses de Indian Pale Ale e a alma e máquina com Weiss.
Triste, ou feliz, assim o faço.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Fotografia
Às vezes, as fotografias que registramos com a mente, tornado a fantasia em pintura e retrato, é a melhor expressão de arte possível. Perfeita e inquestionável.
É o registro da mais pura e bela maldição, conjurada entre olhares e fumaças. Nuvem densa de conspiração. Crucifica a alma e enaltece a máquina.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Oração
Aborrecimento.
Sim, é praticamente uma oração, com sujeito, substantivos, verbos e conjunções. Tudo o que necessita uma frase.
Esquecimento.
Já esta oração necessita cuidados como, primeiramente, o objeto esquecido. Em segundo, se foi devidamente esquecido e, por fim, se ainda recorda.
Em todo caso, uma necessidade em desconstrução. Uma vontade de erosão. O quase ato...
Suicida.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
sábado, 26 de julho de 2014
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Sinfonia do desespero
Quem canta seus males espanta?
E para quem vive no silêncio, pois a melodia só tem sentido em poucos instantes? Vive?
Que teus grunhidos e urros sejam sinfonia...
Indisposição pessoal
Tirei o telefone do gancho. Disquei. Chamou, atendeu em silêncio. "Alô? Passado? És tu quem estás ai?" Desliguei.
Naquela velha agenda, todos os números, sem exceção, resultavam na mesma resposta - ou falta dela.
Tornei a tirar o telefone do gancho. Disquei um número qualquer. Chamou e atenderam.
_Pois não?
_Ola! Eu liguei aleatoriamente e não sei à quem pertence esse número. Poderia informar?
_Claro, ele pertence à ti, senhor. Ligaste para o futuro. Daqui, da época em que falo, o senhor já não pertence mais.
_Oh! Então muito obrigado. - E desliguei. Perplexo. Sequer recordava o número que liguei e, honestamente, tampouco tive coragem de saber que época era aquela que falaram.
Foi então que pensei em ligar para o presente e conversar comigo - se é que eu encontraria à mim. Liguei. Atendeu a secretária eletrônica, disse que havia viajado, que não sabia quando retornaria e que, talvez, nem retornaria. Coloquei o telefone no gancho. Levantei de onde estava sentado e, ao fechar a porta, ouvi o telefone tocar e a secretária eletrônica atender: já não estava mais à disposição de mim.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Descons.
De certo modo, enquanto possível e saudável, esqueça de si. Deixe alguns pedaços em alguns lugares e, sem atenção, continue. Lembre-se de voltar e se reencontrar. Não permita que a inércia se instaure. Esqueça para lembrar, lembre de esquecer e, acima de tudo, saiba que alguém sempre estará por lembrar. Livre-se desses. Pode deixá-lo em qualquer local de perigoso e impossível acesso. Desfaça-se desses. E desfaça a si, também.
terça-feira, 22 de julho de 2014
Singular plural
Sabe, pensando conjuntamente com os diversos eus existentes em mim, concluímos que é muito difícil.
Andamos em carros alemães, em motos japonesas. Bebemos água da fonte de outra cidade, de álcool mexicano, irlandês, russo. Comemos das receitas exóticas do oriente e de alguns ocidentes. Respiramos de aromas franceses. Contemplamos pinturas espanholas e arquiteturas italianas. Navegamos e voamos em território que não é de nossa pátria. Ouvimos música de todas as cultura. Falamos línguas que não a nossa materna. Com tudo isso em mente e, de certa maneira, ainda procuramos uma única pessoa que satisfaça nossa pluralidade ou, francamente, nossas singularidades.
Sim, sem dúvida, concluímos que é muito difícil.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Pequenas coisas
Satisfaz-me as pequenas coisas: aquelas que caracterizam o homem em animal, e daquelas que caracterizam os animais em bestas.
Satisfaz-me as pequenas coisas: aquelas que profanam os santos, e daquelas que canonizam os depravados.
