Jamais confunda o que carrego no peito com o coração que carregas no teu.
Jaz aqui o sepulcro da vida-e-morte, objeto de admiração e ódio.
Mas lembre-se: aqui eternamente será refúgio para ti e tuas desolações.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
Um refúgio às avessas
Dies Irae
A ira, da qual sofrem os desavisados, é capaz de liquidar exércitos. E estes não são figurativos, são dignos da incompreensão, da moléstia e pura incapacidade argumentativa. São eles fadados à enfrentar as levas de insanidades proferida pelas sete cabeças da besta contida no Apocalipse, livro bíblico. Tal bestialidade é mensurável às chamas destruidoras de Sodoma e Gomorra, e mesmo quantificável tal vislumbre torna-se incomparável pois, se assim formos permissíveis, a comparação divina é inexequível.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Hachuras Nebulosas
Fiz um [retrato],
coletando da m.e..m...ó....r.....i......a
os melhores _traçados_
no papel em branco
que pudessem descrevê-la.
Mas
aqui............................está você
no presente,
em ossos
e carne.
Destino do tempo
Eu devia ter algo próximo dos 12 anos, talvez um pouco menos, rabiscava tudo; inclusive os cantos em branco dos cadernos com linhas. E lá estiveram 3 linhas que sempre rabiscava quando queria algo sensual: a primeira começava reta e fazia algo como 1/2 rotatória à esquerda e seguia reto; a segunda fazia o mesmo destino, porém terminava antes da metade da segunda reta; a terceira era uma longa reta até que então, numa nova 1/2 rotatória à direita, a monotonia se acabava.
E assim, sem querer, fui construindo você.
Àquela época eu sequer sabia da tua existência e ao vê-la em uma fotografia pude reconhecer as linhas que tanto, até então sem saber, desejava.
Sim, essa é a verdade: encontrei em ti minha Vênus. Posso não tê-la esculpido com minhas próprias mãos, no entanto o destino trouxe algo surpreendente.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Fazíamos mais sentindo juntos (1°)
Lembro daqueles anos como se tivessem passado há poucos instantes. Claro, algumas passagens são um pouco borradas (e outras completamente negras), algumas fictícias (que tem valor idêntico à verídica até você ser desmentido) e outras verdadeiras (que só tem valor enquanto a maioria concorda).
Uma boa história fictícia foi que, certa vez, ao chegar em uma de nossas tantas confraternizações, em frente à casa estava ela - solitária - lidando com algo que: a) merece total privacidade; b) merece total platéia; ou c) necessita apenas de mais uma pessoa. Bem, encontrava-me na circunstância c), mas fazendo papel de b) e jurando que seria como se estivéssemos na a).
Mas uma coisa é fato: somente eu posso barganhar meu segredo. E assim vivemos. Todos esses anos...
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Eloquente retorno
E lá estava você novamente, do mesmo jeito, com a mesma voz, riso fácil e sorriso encantador. Sim, lá estava você. E trouxe tudo aquilo que tenho vontade de conhecer, mas você estava lá, não aqui.
Enquanto estive aqui e você para lá e cá, aquela vontade sempre foi levemente adormecida. É verdade. Não podia permitir meus devaneios pois não passavam disso, devaneios... Um deles era vesti-la com polainas multicoloridas e nada mais... A outra era despi-la sem tirar os sapatos de salto... Por fim, sempre imaginava um vestido listrado horizontalmente em p&b no qual, nos meus devaneios, a barra seria apenas erguida o suficiente e nenhum milímetro mais. É, foram e são tantos.
Mas aí você estava lá, novamente. Desta vez mais cá. Será?
