segunda-feira, 27 de abril de 2020

À quê?

Em silêncio
Sem vocábulos
Nem mesmo notas
Aguardando
E sem saber
Nem pelo que
Somente desejando
Que um ato divino
Digno de escárnio
Responda as ignorâncias
E então
Pela mesma
Repudiar as respostas
Pois na perfeição
Reside o mínimo:
À que vim?

d e v o ç ã o (que significa?)

E enfim perguntaram-me se importava a fidelidade...

Francamente, não. Se dentro de aspectos pré estabelecidos ainda há espaço para sufocamento, abstendo-me do ideal, que mal há na infidelidade?

Talvez um conceito tão rico, robusto e barroco desse espaço para devoções sinceras e realmente dignas de reconhecimento.

...se devoto, que significa fidelidade?

incompreensível

Imaginaste o espurgo?

Confinaste a tua ordem?

Resgastaste ar à suspirar?

Corpos mortos não respiram.

E almas débis não falam.

Purezas

Quanto, neste universo foi justificado através do amor? Saberia contabilizar?

Tapas.
Nascimentos.
Mortes.
Afagos.
Palavras duras.
Sinceridades.
Omissões.
Franquezas.
Mentiras.

Saberia contabilizar as justificativas universais baseadas no sentimento maior?

Sem mimos

Agora, infelizmente, não tenho tempo hábil para embriagar-me e recuperar a consciência no dia seguinte.
Adoraria, claro, que dormir e acordar fosse um interruptor tal qual liga e desliga, mas anos em minha vida desabilitaram toda e qualquer possibilidade de auto ilusão neste dado instante.
E, seria assim, o momento derradeiro? Seria desta franqueza para consigo? Encarar a mortalidade seria de honestidade tamanha a qual o último suspiro é, simplesmente, furtado?

Relutância em externalizar

E se, e se somente se, por uma fração temporal, tu descobre-se na mais pura e genuína verdade? Na realidade mais perfeita dentre suas imperfeições? E o deslumbre lhe embriaga e furta a capacidade argumentativa com o meio?
Mas e se, e se somente se, perceberes que a verdade não se revela explícita, e vulgar, diante de ti? 

E se fores a vulgaridade?

Enquanto templo, Ser

Não que seja o corpo 
como objeto de devoção, 
mas sim o respeito 
ao templo, 
morada daquilo que mais se admira, 
o Ser.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

a Nova Fotografia

E todo o universo perde sua regência. As regras que o conduziam deixam de requisitar seu direito. E, dentro de uma nova observação, de novos astros encontra-se uma física irreconhecível. A nova fotografia da realidade sem artificialidades.

Mas desse encontro nunca haverá resultante perfeita. Da interferência do novo astro pode-se já observar a turbulência registrada no que, supostamente, chama-se como "equilíbrio". Mas o novo astro não buscou, e já o encontrou e não se vê deixando...

E uma nova dança nasce. Um novo passo se estabelece. A nova realidade se apresenta compassadá. Não existem distúrbios. A gravitação se encarrega solitária. Eventos permanecem tímidos. Em toda gravitação binária, complexa por si só, o terceiro elemento é um grande distúrbio.

No entanto a trajetória foi uma casualidade, talvez um evento singular, compreensão desconhecida e consequências inimagináveis.
Mas veja que belo astro, orbitando sua gravidade predileta, desgastando sua inércia ao encontro mortal.

Não há julgamento para determinar se houve tempo. Não se conhece esta física para observá-la desta nova perspectiva. Não se entende se macro ou se micro. O looping somente é mascarado por músicas recorrentes em se rasgar o vácuo do determinante espaço que há entre tudo.

E a análise de eventos dramáticos nunca tinha sido tão dramática.

(Sinapses Desvairadas)