Não há pior sentimento que a ansiedade pré encontro com Morpheus. É aquela sensação vazia, um buraco no peito. É o calor de que algo está em chamas, mas não arde, não queima, não há fumaça e nem luz. É uma morte indescritível de nada e tudo simultaneamente.
O peito afunda, arqueia meus ombros para frente e minhas costas, sem chance, vão juntas. Meus braços se contorcem, minha bacia começa a vibrar. Sinto que devo sentar e, neste instante, não consigo voltar atrás. Meus braços começam entrar no meu peito ao mesmo tempo do meu abdômen e bacia que se trinca, racha e começa esfarelar. Com uma das mãos até consigo agarrar uma costela, mas antes que pudesse escapar esta se quebra e acabo sendo engolido por mim mesmo. Meus olhos foram por último. Até um saltou para fora do globo e eu me vi consumindo a mim mesmo. Foi estranho.
Quando acordei já não passava de um amontoado de carne dilacerada e moída, ossos triturados e olhos saltados observando tudo. Simplesmente percebi que havia deixado de ser eu e passei a ser eu mesmo, diferente do outro mesmo eu que sequer sabia quem o outro era, ou ele ou eu. Em suma apenas virei do avesso e ao contrário...
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Ao contrário do avesso
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