sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Recordações que vagam a memória

Lembro como se fosse ontem (início de conversa de velho), há uns 15 anos atrás aquele fim de tarde chuvosa.
Via-se as lanternas dos carros no asfalto, poucas pessoas pela rua: necessitados, atrasados ou pessoas de açúcar acabavam por transitar rapidamente entre uma calçada e outra, buscando abrigo ou o destino da sua molhada trajetória. Mas para mim bastava uma arvore.
São difíceis as áreas arborizadas em São Paulo - sem citar parques e outras reservas - mas as ruas próximas de casa naquele 2002 eram lindas. E naquela beleza toda da rua, já anoitecendo e aquele cheiro de chuva, combinado ao defumado  também permeava o ar e roubava a cena com tudo ficando molhado e mais cheiroso (...)
Hoje, 2017; 15 anos após aquele janeiro de 2002; na sacada estava, novamente, sentindo a mesma combinação de odores aquela noite...

Lembrança vs. Premonição

Lembranças do passado, por óbvio, só podem ser lembranças, afinal "lembrar" do futuro chama-se premonição.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

F.R..E...E....D.OM DA.Y

Ao fundo,
vagando uma longa distância,
ouvia-se o saxofone como
uma trombeta de guerra soava
o início

do fim.
Tambores acompanhavam
aquele aproximar
da atmosfera tensa e revolucionária
da bateria.

O baixo,
rugindo grave
e feroz
atravessava
errantemente preciso.

As teclas,
que afundavam,
eram passos fundamentais
na marcha que o piano
se rendia...

E a voz
daquela Liberta,
solta de tudo
que fosse capaz de prender.
Fa.ç..a h...o....j.....e

domingo, 6 de agosto de 2017

Ame, se....

Em caso de todos teus planos darem errado, e a frustração e tristeza baterem à porta, lembre-se de ligar o chuveiro no quente, apagar as luzes, sentar-se no chão e chorar baixinho, sem vergonha.
Ninguém poderá julga-lo, tampouco maltrata-lo. Você é só seu e de mais ninguém.
Dê à si um pouco de conforto, mesmo que seja de uma forma não convencional.

sábado, 5 de agosto de 2017

Se você não é capaz de revelar seu desejo mais obscuro, qual a razão de dar atenção à sua vontade mais rasa?

Assuma as rédeas

As opções não são muitas ou poucas, as opções são claras: basta que tu reflita e decida pela clareza ou não.
Quando decido pelo silêncio não necessariamente significa omissão, na verdade estou poupando o outro de tomar uma decisão.
Mas e aí, se te fosse dada a oportunidade em tomar uma decisão, de que maneira tu buscaria essa reflexão?

Ao amor

Às vezes é apenas isto: tornar feliz aqueles que amamos, pois se quem amamos não pudermos tornar felizes, que sentido terá o amor?

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Quando o tempo não está ao nosso favor

Eu nasci no teu presente, e você em meu passado. Quando nos conhecemos? Em nossos futuros... Mas somos realidades paralelas de nós mesmo; e teu presente acabava por ser meu passado; e talvez meu futuro seja teu passado. E se o reencontro surgir então que as leis da física permitam que passado, presente e futuro convivam no mesmo espaço-tempo. Quem sabe assim, neste dia, possamos nos reconhecer.

Meios para um fim

Buscas no outro as respostas às próprias agruras, mas em ti sequer sabe onde estão as chaves.

A | L | E | R | T | A

Pessoas, às vezes, podem se portar como cascavéis: alertam que não desejam confronto, mas não evitam quem vai de encontro.

Navegador

Até posso parecer interessado, afinal deve ser uma pessoa interessante e, curioso que sou, entrego-me ao mar desconhecido e rico em novidades.
No entanto marujo velho se cansa das revoltas, das tempestades, das incertezas, das rotas às cegas, dos imprevistos.
Então se servir de conselho, seja sempre um mar para todo marujo que encontrar, mas não esqueça de se tornar porto quando ele precisar.

Sobre fatos...

Quando se matar começa se apresentar como uma boa opção, é pelo fato de que já estamos mortos.

Dez é sete a mais

A n s i e d a d e

É

P o s s u i r 2 0 u n h a s

E

R o e r 3 7

Zoo Ilógico

Diariamente a vontade em enviar tudo para o inferno, aos 4 cantos do universo, é sempre combatida com a razão, que te puxa para o chão e realiza a autoconsciência de que o inferno - e seus 4 cantos - residem no mesmo lugar.
E a frustração por frequentemente calar a mim sufoca até mesmo o Eu que exige silêncio. Ele não é mais forte que outros Eus, apenas está em maior evidência. E eu o compreendo: quem, em sã consciência, e em meu lugar, gostaria de soltar uma horda de animais sem eira e nem beira?
Monstros são monstros, e eles podem se parecer com um ursinho de pelúcia ou até mesmo com o mais disforme de todos os seres abissais, apenas não se iluda... Eu sei as razões pelas quais mantenho os portões de meu zoológico de horrores fechado. O que te levaria a fazer esse passeio?

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Onde errei

Dor era tudo o que eu queria causar.

As feridas que causastes cegam meus olhos com ira.

Mas todo dia lembro que te amo...