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Super Lua
Então foste tu
Super Lua de 2016
Fizeste novo o velho
E o velho em lembrança
Então foste tu
Que de todas as Luas
Em 70 anos
Abriste o 3° olho
Então foste tu
Que cedeu para o novo
Selou o velho
E trouxe o inesperado
Então foste tu
Nos quais 30
Destes 70
Aguardei por (re)conhecer
Um silêncio que não perturba
Quando fico em silêncio por muito tempo acabo por esquecer que sabia falar até pelos cotovelos, mas é neste mesmo momento que acabo por notar que, em diversos momentos, o silêncio é a minha palavra.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Conciso vs. Prolixo
Escrevi mil palavras com toda a capacidade prolixa que eu poderia exercer naquele instante e, ainda assim, nada chegava aos pés de "vem ficar comigo!"
terça-feira, 20 de setembro de 2016
E mesmo com medo tentei abrir os olhos
Bom dia, ou tarde ou noite para você que está lendo este texto no horário pertinente à saudação. Quem nunca temeu por aquele bocadinho de frio na barriga, não é mesmo? Aquela sensação de montanha-russa quando desce à todo vapor... Bem amedrontadora.
Mas o dia a dia é assim mesmo, cheio desses altos e baixos, desses frios que insistem em fazer com que tenhamos esse eterno medo do novo e dos riscos para com a sua chegada. É! Qual o problema disso? É de que algo dê errado? De que teus pais não estejam ali para dar suporte? De que ela não corresponda teu amor? De que ele não seja o homem por quem sonhaste? Da insegurança pelo amanhã? Da incerteza das concretizações dos teus planos? Diga-me, do que tens medo?
Eu já me perguntei tantas vezes do que tenho medo que a cada nova respostas eu me pergunto se o que eu temia antes eu permaneço temendo, ou se a grande verdade é que apenas esqueci e o novo medo é só o antigo lixado, pintado, envernizado e posto à exposição. É sim, é difícil demais. É horrível tentar não temer. Se medo fosse algo ruim, segundo Darwin, ele não nos faria companhia ontem, hoje, amanhã, na prova da semana que vem, no encontro daquele crush ou, até mesmo, na visita ao banco para consultar o extrato bancário.
Eu quase disse "às vezes", mas é fato que recorrentemente tememos pela nossa felicidade, alegria, emoção, amor, doação, carinho, afeto, importância, permanência e prevalecência na vida das pessoas, e essas pessoas também são aquelas às quais queremos estar na vida. Mas também há nós, individuo. Ser privilegiado de emoção e razão simultaneamente (sim, eu sei. Um é uma reação química em cadeia totalmente descontrolada, e a outra o oposto disso...).
Tá, mas e aí? Qual o problema? Qual o medo nisso? É pensar demais e viver de menos? É viver demais e pensar de menos? Equilíbrio não será possível? Então, meu caro, também não há problema! Se não houver equilíbrio e a balança pender para um lado simplesmente deixe o medo de lado pois, se tu não sabe o que te espera, então para que temer?
Deixe os receios e medos sempre ao seu lado quando for brincar na montanha-russa, assim eles podem se divertir e também esquecer de seus próprios medos e receios.
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Jornada com escalas
Se pensares bem concordará que algumas jornadas são, deveras, ingratas. Não há necessidade de se pensar muito, ou avaliar. Também garanto-lhe que tampouco conhecer todas as jornadas se faz necessário. Acalme-se, não estou sendo prolixo.quarta-feira, 7 de setembro de 2016
Quando Beethoven prevê o futuro
Comparei à Sonata
E sem prever
Já amanhecia
Senti a Nona sinfonia
E sem medir
Te despia
terça-feira, 6 de setembro de 2016
1 segundo
Era aproximadamente 15:20h (para ser franco olhei para o relógio naquele momento e eram 15h17min e 21s, e 22s, e 23s... Acabara de sentar naquele banco daquela praça. Foi a primeira vez que ia naquela praça. A verdade é que estava caminhando e, distraído pelo cansaço da caminhada, sentei para descansar. Não era um cansaço excruciante mas, de todo modo, pus me a sentar.sexta-feira, 2 de setembro de 2016
DIA(que)LOGO(inexiste)
_ Há quanto tempo?! - e me deu 3 tapas nas costas enquanto esboçava um sorriso largo.
_ Não tenho ideia. Talvez março?
_ Uau, março! Faz tempo mesmo. Lembra que estávamos neste mesmo bar? - e esboçava um sorriso largo.