Satisfaz-me as pequenas coisas: aquelas que eu não faço o que digo, e daquelas que eu não digo o que faço.
Satisfaz-me as pequenas coisas.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
RUI(na)
Um brinde
À ruína do homem
Um brinde ao
Arruinado homem
Uma gargalhada para
A ruína do homem
a(RUINA)do...
Infames unânimes
Todos insonsos
Atrozes e algozes
Elegantes uivantes
(Uma rima sem ruína, com pretensões descabidas em uma mal humorada manhã chuvosa de sexta-feira)
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Hoje sou tormenta
A diferença entre uma brisa e uma tormenta é a quantidade de pensamentos que o vento possui naquele instante.
domingo, 6 de julho de 2014
Inércia temporal
Às vezes tenho vontade de nada
Nem de vida
Nem de morte
Nem de sucesso
Nem de fracasso
Somente a vontade do nada.
sábado, 5 de julho de 2014
terça-feira, 1 de julho de 2014
Tic-tac
Quem passa? Os ponteiros? A areia? As pessoas? Algumas vidas? Habitantes de espaço, cidades cheias deles.
E alguns ainda dizem que a culpa é das estrelas, como se elas tivessem culpa. Como se um mapa fosse responsável pela jornada. Lamentável.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Imbróglio sem sentido às 7:33h em uma sexta-feira
Há coisas em mim que sempre necessitam sair para dar uma volta, eventualmente. Seja uma frustração, uma euforia, uma lembrança. Todos necessitam de ar fresco.
Penso que se para o maquinário todo isso é positivo, imagine para aquilo que raramente pode desfrutar de um passeio no parque.
Há lembranças, algumas mais especiais que outras, que tem essa necessidade quase "física" de dar uma volta pelas emoções. Aquela necessidade em sentir-se viva, em saber que tirar a poeira, o cheiro de mofo e, novamente, ter seus ares renovados é uma possibilidade vívida em sua existência.
Ou, talvez, seja apenas desculpas para fazer o que já tinha pretensão. Ou talvez não?
Imbróglio sem sentido às 7:33h em uma sexta-feira.
Cativo 2
Cativante são os olhos e a boca, com aquele vinco no lábio superior. O nariz, que define tudo com as orelhas, que dão graça.
Cativa os passos, o andar. Os trejeitos da carne balançando grudadas nos ossos, pondo-se à avançar no espaço.
Sedutor é a voz que viaja no ar. Dos cabelos que balançam ao vento e aquele olhar enquanto pensa com voracidade.
Seduz teu jeito, pensamentos e pesadelos. Toda a forma que tens para fazer absolutamente nada.
Poderia falar do sexo, mas correrá o risco de me considerar apaixonado. Apenas quero teu calor, teu grunhido, tua saliva e teu silêncio.
Cativo 1
Cativaste!
Quem?
À mim!
Pelo que?
Aí depende.
Do que?
De quem.
Quem sou?
Quem pensa ser.
Cativei-o?
Só em partes.
Quais?
As que és.
Que sou?
Que pensa ser. Cativei-te?
Não.
Por quê?
Por quem.
Por quem penso que sou?
Não.
Então por quê?
Por quem!
Por quem sou?
Por, justamente, ser quem não é.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Entre movimentos
No silêncio da mente, entre os pensamentos insanos e outros profanos, escuta-se as mais impensáveis melodias.
Entre consonantes e dissonantes, sobre a tênue linha entre os sonhos e os pesadelos, reside uma única música.
Desde que haja desordem dentro do silêncio, e do escuro, haverá a motivação. Qual? Somente aquela impossível aos cegos e aos surdos.
Profundezas
Mais surpreendente que o lado mais sombrio de uma pessoa é somente o lado mais sombrio de nós mesmos.
