Tirei o telefone do gancho. Disquei. Chamou, atendeu em silêncio. "Alô? Passado? És tu quem estás ai?" Desliguei.
Naquela velha agenda, todos os números, sem exceção, resultavam na mesma resposta - ou falta dela.
Tornei a tirar o telefone do gancho. Disquei um número qualquer. Chamou e atenderam.
_Pois não?
_Ola! Eu liguei aleatoriamente e não sei à quem pertence esse número. Poderia informar?
_Claro, ele pertence à ti, senhor. Ligaste para o futuro. Daqui, da época em que falo, o senhor já não pertence mais.
_Oh! Então muito obrigado. - E desliguei. Perplexo. Sequer recordava o número que liguei e, honestamente, tampouco tive coragem de saber que época era aquela que falaram.
Foi então que pensei em ligar para o presente e conversar comigo - se é que eu encontraria à mim. Liguei. Atendeu a secretária eletrônica, disse que havia viajado, que não sabia quando retornaria e que, talvez, nem retornaria. Coloquei o telefone no gancho. Levantei de onde estava sentado e, ao fechar a porta, ouvi o telefone tocar e a secretária eletrônica atender: já não estava mais à disposição de mim.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Indisposição pessoal
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