_ Na verdade não tenho certeza...
_ Falávamos sobre a... Como era o nome dela? Alice? Berenice? Clarice...
_ Flávia.
_ ISSO!!! FLÁVIA! - quase aos berros.
_ Sim, Flávia.
_ Como ela está?
_ Terminamos.
_ Por quê? - cara de surpreso, mas nem tanto.
_ N razões. Foi sensata nossa decisão consensual.
_ Pensei que vocês fossem casar...
Dei de ombros.
_ Bom, que ótimo te rever, André...
_ Raphael...
_ Como é?
_ Meu nome é Raphael.
_ Isso, Raphael. Que cabeça a minha... - cara de desconcertado.
_ E falando nisso, como tu te chamas?
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Desajeitado
É óbvio que você não tem culpa de nada. Você chegou no meu presente, conheceu-me ausente e agora quer que me torne frequente. Sim, usei rimas para descrever a falta de culpa que você tem.sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Saudades...
Onde estás tu?
Teu sorriso, riso e cheiro
Onde estás tu...
Que nesse entremeio perdi?
Fugiste? Não...
Desejo que seja engano.
Nunca te liguei à essa hora
Que seja!
Disquei teu número errado
Mas ligou certo
Será que esqueci
Como faz para te esquecer?
Só trouxe-me recordações
Tua voz e entonação
Tanto quis estar mas...
Pouco podia ser.
Leve-a, Dante!
Arraste-os, Virgílio!
Que Lúcifer os abrace
No final de todas as peregrinações
Não vos desejo em imagem
Tampouco memória
Se a paz me visitar
Que seja categórica
sábado, 13 de agosto de 2016
Esse silêncio que clamas
Talvez eu pudesse ser esse silêncio que tu clama de dentro da alma. Essa vontade que tu murmura por entre um pensamento e outro e eu, atento em sonho, percebo como vociferações danadas de vontades. Tu não as percebe. Creio que em teu jazigo vertical e ambulante as intempéries neurais tampouco lhe causam efeito, no entanto a sintonia trazida por Morpheus aniquila qualquer sono puro que eu possa ter.
Todas as noites, sonos e todos cochilos são assim, como se nada pudesse ser devidamente desligado. Eu só desejaria não poder te ouvir, não te sentir, não saber o que tua alma clama quando nem mesmo tu ouve à ti. Talvez eu pudesse ser o silêncio que tu clama de dentro da alma. Teus anseios, desejos, dúvidas, inseguranças e incapacidades... Talvez eu pudesse ser isso tudo para ti. Tudo e até mais um pouco. Eu poderia ser tu se assim quisesse. Poderia suportar tuas dores, medos, aflições e desesperos. Eu seria, em mim, tudo aquilo que tu quisesse ser para ti entre um clamor e outro, aos sussurros enquanto deseja calma, paz e plenitude.
Talvez eu pudesse ser esse silêncio que tu clama de dentro da alma. Eu gostaria que tu dissesse o mesmo, que tu será capaz de acalentar a frieza, afagar o rústico, abraçar os espinhos, acariciar as lâminas, beijar a eletricidade, segurar a chama, iluminar a escuridão, acalmar a inquietude, molhar o seco... Ser porto de tudo que é desgovernado. Eu gostaria de verdade pois eu não murmuro de dentro da alma, eu clamo à plenos pulmões: junte meus cacos. E se ao juntar abandoná-los, tudo bem, estará em direito pois jamais fui clausura pois talvez eu pudesse ser esse silêncio que tu clama de dentro da alma.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Allegro (em D sem C)
Era assim, cheia de personalidadePossuía seu timbre único
Também existia excentricidade
Entre um tom de cor e outro
Excelentes para sempre mover
Entre uma e outra canção
A parte que mais gostava em mim: a mão
Ao olho, sempre atento, não existia
Em cada curva, canto e vinco
Mas sem dúvida, do todo sonoro
O que gostava era o canto enquanto grunhia
domingo, 24 de julho de 2016
Refeição eloquente
terça-feira, 19 de julho de 2016
Eternamente
A arte, por si só, expressa-seFaz-te ouvir, ver e pensar
Também faz-te sentir
Às vezes, nem tão poucas, faz-te bocejar
Faz-te desejar mais... E até menos
Também faz-te regurgitar
Às vezes, com frequência, faz-te chorar
E, nessas linguagens, ponho-me a questionar
Que sentimento é este
Fazendo meu coração inflar e murchar?