Aceite-se antes que seja tarde e entenda que, talvez, lutar contra a essência não é um sábio caminho.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Jornada
Procure como se não houvesse amanhã. Ao encontrar, verifique se não é o próprio rabo. Certificando-se continue a busca, pois o fim só se tornou fim após desbravar o caminho até lá.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Desde quais tempos a embriaguez não foi levada à sério?
Desde quando?
Dezenas, centenas? Alguns milhares?
Anos?
Procuras?
Sentidos?
Rendimentos?
Qual tua unidade de medida é q preferencial?
Qual?
Reconhece-te?
Aposto que há dúvidas quanto um caminho errante
Um caminho desregrado
Um caminho por pernas próprias
terça-feira, 3 de junho de 2014
Conheci-te antes mesmo de saber
O universo é demasiadamente perfeito: não existe conjuntura dentro do maior espaço possível que seja imperfeita. Tudo está onde deveria estar, o tempo que deverá permanecer e da maneira que o será.
A programação universal é imensurável. Impossível de se tornar palpável.
A verdade é que o espaço é unido através do tempo, e vice é versa. E isso não cabe, somente, à teoria do espaço-tempo ou dos buracos de minhoca. Ela cabe aqui, dentro da mente e da alma.
A tecnologia é, realmente, a máquina que possibilita unir tempo e espaço. É dela que surgiu a oportunidade de selar um espaço pertinente à 7 anos de existencialidade.
7 anos
14 semestre
84 meses
336 semanas
2556 dias
60480 horas
3628800 minutos
217728000 segundos
Tempo este que, se não foi vivido, foi perdido.
À deus?
Nascerá um dia em que eu decidirei ir. Provavelmente perguntarás por quê e para onde e, com certa relutância, responderei que meu objetivo é egoísta. Talvez tu jamais compreenderá pois egoístas não são facilmente compreendidos. Egoístas são tidos por egocêntricos e incapazes de se colocarem no lugar um dos outros.
Sabe, um ser humano de atitudes egoístas é tão fácil de ser tachado. Mas as pessoas insistem em não se colocarem em seu lugar, afinal assim sempre foi mais fácil e, francamente, quem desgosta da comodidade?
Entenda, coloco-me tanto no lugar das pessoas que, se fosse sensato dizer, alertaria que relações, de qualquer gênero, são delicadas. Que o melhor, sem dúvida, é não criar expectativa de nada. Que, por fim, serei solitário num universo pluralizado de seres.
Não se engane, te amo de verdade. Tão possível é capaz amar.
No entanto a verdade sobre quem sou é algo tão longe de compreensão que, como já disse, nascerá o dia em que partirei e perguntarás a razão.
Meu amor, saiba que a razão de ir é que necessito encontrar à mim, e enquanto este sua não nascer jamais poderei ser de alguém, tampouco de mim mesmo.
Um dia voltarei.
Talvez outro, mas voltarei.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Torna (do)
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Aqui(múria)
Então eu quis chorar minhas lamúrias
E eis que pensei ter encontrado alguém que quisesse ouvi-las
E aí descobri que sequer haveria espaço
Quando notei, já havia sido usado
Prontifiquei-me à atendê-lo
Fui usado e, querendo apenas lamuriar, me decepcionei
Um novo caminho para as mesmas lamúrias
terça-feira, 27 de maio de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Deu (S)
Sou tão deus quanto Deus pensa que é deus
Creia
Dou vida e sou capaz de tira-la
Creia
Sou nefasto, quando conveniente
Saiba
Meu forte é meu humor irônico
Saiba
Sim, também sou soberbo
Aceite
Sou o humano mais Humano que qualquer outro
Aceite
O que nos separa, simplesmente, é em que crê
Compreenda
Deu (S)
Sou tão deus quanto Deus pensa que é deus
Creia
Dou vida e sou capaz de tira-la
Creia
Sou nefasto, quando conveniente
Saiba
Meu forte é meu humor irônico
Saiba
Sim, também sou soberbo
Aceite
Sou o humano mais Humano que qualquer outro
Aceite
O que nos separa, simplesmente, é em que crê
Compreenda
segunda-feira, 12 de maio de 2014
(Des)Contos
Até os passos dos errantes são capazes de cruzar o mesmo caminho por inúmeras vezes. Esses passos que cegamente se postam em frente do outro. Seja um degrau acima, seja um abaixo.
