Eu não sei exatamente quanto tempo temos. Não sei se dias, semanas, meses ou anos. Eu desejo que seja a eternidade, ou que seja algo próximo disso. Espero que seja a nossa existência, em conjunto.
Foram marcantes alguns momentos, especialmente os felizes. Os tristes também, é fato. A verdade é que tivemos muitos momentos marcantes. Eu recordo quando me dei conta de que o tempo estava sendo cronometrado regressivamente. É um relógio sem ponteiro de horas e minutos... É angustiante vê-lo mover ao contrário. E sabe, eu tenho muitas angústias. São tantas que não cabem em mim, muitas das vezes. Elas saem pelos olhos, pela boca... Elas especialmente saem quando menos espero. Eu não queria dividir isso contigo, eu queria que tu visse à mim como alguém forte, capaz de trilhar sua própria jornada sem vacilar, sem regressar, sem temer, sem titubear. Eu quero que tu sinta orgulho... Mas o relógio continua contando... Sempre dói vê-la partir, e também dói quando eu parto. São poucas as vezes que me encorajo de dizer que te amo, e eu nem sei a razão. Sou um imbecil, mesmo. Há anos eu fiz uma escolha, e nos anos seguintes eu fiz novas e cada uma trouxe o meu eu mais próximo do teu. Eu fiquei muito triste quando, uma certa vez, pensei que não te conhecia mais. Aquilo me surpreendeu. E me arrasou. Não estava preparado. E eu estou tomando novas decisões, e graças aos deuses tu está me apoiando, mas por alguma razão estou com mais medo do que nunca. Estou apavorado, quase congelado de tanto medo.
Eu não queria enxergar o ponteiro girar ao contrário, nem sentir que é regressivamente ou que seja para encerrar algo. Esse relógio, por mais que minha consciência saiba que as coisas assim funcionem, é muito desumano.
Eu te amo.