Aceito minha incapacidade, ora
Não desejo ser tocado deliberadamente
Desejo, apenas, ser arte eternamente
domingo, 17 de julho de 2016
Fuga, jornada, vivência
sábado, 16 de julho de 2016
A carta
"Bloodlands, 6 de junho de 2016.
Caro senhor policial,
por favor, salve minha família. Por favor, salve-a dela mesma.
Já fomos ricos, já tivemos metade deste país em nossas mãos e a outra metade o restante de nossos familiares. Hoje eles pretendem realizar um jantar que, provavelmente, será o último. Meu pai disse "Tommy, você deverá começar. Você discursará durante o início do jantar. Você fará isso e começaremos o fim disso...", mas o papai não sabe que eu não desejo fazer mal. São minha família, também. E a terra e suas riquezas também são nossas.
Procurei a mamãe e perguntei como seriam as coisas, ela disse "faça como seu pai disse", mas tampouco ela tem alguma certeza sobre qualquer coisa. Senhor policial, até acho que a mamãe está mais assustada que eu. Eu gostaria de poder acalmá-la mas eu também gostaria que ela ou o papai pudessem acalmar a mim. Eu amo todos eles, não desejo o mal de nenhum.
Senhor policial, por favor, eu não quero jantar com a minha família hoje à noite. Eu já não sei mais por onde caminhar, o que pensar, as facas que devo escolher e à quem matar. Eu só queria estar brincando enquanto isso, simplesmente, deixa de acontecer. Quero entrar no carro antigo do papai enquanto ele dirige com a capota aberta, fingir que estou num avião enquanto eu só olho para o céu, vendo o azul, as nuvens e os pássaros que por alí passarem.
Por favor, senhor policial, salve minha família dela mesma? Eu sei que eles não possuem boa amizade com vocês, que o passado já foi turbulento, mas hoje eu lhe peço, quero poder abraçar o papai e a mamãe amanhã. Quero poder fazer aquele aperto de mão especial com o titio, brincar com os meus primos e pedir para a titia fazer aquele bolo que a mamãe nunca acerta a receita.
Senhor policial, esta será minha última frase, então por favor, pela última vez, salve minha família dela mesma.
Att.
Tommy."
quinta-feira, 14 de julho de 2016
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Então Se[lêncio] Optar
Que deste silêncio
Vive a murmuriar?
Que de tantos fonemas
Decidiste pelo nenhum?
Que de tantas melodias
Decidiste pela ignorância?
quinta-feira, 7 de julho de 2016
A fragilidade de ser quem se é
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Irraciocínio
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Caos!
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Covil de mim
Cave-me o umbigo
Ande por sobre o dorso
Catequize-me sem esforço
Tampouco uma pobre
Desejo a imensidão Sem tornar tudo tão pagão
Que os pecados todos
Um a um, sejam cobrados
Dia após dia, hora após hora]
domingo, 29 de maio de 2016
Dores.
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Diálogo assintomático
Teme?
Temo.
O que desconhece?
Não.
O que?
O que conheço.
Pelo o que?
Pelo desconhecido.
Mas se conhece?
Então não temeria.
Então porque?
Pois lidar é difícil.
Com o desconhecido?
Não.
Então pelo o que?
Pelo o que terei de lidar.
domingo, 22 de maio de 2016
Alguns medos
Às vezes é o medo quem nos impulsiona...
Seja para frente...
Seja para trás.
O medo também traz insights...
Às vezes para o bem...
Às vezes para o mal.
Que minhas epifanias não traiam à mim, minha intuição e o que mais houver.