Coincidente, ou não, é errantes desconhecidos que se cruzam, dia após dia. Seja nos mesmos passos, seja nos mesmos caminhos, seja em poucos cruzamentos.
Há um errante que, frequentemente, encontro. Sempre ele, de pele judiada pelo sol, com suas rugas já bem sinuosas, largas e profundas. O vejo assim: de costas para a porta, sempre duas estações de onde descemos, com sapatos, calça e camiseta branca (hoje com um manto de cor indefinida devido ao frio), fones em seus ouvidos (com aquele led vermelho piscante), anel protuberante dourado no anelar esquerdo, um relógio com alguns ponteiros no punho direito e hoje - inclusive hoje - talvez por descuido, uma corrente que ostentava um pingente volumoso que decidi decifrar: a imagem de um bode sobreposta à um pentagrama invertido.
Pensei mil pensamentos. Fantasiei mil fantasias. Seria um satanista? De religião apropriada? Amante da música dita pesada e seu flerte ao demoníaco? Seria, ele, quem? Pensei veementemente que ele possa ser um terapeuta holístico, adorador do oculto, talvez (eu seria).
De tudo, em cada manhã do amanhã, pois o hoje já foi dentro do agora, quando o encontro sempre pego-me fitando suas linhas e formas. De certo modo é um solitário hábito de criar histórias hipotéticas sobre a vida de seres alheios. Ele não motiva a mim mais que outros, o único detalhe é encontra-lo com frequência sempre pelo meu destino rotineiro.
Um dia, com coragem, motivarei-me à uma única pergunta. Vocês, claro, já devem imaginar.
D o r e s e r o C
Nas dores, as cores
No negro a falta, no branco também
Nas dores, as cores
Escalas de cinza na imensidão
Ao fim do arco íris não há pote com ouro, são raios solares dementes, apenas em suas errantes trajetórias, entre gotículas d'água e outras
Ao fim do curso, seja qual for, a satisfação está em começar um novo, seja lá qual for
O prazer em desfrutar da jornada é para poucos, ingênuos e ignorantes
Não vejo muito mais que um punhado de cores
Um punhado negro, outro branco e misturas disso
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Aos vorazes
Pôr do sol
Início da noite
Hora de todos os gatos se tornarem pardos
Portões abertos (d'alma)
Monstros correm, uivam, ladram, grunhem, gemem, gritam
Um brinde!
Sim, um brinde!
À quem? perguntas
Aos poucos e insanos
Mas quem? perguntas
Àqueles cheios de permissões
Quais? perguntas
Daquelas capaz de libertar os vorazes para devorar
Quem? por fim
Os ingênuos, caro curioso. Os ingênuos
terça-feira, 29 de abril de 2014
(Armadura) Carne e ossos
Há plenos dias da idade maldita do rock e, antes disso, sempre soube que minha armadura já estava gasta.
Não faltam partes, poucas se quebraram, algumas já não funcionam como deveria desde o concebimento.
Duvido aqui comigo, e outros tantos eus, se há peças de reposição.
Sabem, não me importo tanto com a máquina, assim. Eu abriria mão dela desde que soubesse que a consciência teria paz. Oh, sim. Paz!
Lutar com armadura de carne e ossos não é páreo contra a luta da inquietação, da mente condenada à consciência.
domingo, 27 de abril de 2014
|P|A|Z|
A ruptura não é a incoesa.
A união não é incoesa.
A falta de coesão só está dentro de nossa mente.
