quarta-feira, 31 de maio de 2017

Mãe

Eu não sei exatamente quanto tempo temos. Não sei se dias, semanas, meses ou anos. Eu desejo que seja a eternidade, ou que seja algo próximo disso. Espero que seja a nossa existência, em conjunto.
Foram marcantes alguns momentos, especialmente os felizes. Os tristes também, é fato. A verdade é que tivemos muitos momentos marcantes. Eu recordo quando me dei conta de que o tempo estava sendo cronometrado regressivamente​. É um relógio sem ponteiro de horas e minutos... É angustiante vê-lo mover ao contrário. E sabe, eu tenho muitas angústias. São tantas que não cabem em mim, muitas das vezes. Elas saem pelos olhos, pela boca... Elas especialmente saem quando menos espero. Eu não queria dividir isso contigo, eu queria que tu visse à mim como alguém forte, capaz de trilhar sua própria jornada sem vacilar, sem regressar, sem temer, sem titubear. Eu quero que tu sinta orgulho... Mas o relógio continua contando... Sempre dói vê-la partir, e também dói quando eu parto. São poucas as vezes que me encorajo de dizer que te amo, e eu nem sei a razão. Sou um imbecil, mesmo. Há anos eu fiz uma escolha, e nos anos seguintes eu fiz novas e cada uma trouxe o meu eu mais próximo do teu. Eu fiquei muito triste quando, uma certa vez, pensei que não te conhecia mais. Aquilo me surpreendeu. E me arrasou. Não estava preparado. E eu estou tomando novas decisões, e graças aos deuses tu está me apoiando, mas por alguma razão estou com mais medo do que nunca. Estou apavorado, quase congelado de tanto medo.
Eu não queria enxergar o ponteiro girar ao contrário, nem sentir que é regressivamente ou que seja para encerrar algo. Esse relógio, por mais que minha consciência saiba que as coisas assim funcionem, é muito desumano.

Eu te amo.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ale. em Chamas

A brasa que arde, que mantém o calor à volta, por vezes, torna-se chama, inflama as quietudes e torna tudo combustível.
O ardor da brasa não machuca, mas não esfria; já a língua de fogo que nasce com o dançar dos ventos traz bailarinos insanos.
Um passo em falso e tudo sucumbe, mas todos os passos falsos não amenizam as labaredas que cercam as inquietudes.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Trem regovernado

Com você vieram muitas coisas. Veio amor, admiração, paixão, surpresa, amabilidade, alegria, risos, carinho e devoção. Contigo todos esses sentimentos foram sentidos de uma forma inexplicável e nova, foram dias e mais dias de pura experiência nova.
Mas com você foram muitos passeios dos​céus aos infernos. E você mostrou à mim que eu amo os teus céus, e eu mostrei à ti que eu suporto os teus infernos...
No entanto, durante esses passeios, os trens se desgovernaram algumas vezes e hoje, com a maior das dores em meu coração, revelo: não sou mais capaz de ser maquinista desta locomotiva.

domingo, 14 de maio de 2017

Uma estrela no meu céu
Cintilante como chama
Poderia ser o Melancolia
Talvez apenas seja um sonho inesperado

quinta-feira, 11 de maio de 2017

confun)(des/Encontro

Certa vez, em caminhada despretensiosa pelas ruas da cidade, desencontrei à ti, também perambulando em rumo ao próprio desencontro.
Foi engraçado pois, tentávamos nos abraçar e errantemente seguíamos abraçando o ar, rindo um do outro pois, mesmo em frente, estaqueados, fitando o fundo dos olhos, teimávamos em não encaixar os corpos.
Mas então seguimos, lado à lado, noite à dentro e conversa à fora, com risos e sorrisos, cervejas e vinhos, cigarros e baseados. Uma total despretensão de qualquer acerto do que pudesse ser julgado errado. Lá estava tu, desencontrada. Eu também estava lá.
Eu também estava lá, cheio das pretensões de quando nos encontramos eu caminhado e tu perambulando, mas diferente, já absorto pelos tantos lados, noites, conversas, risos, sorrisos, cervejas, vinhos, cigarros e baseados. Já não reconhecia quem havia tentado abraça-la repetidas vezes sem sucesso. Reconheci que havia desencontrado à mim e, foi quando que, finalmente, nos tocamos despretensiosamente enquanto tentávamos abrandar toda aquela cinza pendurada em teu cigarro e em meu baseado.
Assim, sem mais e nem menos, nos aconchegamos um ao desencontro do outro...

Na manhã seguinte, entre cafés, sucos, torradas e outros, enfim desfrutamos do encontro