quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Norte, o Vento

Todos sabem o que acontece. Seja à noite, na manhã seguinte ou no dia depois do próximo. Todos compreendem que sua chegada é mítica e que, de alguma forma, ninguém fica à salvo de sua influência. Todos conhecem seu cheiro, sua forma, sua temperatura, sua intensidade e, inclusive, seu vigor. Todos, sem modéstia de procurar exceções, justificam atos injustificáveis com sua chegada. Todos desejam, tornam-se sedentos, enlouquecidos e desvairados. Ouvem vozes que somente ele traz. Todos reconhecem o uivo hipnotizante do vento norte quando sopra entre as frestas das janelas (entre as frestas da mente, entre as frestas da alma).

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