Clausura
Janelas com janela
Da alma
Do inanimado
O dentro
Dentro do que é fora
Avesso
Incontestável dinâmica
Caminho bidirecional
Fluxo contínuo
Desejo intermitente
Busca
Fora
O que está
Dentro
domingo, 20 de abril de 2014
Tu invade minha alma através das janelas
Enquanto fico a contemplar os azuis das tuas cortinas
O alarme não toca, meu cão não late
E tuas janelas ficam assim, escancaradas
A brisa aumenta, o vento tremula a chama da vela
Para que apenas eu fique aqui, a contemplá-la
Vasculha minhas gavetas, revira meus armários
E eu? Somente a vislumbrar tais cortinas
Que bagunça! Que zona! Quem esteve aqui?
E alguém esteve aqui?
Só lembro de admirar o azul que precede a entrada da tua alma
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Mais do mesmo
A paz que não encontro em mim não poderei encontrar em ti, pois se não for dono do meu sossego, não serei capaz de ser calmaria para dono algum.
Arranca minha pele, dilacera minha carne, quebre meus ossos, não importa. Só faça com que o vazio seja preenchido. Só o faça desaparecer. Encontre-o e o preencha, ou leve contigo. Tanto faz.
Desencarna minha alma, se necessário.
Ponha meus miolos num liquidificador. NÃO PONHA AÇÚCAR! Beba até à última gota. Saboreiem o que sinto todos os minutos de cada dia.
Se sobreviver, parabéns! És outro condenado.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Um amor que nunca vivi
Onde tu estará? Com quem estás te divertindo? O que custa a ti estar comigo?
Eu durmo, eu acordo, passo o restante do dia pensado em ti. Injustiça!
Sequer sei teu nome. Sequer sei teu cheiro. Sequer sei teu endereço.
Diga-me, sem titubear, onde moras? Com quem vives? Se é que possui vida.
Te quero, a todo instante. Te desejo, a todo momento. Suplico: tenha-me!
Ó paz, por onde andas que nunca te encontro? Por onde...
quarta-feira, 9 de abril de 2014
E os deuses?
Às vezes quero escrever, quero acalmar minha alma. As palavras são insuficientes, as idéias são impróprias.
Às vezes quero tocar, quero pôr fim ao desalento. As notas são dissonantes e a estrutura dodecafônica.
Às vezes quero sumir, quero inexistir.
Onde estarão os deuses astronautas?
terça-feira, 25 de março de 2014
Fortuna
Encontrei-me estático. Li "é incrível como pessoas boas tem curto período de vida" e pensei "boas pessoas?"
Será que a bondade é, de fato, seletora natural, ou apenas dedicar-se à bondade é tão prazeroso e desgastante ,simultaneamente? Será que "os bons só se fodem" é uma observação, ou mero acaso do literal prazer desgastante?
Constato que a vida longa é dos afortunados... Desafortunados que têm sob comando uma mente desengrenada, composta por metais duráveis que, mesmo desalinhado, não deixará de funcionar, perpetuando a existência dos condenados.
Deus se enganou. Dante cavou demais. Não soube delimitar. Deus fez da Terra palco de Dante, de Virgílio, de Beatriz. Deus dá mentes debilitadas para as máquinas pois elas não suportam a plena mente. Definham. Degradam. Se entregam.
A cobrança pela fortuna? O castigo enquanto o eterno perdura.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Renúncia
E desfaço-me de mim mesmo, aos poucos e tantos.
Pedaços despedaçados que não possuem sentido quando agrupados.
Um todo esfacelado. Partes do acaso.
Mágoas de mim, lágrimas dos outros.
Ódio interno, revolta avessa, amor alheio.
Descrente da crença de que o diferente pode ser mais do mesmo. Crente na descrença de que há necessidade no que não se crer.
Molhado ou seco, cheio ou vazio. Não há espaço para me desfazer de mim mesmo. Não há pedaço menor, não há pedaço maior.