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Ciclos - Parte I
Círculos, forma geométrica que consegue ser tudo ao mesmo tempo, menos o nada. São os círculos que trazem o constante movimento em todos os âmbitos terrestres. Lembro de ouvir uma citação de um certo insano, tão ou mais que eu, dizendo que "nada se cria, tudo se transforma".
A percepção de início, meio e fim é uma das mais ingratas à nós, seres racionais. Às vezes, não poucas delas, notamos que cada instante desses ciclos e, ao tentar compreende-los, entramos em uma pequena avalanche de acontecimentos, uma sequência desenfreada de racionalização emocional ou razão emotiva. Esse looping, em forma de helicoide, predominantemente descendente, nos leva às mais profundas questões pessoais quando o assunto é início, meio e fim.
O início é sempre a partida de um ciclo no qual o destino é desconhecido; não há razão para sabermos todos os pormenores do destino, o que verdadeiramente importa é percebermos essa novidade para que não passe em branco em nosso atribulado cotidiano. Também é do início a responsabilidade pela emoção. O meio é a parte mais valiosa, cheia de acontecimentos, lembranças e histórias. O meio é o que verdadeiramente importa de um ciclo, é dele que nascem as plantas e que colhemos seus frutos. É dele que também morrem as mesmas plantas e ainda podemos aprender a cuidar e colher. E o fim é o encerramento, seja ele abrupto, esperado ou premeditado.
Quanto ao fim, para muitos, é apenas o início... Mas outro texto poderá contar melhor esta história.
domingo, 15 de maio de 2016
Surpreendido pelo devaneio
Freqüentemente sou surpreendido por mim mesmo, não pelo fato de não conhecer quem sou, mas de saber que posso sempre ser diferente sem deixar minha essência de lado.
Essa flexibilidade, essa adaptabilidade, essa mutabilidade faz de mim palco de pequenos ensaios sobre quem realmente desejo me tornar, afinal não nascemos mas sim nos lapidamos.
Pequenas jóias que temos dentro de nós, esses pequenos latifúndios, os quais exploramos e descobrimos preciosidades, são locais perfeitos para descobertas e para nossa coroação como donos de nós mesmo, como Altezas de nossos reinos.
O mais importante não é apenas governar aquilo que temos direito e obrigação, o mais importante é saber que além das muralhas de nosso território há vastos reinos merecedores de atenção e respeito. Unidos há força, separados há vulnerabilidades. Sejamos em prol de nós, nunca contra todos.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Ao contrário do avesso
Não há pior sentimento que a ansiedade pré encontro com Morpheus. É aquela sensação vazia, um buraco no peito. É o calor de que algo está em chamas, mas não arde, não queima, não há fumaça e nem luz. É uma morte indescritível de nada e tudo simultaneamente.
O peito afunda, arqueia meus ombros para frente e minhas costas, sem chance, vão juntas. Meus braços se contorcem, minha bacia começa a vibrar. Sinto que devo sentar e, neste instante, não consigo voltar atrás. Meus braços começam entrar no meu peito ao mesmo tempo do meu abdômen e bacia que se trinca, racha e começa esfarelar. Com uma das mãos até consigo agarrar uma costela, mas antes que pudesse escapar esta se quebra e acabo sendo engolido por mim mesmo. Meus olhos foram por último. Até um saltou para fora do globo e eu me vi consumindo a mim mesmo. Foi estranho.
Quando acordei já não passava de um amontoado de carne dilacerada e moída, ossos triturados e olhos saltados observando tudo. Simplesmente percebi que havia deixado de ser eu e passei a ser eu mesmo, diferente do outro mesmo eu que sequer sabia quem o outro era, ou ele ou eu. Em suma apenas virei do avesso e ao contrário...
sábado, 9 de abril de 2016
Adeus, caro eu. Adeus
Lembro daquela partida, a mais demorada e dolorida. Dei adeus com tanta dor e alívio que o paradoxo me subverteu à introspecção maldita. Trouxe confusão, trouxe ordem, trouxe atmosfera inerte.
Assim, naquele instante, deixar foi a decisão mais difícil pois se meu fosse então à mim tornaria visitar.
