terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Meu querido e amado jeans

Um novo ano. Mais outro novo ano, na verdade. Reflexões neste início? Inúmeras. Grande parte delas vêm do passado. Sim, do ano passado.
O doce que tinha o sabor inigualável de uma vida, tornou-se amargo. Esse sentido sinestésico que torna tudo um só: o doce, salgado e cítrico em amargo; o amarelo, vermelho e verde em cinza; o dó, ré, mi em silêncio; o liso, o áspero e o quente em frio cálido.
Os prenúncios que outrora eram despercebidos, hoje são vistos.
Estou cansado.
O novo passado já está puído e desbotado. Não temo usa-lo e rasga-lo. Simplesmente não tenho forças para continuar.
Tentamos. Como tentamos.
Eu gostaria de poder utilizar meus jeans para toda uma vida, sem temer o desgaste. Gostaria, tão somente, não temer o seu desgaste. O tempo poderá arrancar pêlos das minhas partes internas das coxas, dos joelhos e panturrilhas, mas e de ti? O que fará o tempo contigo...
Vista outro enquanto há chance de vestir.
Para sempre lembrarei de ti...

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