terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Indisposição diária do inconformismo

Cansa-me ver a vida. Essa tua e, infelizmente, a minha. De uma não tenho escapatória e da outra, bem, até posso evitar, mas como se há tantas congruências ao longo da jornada?
Cansa-me ver a vida. Essa coisa modorrenta, cheia de tantos vazios e repleta de pouca coisa. Pessoas levianas, de espírito medíocre e mente incapaz de compreender. Cegos que vêem.
Cansa-me ver a vida. Essa necessidade barata em ser aceito ou pertencente à algo, forma descabida de compensar um laço desfeito/malfeito no passado. Desvergonha em não se aceitar.
Cansa-me ver a vida. Essa minha em frente ao espelho, penteando os cabelos, escovando os dentes e espremendo cravos.
Cansa-me ver a vida. Essa tua em frente à mim, perguntando-me por quê canso-me ver a vida.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Meu querido e amado jeans

Um novo ano. Mais outro novo ano, na verdade. Reflexões neste início? Inúmeras. Grande parte delas vêm do passado. Sim, do ano passado.
O doce que tinha o sabor inigualável de uma vida, tornou-se amargo. Esse sentido sinestésico que torna tudo um só: o doce, salgado e cítrico em amargo; o amarelo, vermelho e verde em cinza; o dó, ré, mi em silêncio; o liso, o áspero e o quente em frio cálido.
Os prenúncios que outrora eram despercebidos, hoje são vistos.
Estou cansado.
O novo passado já está puído e desbotado. Não temo usa-lo e rasga-lo. Simplesmente não tenho forças para continuar.
Tentamos. Como tentamos.
Eu gostaria de poder utilizar meus jeans para toda uma vida, sem temer o desgaste. Gostaria, tão somente, não temer o seu desgaste. O tempo poderá arrancar pêlos das minhas partes internas das coxas, dos joelhos e panturrilhas, mas e de ti? O que fará o tempo contigo...
Vista outro enquanto há chance de vestir.
Para sempre lembrarei de ti...