quarta-feira, 27 de abril de 2016

Ao contrário do avesso

Não há pior sentimento que a ansiedade pré encontro com Morpheus. É aquela sensação vazia, um buraco no peito. É o calor de que algo está em chamas, mas não arde, não queima, não há fumaça e nem luz. É uma morte indescritível de nada e tudo simultaneamente.
O peito afunda, arqueia meus ombros para frente e minhas costas, sem chance, vão juntas. Meus braços se contorcem, minha bacia começa a vibrar. Sinto que devo sentar e, neste instante, não consigo voltar atrás. Meus braços começam entrar no meu peito ao mesmo tempo do meu abdômen e bacia que se trinca, racha e começa esfarelar. Com uma das mãos até consigo agarrar uma costela, mas antes que pudesse escapar esta se quebra e acabo sendo engolido por mim mesmo. Meus olhos foram por último. Até um saltou para fora do globo e eu me vi consumindo a mim mesmo. Foi estranho.
Quando acordei já não passava de um amontoado de carne dilacerada e moída, ossos triturados e olhos saltados observando tudo. Simplesmente percebi que havia deixado de ser eu e passei a ser eu mesmo, diferente do outro mesmo eu que sequer sabia quem o outro era, ou ele ou eu. Em suma apenas virei do avesso e ao contrário...

sábado, 9 de abril de 2016

Adeus, caro eu. Adeus

Lembro daquela partida, a mais demorada e dolorida. Dei adeus com tanta dor e alívio que o paradoxo me subverteu à introspecção maldita. Trouxe confusão, trouxe ordem, trouxe atmosfera inerte.
Assim, naquele instante, deixar foi a decisão mais difícil pois se meu fosse então à mim tornaria visitar.
Então, sem dúvida e com plena certeza absoluta, seja redundante ou não, soube que jamais poderia voltar. Deixar à mim para trás foi a pior melhor decisão da melhor pior ideia já posta em prática por aquele que se permitiu deixar ir e aceitou jamais voltar para si.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Poesia, maldita poesia

Maldita poesia

Te vejo em todos os cantos
Em cada arredondamento

Te desejo os vincos!

Rasgará todas as perfeições
Marca aquilo que não pertence

Desfaz-te

Fura os olhos e viva puro
Derrama de ti aquilo que não desejas

Poesia maldita