Então, sem dúvida e com plena certeza absoluta, seja redundante ou não, soube que jamais poderia voltar. Deixar à mim para trás foi a pior melhor decisão da melhor pior ideia já posta em prática por aquele que se permitiu deixar ir e aceitou jamais voltar para si.
quinta-feira, 7 de abril de 2016
Poesia, maldita poesia
Maldita poesia
Te vejo em todos os cantos
Em cada arredondamento
Te desejo os vincos!
Rasgará todas as perfeições
Marca aquilo que não pertence
Desfaz-te
Fura os olhos e viva puro
Derrama de ti aquilo que não desejas
Poesia maldita
segunda-feira, 28 de março de 2016
Ode ao suspiro daquela que não condena
Maldito sejas! Tu e tantos outros
Inomináveis frente presença divina
Amaldiçoados e frenéticos!
Hereges da pura essência pagã
Criaturas impensáveis
Mortalidade justificável à sabedoria
Sede de vingança velada em silêncio
Morto por si em uma fuga interna
Cativeiro dos condenados
Morte daqueles embriagados
Sucumbência dos fracos
Ode! Um ode aos comandantes
Uma lágrima aos amados
Um suspiros aos amaldiçoados
Ela. Sempre...
Os anos... Sim, sempre eles. Como pode o tempo ser tão categórico quando se permite ser irônico em anos? Incrível sua capacidade em ser tão eficiente não em dias, meses, décadas ou em centenas... Anos são sua anedota.
Quando a ironia nasceu deus pensou "tô ferrado, esse vai me desafiar. Só desejo que não seja teimoso". Se ferrou pois a ironia nasceu no início de maio e, com isso, seu sol em touro só trouxe alegrias... Para a ironia.
Ela foi bárbara em inúmeros momento da existência terrena entre deuses, semideuses e mundanos... Ela foi a chave. Muitos esqueceram-se de suas origens, motivações e justificativas de suas jornadas. Muitos, inclusive, alteraram seus rumos. Poucos desistiram, mas ainda assim houve aqueles que se atreveram. Dentre estes e, infelizmente, poucos que ousarei conhecer.
Sim, nossa ironia. Não percebi se mais tua ou minha. Se mais nossa ou de outros. Talvez do desejo alheio e talvez do desejo insano. Quem deve saber? Talvez saibamos e, assim, a ironia nos visita pois, irônicos, quem mais ela adoraria beber um chá?
Coincidência feliz ou inocência ingênua, quem liga?! Eu quero mais é que a ironia me diga.
domingo, 27 de março de 2016
Soneto (sem métrica) do Nunca Mais
E então eu te encontrei pela primeira vez
Segunda ou terceira de outra nova vez
Tivemos todos esses desencontros
E acabamos, sempre, nos reencontrando
E então tu me encontrou pela última vez
Segunda ou terceira de outra nova vez
Tivemos todos esses reencontros
E acabamos, então, nos desencontrando
Esse não será o último antes do próximo
Tampouco aquele antes do futuro ausente
Foi aquele em que abraçamos por último
Foi aquele em que beijamos por último
Foi aquele em que fizemos tudo por último
Mas foi aquele do primeiro e único adeus
quarta-feira, 23 de março de 2016
segunda-feira, 21 de março de 2016
domingo, 20 de março de 2016
des]CONSTRU[tivism]O
Estava aqui pensando sobre algumas coisas que fiz e não continuei. Foram inúmeras, especialmente quando ficava entediado - e com frequência. Mas destas houve uma que persisti por 1 ano e meio, e foi um aprendizado acadêmico e que ainda resulta de prazer. No entanto, desisti. Porém essa desistência foi acadêmica pois, em vida ordinária continuei a arquitetura, mas desta vez de nada concreto - ou com concreto.
Pensava aqui quantas e tantas foram as vezes que arquitetei começos, meios, fins e reencontros. Pensava em quantas sabotagens próprias arquitetei escondido de mim mesmo e, no fim, descobri que foi a mim quem mesmo eu sabotei. Também pensava quantas foram as vezes que discutimos pelo simples fato da minha arquitetura ao conflito ter se tornado eficiente. Por fim, pensei "qual razão de ter arquitetado todo esse amor por ti se, no fim, quem sabe?"
