sábado, 16 de julho de 2016

A carta

"Bloodlands, 6 de junho de 2016.

Caro senhor policial,

por favor, salve minha família. Por favor, salve-a dela mesma.
Já fomos ricos, já tivemos metade deste país em nossas mãos e a outra metade o restante de nossos familiares. Hoje eles pretendem realizar um jantar que, provavelmente, será o último. Meu pai disse "Tommy, você deverá começar. Você discursará durante o início do jantar. Você fará isso e começaremos o fim disso...", mas o papai não sabe que eu não desejo fazer mal. São minha família, também. E a terra e suas riquezas também são nossas.
Procurei a mamãe e perguntei como seriam as coisas, ela disse "faça como seu pai disse", mas tampouco ela tem alguma certeza sobre qualquer coisa. Senhor policial, até acho que a mamãe está mais assustada que eu. Eu gostaria de poder acalmá-la mas eu também gostaria que ela ou o papai pudessem acalmar a mim. Eu amo todos eles, não desejo o mal de nenhum.
Senhor policial, por favor, eu não quero jantar com a minha família hoje à noite. Eu já não sei mais por onde caminhar, o que pensar, as facas que devo escolher e à quem matar. Eu só queria estar brincando enquanto isso, simplesmente, deixa de acontecer. Quero entrar no carro antigo do papai enquanto ele dirige com a capota aberta, fingir que estou num avião enquanto eu só olho para o céu, vendo o azul, as nuvens e os pássaros que por alí passarem.
Por favor, senhor policial, salve minha família dela mesma? Eu sei que eles não possuem boa amizade com vocês, que o passado já foi turbulento, mas hoje eu lhe peço, quero poder abraçar o papai e a mamãe amanhã. Quero poder fazer aquele aperto de mão especial com o titio, brincar com os meus primos e pedir para a titia fazer aquele bolo que a mamãe nunca acerta a receita.
Senhor policial, esta será minha última frase, então por favor, pela última vez, salve minha família dela mesma.

Att.

Tommy."

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