E ao te amar só sinto dor ao invés de causar.
E a dor não passa;
e os olhos não enxergam;
e as feridas não curam.

Cuidei como jardineiro o jardim que tu és.

Florescestes, mostrou-me cores e perfumes.

Por alguma razão recebi espinhos e ervas daninhas.

Mas todo dia lembro que te amo...

E ao te amar só sinto dor ao invés de causar.
E a dor não passa;
e os olhos não enxergam;
e as feridas não curam.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Mãe

Eu não sei exatamente quanto tempo temos. Não sei se dias, semanas, meses ou anos. Eu desejo que seja a eternidade, ou que seja algo próximo disso. Espero que seja a nossa existência, em conjunto.
Foram marcantes alguns momentos, especialmente os felizes. Os tristes também, é fato. A verdade é que tivemos muitos momentos marcantes. Eu recordo quando me dei conta de que o tempo estava sendo cronometrado regressivamente​. É um relógio sem ponteiro de horas e minutos... É angustiante vê-lo mover ao contrário. E sabe, eu tenho muitas angústias. São tantas que não cabem em mim, muitas das vezes. Elas saem pelos olhos, pela boca... Elas especialmente saem quando menos espero. Eu não queria dividir isso contigo, eu queria que tu visse à mim como alguém forte, capaz de trilhar sua própria jornada sem vacilar, sem regressar, sem temer, sem titubear. Eu quero que tu sinta orgulho... Mas o relógio continua contando... Sempre dói vê-la partir, e também dói quando eu parto. São poucas as vezes que me encorajo de dizer que te amo, e eu nem sei a razão. Sou um imbecil, mesmo. Há anos eu fiz uma escolha, e nos anos seguintes eu fiz novas e cada uma trouxe o meu eu mais próximo do teu. Eu fiquei muito triste quando, uma certa vez, pensei que não te conhecia mais. Aquilo me surpreendeu. E me arrasou. Não estava preparado. E eu estou tomando novas decisões, e graças aos deuses tu está me apoiando, mas por alguma razão estou com mais medo do que nunca. Estou apavorado, quase congelado de tanto medo.
Eu não queria enxergar o ponteiro girar ao contrário, nem sentir que é regressivamente ou que seja para encerrar algo. Esse relógio, por mais que minha consciência saiba que as coisas assim funcionem, é muito desumano.

Eu te amo.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ale. em Chamas

A brasa que arde, que mantém o calor à volta, por vezes, torna-se chama, inflama as quietudes e torna tudo combustível.
O ardor da brasa não machuca, mas não esfria; já a língua de fogo que nasce com o dançar dos ventos traz bailarinos insanos.
Um passo em falso e tudo sucumbe, mas todos os passos falsos não amenizam as labaredas que cercam as inquietudes.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Trem regovernado

Com você vieram muitas coisas. Veio amor, admiração, paixão, surpresa, amabilidade, alegria, risos, carinho e devoção. Contigo todos esses sentimentos foram sentidos de uma forma inexplicável e nova, foram dias e mais dias de pura experiência nova.
Mas com você foram muitos passeios dos​céus aos infernos. E você mostrou à mim que eu amo os teus céus, e eu mostrei à ti que eu suporto os teus infernos...
No entanto, durante esses passeios, os trens se desgovernaram algumas vezes e hoje, com a maior das dores em meu coração, revelo: não sou mais capaz de ser maquinista desta locomotiva.

domingo, 14 de maio de 2017

Uma estrela no meu céu
Cintilante como chama
Poderia ser o Melancolia
Talvez apenas seja um sonho inesperado

quinta-feira, 11 de maio de 2017

confun)(des/Encontro

Certa vez, em caminhada despretensiosa pelas ruas da cidade, desencontrei à ti, também perambulando em rumo ao próprio desencontro.
Foi engraçado pois, tentávamos nos abraçar e errantemente seguíamos abraçando o ar, rindo um do outro pois, mesmo em frente, estaqueados, fitando o fundo dos olhos, teimávamos em não encaixar os corpos.
Mas então seguimos, lado à lado, noite à dentro e conversa à fora, com risos e sorrisos, cervejas e vinhos, cigarros e baseados. Uma total despretensão de qualquer acerto do que pudesse ser julgado errado. Lá estava tu, desencontrada. Eu também estava lá.
Eu também estava lá, cheio das pretensões de quando nos encontramos eu caminhado e tu perambulando, mas diferente, já absorto pelos tantos lados, noites, conversas, risos, sorrisos, cervejas, vinhos, cigarros e baseados. Já não reconhecia quem havia tentado abraça-la repetidas vezes sem sucesso. Reconheci que havia desencontrado à mim e, foi quando que, finalmente, nos tocamos despretensiosamente enquanto tentávamos abrandar toda aquela cinza pendurada em teu cigarro e em meu baseado.
Assim, sem mais e nem menos, nos aconchegamos um ao desencontro do outro...

Na manhã seguinte, entre cafés, sucos, torradas e outros, enfim desfrutamos do encontro

terça-feira, 11 de abril de 2017

São as asas do amor que permitem nossos vôos de ida e volta para aquele que amamos.
Amar nunca foi cuidar para não se ferir, amar sempre será permitir ir para então voltar.