Definitivamente ter largado esta vida acadêmica foi uma decisão sábia. Ao certo não sei o quanto esse conhecimento trouxe de positivo para minha vida arquitetônica, mas eu soube no instante em que descobri o desconstrutivismo que aquilo, o desfazer da forma, era o meu mundo. Tenho dúvida se de fato construo, mas certamente desconstruo muito mais.
[Vozes do vazio - Publicação I]
sexta-feira, 18 de março de 2016
Atmosináptica improvável
Enquanto você dorme eu desperto, seja sob a chuva ou ao ardor das brasas em meus pés. Durante os tsss das gostas de chuva encontrando o calor meus pensamentos circulam entre as sinapses.
Descargas atmosféricas...
Descargas atmosinapcas...
Tempestade e tormenta dentro de uma caixa limitada por cálcio e estrutura molecular orgânica. Desencadeamento de ordem duvidosa com hierarquia amorfa, desequilibrada, incolor, insípida, ...
Descargas atmosféricas...
Descargas atmosinapticas...
Ilusões de óptica, sugestões do inconsciente, atividade atípica na química alterada por entorpecentes intelectuais. Fontes duvidosas de informação duvidosa de pessoas irreais.
Descargas atmosféricas...
Descargas atmosinapticas...
[CONTINUA NO PRÓXIMO DEVANEIO...]
quarta-feira, 9 de março de 2016
...como a morte, te abracei.
Fabuloso!
E esta é a palavra:
Fabuloso!
Trouxe a peste como a morte traz o terno julgamento. Julgamento daqueles que estão já inquietos por sua chegada, por seu abraço, por seu conforto.
Fui capaz de me utilizar da eloquência, fui capaz de dissimular. Fui capaz da hipocrisia para salvá-la. Não houve orgulho mas houve satisfação. Não pela chegada das pragas mas sim pela esquiva aos inseticidas. Fui capaz de dissimular.
Escrevi sinceras hipocrisias. Escrevi mentirosas verdades. Dissimulei falsas idéias. Fui capaz de me vestir de escuridão enquanto era pura luz.
Me desfiz.
Orgulho-me, mas lamento que os pássaros engaiolados não cantem com o mesmo vigor, e que suas asas atrofiem e, em queda ao precipício, sintam o desespero por não conseguirem ser aquilo para o qual nasceram: livres.
sábado, 5 de março de 2016
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Cativo da beleza
Tudo começou quando criança. Tinha aquela menina de cabelo tigela e franja sobre os olhos. A Bruna era, até então, a coisa mais linda pela qual me apaixonei. Ela tinha uma cicatriz no nariz que eu achava tão charmosa, mas o que um menino de 6 anos sabe sobre charme?
Então, em um natal, ganhei um brinquedo chamado Pinos Mágicos, uma alternativa em conta para os caríssimos LEGO. Montava e desmontava, mil formas, mil coisas. A beleza, em tudo, estava no instante em que minha história acabava em um desastre, como a queda de um helicóptero, a morte de um robô, a batida automobilística entre dois carros.
Depois veio os papéis, os grafites e todos aqueles rabiscos. No começo eu era um realista (!) mas então decidi que ser realista era aquém da minha paciência e optei por uma expressão rústica. Acho que fiz uma boa escolha... Afinal nem tudo deve ser perfeito.
Ah, como esquecer aquela primeira vez? Aquelas teclas brancas e pretas? Aquelas perfeições e aqueles acidentes que ora eram sustenidos, ora eram bemóis. Como não me deliciar com aquela ambiguidade simultânea entre um Dó e um Ré?
Então, vieram as emoções mais intensas. Vieram as emoções que o corpo proporciona. Movimentos coordenados, sincronizados com outros corpos. Um malabarismo formidável. Foi o ballet, foi o jazz, foi o contemporâneo. Também foi o sexo, claro. Também foram as tragadas no baseado e os bons goles nas cervejas. Sim, foram intensos malabarismos.