Sem solução e sem saída. Acabo por tentar implodir. Não tenho sucesso. Engulo a mim, mas dentro é tão pra fora quanto pra fora é pra dentro.
Eu não quero à mim. Renuncio.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Ventos, mares e cabelos
O que acontecerá quando o vento deixar de soprar? Das ondas empurrar? E dos cabelos bagunçar?
O que restará por dentro do oceanos revoltosos? Sem as ondas para surfar? E sem os cabelos para embaraçar?
O que sentiremos sem as brisas e seus perfumes? Sem nada respingar? E nem das franjas assassinar?
E se meu vento deixou de soprar? E se meus mares acalmaram? E se meus cabelos não se penteiam?
E se me pergunto e não me respondo? E se não me indago por que não duvido? E se não sei pois deixei de querer?
E se cansei e não ousei aceitar? E se passei à amar e me reconfortar? E se encontrei o que nunca procurei?
Enquanto os ventos, mares e cabelos existirem, terei certeza de que tudo permanecerá errante.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
À chuva
Às vezes basta agradecer ao universo por manter a mente calma.
Não, nada mudou. Nenhuma molécula.
O que importa é que chove lá fora e, enquanto lá fora chover, aqui dentro ficará em paz.
Uma gota para cada pedaço de mim que a chuva acalmar.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
O Inferno de Nós
Toda entorpecimento abre uma janela. Todo aprofundar de níveis inebriantes apresentam novos círculos.terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Eletricidade radioativa
Significado 1: Impulso elétrico propagado entre, somente, dois neurônios. Capaz de destruir o restante da massa encefálica.
Significado 2: Capacidade cerebral da incapacitação d'órgão através de um único impulso elétrico.
Significado 3: Incapacidade neurológica de conter descargas elétricas d'atmosfera interna.
Significado 4: Completa desistência d'alma em procurar sentido na maquinaria.
Significado 5: Morte funcional d'órgão cerebral. Insuficiência de recursos internos para mantimento da razão.
Significado 666: Alusão ao divino.
Significado 7: Suicídio alegórico das idéias metafóricas.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Doa-se uma alma.
Implora.
Só assim será ouvida.
Clama.
Talvez não seja esquecida.
Consuma.
Jamais será bem-vinda.
Doa-se uma alma. Sem manual, sem truques. Aceite. É de coração.
Doa-se uma alma. Se na Galeria das Almas tivesse ganhado a chance, teria optado por outra.
Doa-se uma alma. De tão vazia não cabe mais em mim.
Meus órgãos levarei comigo. Minha alma é de quem se apoderar.
!!!NÃO ACEITO DEVOLUÇÃO!!!
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Na rua, no elevador, no corredor ou no trem, se seu cheiro surgir, entrego-me.
Não precisa ser ela, tampouco a outra. Basta a qualquer.
Não é um ode às tantas, ou às poucas. Sequer falo delas.
Neste lugar em que me encontro não se faz necessária qualquer intimidade.
Nem procuro sentido para aquilo que mal compreendo. Não mesmo.
Nós, consumidores, somos assim: sem explicação. Sem manual.
No dia da criação as perguntas foram esquecidas. Para que agora?
Nem sempre o tenho, mas quando surge é avassalador.
Narinas em posição de ataque: consumam o que existir. Onde existir.
Quem colocou este cérebro dentro de mim?
Quem colocou este cérebro dentro de mim?
Quem decidiu?
Por quê o escolheram?
Justo a mim?
Beba do meu veneno!
Por quê não te intoxica? Maldita...
Beba... Quem sabe te afogo com mais do tanto. Quem sabe.
...
Justo a mim o escolheram. E sou o responsável pela decisão.
Dance cérebro! DANCE!!!
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Lbrdd
Liberdade,
Teu céu já não é mais tão azul,
Ó liberdade.
Tuas pedras contínuam duras, mas já não machucam mais.
Teu cheiro ainda possui a mesma fragrância,
Ó liberdade.
