quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

À chuva

Às vezes basta agradecer ao universo por manter a mente calma.
Não, nada mudou. Nenhuma molécula.
O que importa é que chove lá fora e, enquanto lá fora chover, aqui dentro ficará em paz.
Uma gota para cada pedaço de mim que a chuva acalmar.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Inferno de Nós

Toda entorpecimento abre uma janela. Todo aprofundar de níveis inebriantes apresentam novos círculos.
Às vezes, mas bem raramente, acredito que Dante escondeu alguns círculos de nós. Não seria possível viver sabendo da existência de alguns. Seria, sem dúvida, impossível.
Se abaixo de seus pés nove encaminhavam-se às profundezas da Terra, quantos mais poderiam existir, medidamente, nas profundezas da etérea mente? E mais: quantos, então, nas profundezas da eterna alma?
E se a alma, por ser eterna, nos foi concedida como castigo?
Talvez o castigo seja não exatamente a eternidade. Talvez o castigo seja considerarmos que somos castigados. Por quê? Qual a razão?
Pareço um paradoxo de mim mesmo, observando de longe a mim, rindo e zombando. Pareço um paradoxo de mim mesmo, avaliando-me de perto, chorando e confortando. Pareço um paradoxo de mim mesmo.
Na amplitude dos paraísos, purgatórios e infernos, percebo que Dante, simplesmente, possuía o mais saboroso de todos. De melhor fragrância e, ouso, de melhor música. Dante possuía a satisfação de assistir seus desafetados pagarem. Virgílio não se importava, apenas estava ali como guia. Talvez Virgílio mal compreendia onde estava, mesmo sabendo de cor e salteado onde estava.
De qualquer modo minha inveja ao inferno do Dante é tremenda. Ele poderia circular, observar, cheirar, tocar, ouvir e fechar os olhos. 
Eu também criei um inferno, é verdade. Infelizmente ele não tem começo. Eu jamais vi uma saída e nunca ninguém se aventurou por ele. Minto. Há uma presença humana no meu inferno. Ela não faz frente à Beatriz que Dante amava, mas ela faz frente ao meu castigo. Ela sabe onde começa, mesmo sem saber. Ela saber onde termina, mesmo sem saber. Ela sequer sabe que talvez saiba, no entanto quando ela o depara, ela o reconhece.
Dante, ao meu ver, foi um desafortunado. Possuía um inferno cheio de pessoas conhecidas (sim, puros desafetos), no entanto estava fadado a ser guiado.
Meu prazer, se é que assim posso chamá-lo, não é ter um inferno. Meu prazer é saber que nele há alguém que, talvez, o habita mais tempo que eu mesmo. Alguém que também o conhece e reconhece. Alguém que não me serve de guia, mas sim, de companhia.
Meu prazer não é um consolo ao desalento, meu prazer é ter solidão ao lado de alguém que vive a solidão. E creio que, pela primeira vez em vida, não vivo um sentimento egoísta.
Entenda (para quem não entende), isso está longe de ser algo estritamente egoísta. Isso é um ode. Sim! um ode! Um ode somente à quem tem capacidade de entusiasmar-se com ele. Talvez quem seja jamais o leia, mas honestamente?, isso não importa.
Ela sabe disso tudo... Vivemos juntos a mesma coisa, em locais diferentes.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Eletricidade radioativa

Significado 1: Impulso elétrico propagado entre, somente, dois neurônios. Capaz de destruir o restante da massa encefálica.
Significado 2: Capacidade cerebral da incapacitação d'órgão através de um único impulso elétrico.
Significado 3: Incapacidade neurológica de conter descargas elétricas d'atmosfera interna.
Significado 4: Completa desistência d'alma em procurar sentido na maquinaria.
Significado 5: Morte funcional d'órgão cerebral. Insuficiência de recursos internos para mantimento da razão.
Significado 666: Alusão ao divino.
Significado 7: Suicídio alegórico das idéias metafóricas.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Doa-se uma alma.

Implora.
Só assim será ouvida.
Clama.
Talvez não seja esquecida.
Consuma.
Jamais será bem-vinda.

Doa-se uma alma. Sem manual, sem truques. Aceite. É de coração.
Doa-se uma alma. Se na Galeria das Almas tivesse ganhado a chance, teria optado por outra.
Doa-se uma alma. De tão vazia não cabe mais em mim.

Meus órgãos levarei comigo. Minha alma é de quem se apoderar.

!!!NÃO ACEITO DEVOLUÇÃO!!!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Na rua, no elevador, no corredor ou no trem, se seu cheiro surgir, entrego-me.
Não precisa ser ela, tampouco a outra. Basta a qualquer.
Não é um ode às tantas, ou às poucas. Sequer falo delas.
Neste lugar em que me encontro não se faz necessária qualquer intimidade.
Nem procuro sentido para aquilo que mal compreendo. Não mesmo.
Nós, consumidores, somos assim: sem explicação. Sem manual.
No dia da criação as perguntas foram esquecidas. Para que agora?
Nem sempre o tenho, mas quando surge é avassalador.
Narinas em posição de ataque: consumam o que existir. Onde existir.

Quem colocou este cérebro dentro de mim?

Quem colocou este cérebro dentro de mim?

Quem decidiu?

Por quê o escolheram?

Justo a mim?

Beba do meu veneno!
Por quê não te intoxica? Maldita...

Beba... Quem sabe te afogo com mais do tanto. Quem sabe.

...

Justo a mim o escolheram. E sou o responsável pela decisão.

Dance cérebro! DANCE!!!