Anos depois, voltei para os acidentes perfeitos, aquele soar dissonante que poucos apreciam. Voltaram com palavras, com rugidos que vociferavam os penitentes dentro da mente. Voltaram com uma horda, foi impossível resistir. Voltaram querendo liberdade, ansiosos por viver do mundo, para o mundo. Queriam todos: ver, ouvir, sentir e tocar. Queriam consumir tudo o que fosse possível ser consumido. Estavam sedentos. Mas não era qualquer sede, era uma sede rara, capaz de ser saciada com o mínimo de água possível. Eram capazes de observar nas pequenezas a grandiosidade de todos os pequenos nós.
Todos foram libertos e, assim, também me libertei... E então me tornei cativo da beleza.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Quando o Buk me salvou pela primeira vez
Conversávamos, então chegou seu ônibus e ela subiu temendo ser demasiada demorada em se despedir e, assim, perder a chance de encerrar aquela conversa que tanto a agradava. Não entendi, fiquei com perguntas sem respostas e nunca mais a vi aguardando àquele ônibus. Por sorte, na minha última esperança, surgiu o Charles e me levou para o bar. Afoguei toda a esperança. Pude ser eu, novamente.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Rebanho e o seu pastor
Sabe
Talvez eu não sinta falta de você
Sabe
Talvez quem sinta são todos eles
É
Eram eles que se acalmavam
Era
Não restava um monstro angustiado
Verdade
Nem mesmo um monstro desconfortável
Sim
Isso tudo era por tua presença
Era
Hoje você não está aqui e eles sentem
Não
Não há o que eu possa fazer
Eu
Amava quando eles adormeciam e
Assim
Eu podia amá-la sem temer acordá-los
Mais
Que isso tudo era poder dormir com eles
Todos
Aninhados juntos à tua paz celestial
Disso
Mais que tudo que já vivi em vida
Sinto
Sinto a falta de viver sequer em sonho
domingo, 7 de fevereiro de 2016
O sepulcro
Quando o universo vibra e não ressonamos juntos significa que estamos mortos. Mortos de espírito. Mortos de emoções. Mortos que perambulam. Perambulamos feito estátuas mórbidas à procura de algo que sabemos o que é, e onde encontrar. Vivemos errantes como se soubéssemos a ordem das coisas. Somos tolos.
Dentro dessa massa bruta concretada que dizemos ser nós, vive algo que dizemos ter se tornado nós, e que dizemos pensar como nós, e agir como nós e viver como se fôssemos nós. Dentro dessa brutalidade, às vezes, vive algo pronto para desabrochar, mas a morte em nós sepultou uma beleza irreconhecível. Irreconhecível não para poucos, mas para os muitos que colaboraram com seu funeral.
Que do sepulcro nasça uma linda flor, e que desta flor um agradável perfume, e deste perfume o retorno das lembranças capazes de desfazer o concreto, a brutalidade, a morbidez da existência.
SINAPSES DESVAIRADAS
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Vestes impróprias
Foi muito duro quando, enfim, pude não mais vestir minhas armaduras e ser feliz. A dureza estava em reconhecer um mundo no qual proteger-se não era necessário. Mas, sem querer, uma a uma recoloquei as peças e, desta forma, deixei de sentir o teu toque, o teu abraço, o teu calor. Perdi, em mim, o que tinha encontrado.
É verdade que a liberdade é para aqueles que podem, e não àqueles que querem, mas sermos livres de nós mesmos é, de fato, para quem pode? Se eu livrar a mim então o que restará? Com quem ficará? Será que sobreviverei?
Eu amo tanto o fato de ser amado, mas será que há amor de mim? Será que sou capaz de sentir por mim o que sinto por outro e doar o que me doo à outro?
Fazer feliz a mim mesmo é tão difícil que pergunto-me como alguém consegue alegrar minha alma do jeito que tu consegue quando está próxima... E eu quando estou sem minhas armaduras.
Por quê as vesti? Como voltar a me despir...