Próxima ao Paraíso
Atrás da catedral da Sé
Com olhos puxados
E línguas ininteligíveis
Liberdade!
Em São Paulo tu é conceito concreto de puro concreto.
Na abstração tua forma é moldável.
Na essência eu não mais te reconheço,
Ó liberdade.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
J'Adore da Dior
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
East India Pale Ale
Às vezes tu acordar sem entender, exatamente, o que se passa na mente.
Tem dúvidas, inseguranças e inquietações que consomem a alma.
No entanto, quando uma Pale Ale é cheirada e degustada... Tudo faz sentido.
"De quem?"
Culpa é algo devastador se não for excretado. E culpado... Ou será "culpa do"?
Talvez o "culpa do" seja nós. Não culpa de alguém, ou de que, ou de algum dos porques da vida.
"Culpa do" é culpa nossa, mesmo. Não exatamente algo que possa ser delegado à alguém. "Culpa do" é aquela para conosco, aquela bendita (ou maldita?) dualidade em que nota metemos quando, inesperadamente, cometemos a insensatez de pararmos para dar ouvidos à nós. Sim, NÓS! Todos aqueles que nos habitam. Esses pequenos e grandes, formes e desformes de nós mesmos.
"Culpa do" mim.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Super poderes
E tudo aconteceu naquele dia. Acordei com super poderes. Eu tinha o poder da auto destruição. Poderia danificar centenas, quem sabe milhares; no entanto só era capaz de arruinar a mim.
Descobri, em minha mente, o ponto fraco da minha decadência: racionalização!
Aproximava-me mais. Cada vez mais de mim mesmo! Tornava-me o veneno da própria fonte de poder.
Só não esperava que, ao poluir-me, também intensificava o poder de devastação.
Machuquei centenas, devastei a mim e, talvez, arruinei a nós.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Sim, senti-me inflamando. Uma expansão de ar descomunal. A inquietude.
Minha carne já não dava conta de suportar àquela pressão.
Rompi como se fosse nada. Dilacerou os tecidos. Desfez-me em fétida carne tostada.
Aos urros, e não mais que urros, acendia feito um farol. Tornei-me referência. Caminhava não para excitar a chama, caminhava para apaga-la. Não será sua extinção. Não creio que haja. Só desejo a cessão, indeterminada ou temporária.
Só desejo...
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Se sei?
Assim como Haley, o vazio assombra meu mundo de tempos em tempos. Diferente somente por não ser previsível e, também, por deixar sempre uma marca.
Perguntam-me se sei das coisas. Como se saber das coisas fosse de grande conforto, um alento à alma. Como se saber das coisas fosse lá grande coisa.
Só sei que nada sei? Deixo para quem é cliché em vida! Assumo a ignorância, mesmo.
Assumo residindo no cemitério em que resido!
Desabafo? Raiva? Ira? Tampouco.
O desgosto é dum amargor que só dá prazer à quem não se contenta com o doce, pois doce demais causa diabetes, e de enferma, quem sabe, já basta minha racionalidade.
Racionalidade...
Racionalidade é uma enfermidade! Uma febre sem fim!
E se sei se é enfermidade? Que me interessa?! Assola-me até na ignorância.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Tédio
Minha alma implora a mim:
"deixe-me ir, deixe-me dançar! eu conheço cantigas esquecidas. deixe-me cantar!"
Ela mal sabe que, se houvesse como, eu a deixaria sem pesar.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Sou a tumba
Eu
Eu sou a tumba
Eu sou a tumba da minha alma
Dos meus pensamentos e das minhas idéias
Apenas um caixão que caminha solitário
Pois apenas solitário caminha um caixão
Eu sou a tumba
Sou apenas uma cripta
E as palavras nela dizem:
Descanse em paz
Desejo de Ano (Velho) Novo
Meu último desejo de 2013 manteve-se o primeiro desejo de 2014: estar completamente só.