quinta-feira, 7 de julho de 2016

A fragilidade de ser quem se é

...por entre]


É muito perigoso quando nós cobrimos o fogo com uma fina e delicada camada de sentimentos, na tentativa de sufocar a chama, acabando com o oxigênio e extinguindo todo o ardor que dali possa vir.
A grande verdade é que esse ardor pode, realmente, deixar de aquecer o peito, de transformar olhos em rios, coração em britadeira, voz em balbucias e sentimentos em chamas. Queremos que as incertezas queimem, que as inseguranças evaporem, que as dores sumam e que os vazios preencham, mas queremos isso tudo sem calor, sem brasa, sem chama, sem fumaça, sem cinzas...
Aquela pequena e fina camada de sentimentos, que colocamos para extinguir a chama, nada mais é que um dos combustíveis mais ferozes para que isso se propague, que acenda explosivamente o ardor no peito. Podemos passar horas, dias, semanas e meses cultivando essa película, nutrindo-a do que à torna forte, indestrutível e incorrompível.
Entretanto, pois sempre haverá um, no momento de menor descuido, despretensioso de tudo e todos, essa fina e delicada camada romperá, sem aviso, e incendiará aquela chama extinta, mas não como uma pequena labareda, incendiará como um verdadeiro desastre natural digno de ser televisionado. E neste momento, não em qualquer outro, notará a fragilidade que és; as armaduras que se desfizeram com as chamas; o quão frio o coração não é pois, se gelo fosse, apenas derreteria por sobre a cama, sem chance de se dar uma nova chance.


[lágrimas...

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