Todo marinheiro, ao contemplar uma imensa escuridão, sem perspectiva de melhora, perguntou-se a razão de estar alí, responsável por outros tão crentes quanto ele naquela jornada desgarrada, atirada à sorte que, até então, era apenas uma soberba controlada por correntes marítimas, matemáticas, astronômicas e, quem sabe, kharmicas.
Mas então, em meio à tempestade, pequenas bonanças atormentaram o terror. Aos poucos o que apenas era horror, desespero e arrependimento tornou-se algo ainda maior, incompreendido ao marinheiro. Aos pequenos assombros de clareza o céu, que até então estava negro, ajoelhou-se perante ao mar, postou suas mãos e, num clarão, vestiu de destino o que poderia, então, ser porto sem retorno.
O marinheiro permanecia alerta; a nau hora no mar hora nos céus. Já não era mais cabido o tempo das translações. As razões, que já eram poucas, permitiram-se à fé. Os horizontes se abriam acima e abaixo; aos lados, céus e mares. Um enorme vórtice de vozes, imagens e odores...
Ao fim, que também era início, compreendeu que o destino nunca fora o mais importante, mas que a jornada era o grande destino.

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