sábado, 15 de dezembro de 2018

Cria-te: VIDA (de)

Não. Nunca. Eu jamais te procurei. Você sempre veio à mim, sempre sedenta, sempre impiedosa e incapaz de aguardar. Você nunca me respeitou, deu espaço ou tempo para compreender. Você me sufocava, me atolava, afogava. Praticamente via-me sobrevivendo em apneia enquanto você permanecia visitando. Você não aceitava convites, ordens, sugestões ou qualquer tipo de voz. Eu, pelo contrário, era obrigado à nunca negar sua visita e, após sua chegada, era impossível não permanecer atordoado por horas, às vezes dias ou quiçá semanas. Algumas visitas trouxeram lembranças eternas, que perduram aos anos. Outras a certeza de que sua companhia será sempre infalível. São anos e anos, vindo e indo, que te reconheço e desconheço e, quando irreconheço, sou arrematado infalivelmente.

Te desejo para sempre.

Te quero para eternidade.

Nunca saia da minha vida.

Te amo.

Video [LIFE] Game

E você
Que vive de continues
Mal sabe
Que o próximo é reset

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Novo ensaio sobre paciência

A paciência é um exercício que, quando você aprende como conduzir sua "perda", o resultado deixa de ser explosão atômica e torna-se arma química.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O Grande Destino

Todo marinheiro, ao contemplar uma imensa escuridão, sem perspectiva de melhora, perguntou-se a razão de estar alí, responsável por outros tão crentes quanto ele naquela jornada desgarrada, atirada à sorte que, até então, era apenas uma soberba controlada por correntes marítimas, matemáticas, astronômicas e, quem sabe, kharmicas.
Mas então, em meio à tempestade, pequenas bonanças atormentaram o terror. Aos poucos o que apenas era horror, desespero e arrependimento tornou-se algo ainda maior, incompreendido ao marinheiro. Aos pequenos assombros de clareza o céu, que até então estava negro, ajoelhou-se perante ao mar, postou suas mãos e, num clarão, vestiu de destino o que poderia, então, ser porto sem retorno.
O marinheiro permanecia alerta; a nau hora no mar hora nos céus. Já não era mais cabido o tempo das translações. As razões, que já eram poucas, permitiram-se à fé. Os horizontes se abriam acima e abaixo; aos lados, céus e mares. Um enorme vórtice de vozes, imagens e odores...
Ao fim, que também era início, compreendeu que o destino nunca fora o mais importante, mas que a jornada era o grande destino.