Alguns tantos desavisados, hipnotizados pela mítica ideia que os gatunos negros são azarentos, que o 13 é maldito e que a sexta-feira, então, nem se fala! mal sabem da existência malevolente das segundas-feiras.
Seres perversos que se alimentam das vidas revitalizadas dos finais de semanas, dos prazeres e alegrias neles vividos, deles proporcionados. Algozes de toda a vitalidade, esses seres horripilantes aterrorizam, dentre tantos, à mim.
Há algum tempo, e tenho que dizer que já é um considerável tempo, toda bendita (ou maldita?) segunda-feira tem sempre um catastrófico acontecimento para punir toda minha já cansada carcaça: é um desentendimento sério aqui, um carro quebrado ali, uma prova do curso lá, um chuveiro queimado acolá, enfim! sempre há.
É até engraçado, se é que os outros que são assombrados por essa entidade possessora podem achar engraçado, que eu acredito já ter identificado a razão pela qual ela assombra. Perceba que não é tão fácil distingui-la de uma sexta-feira 13, por exemplo. No folclore é já esperado, e até mesmo cultuado, uma sexta-feira que nasce pré datada de 13 com ventos fortes que sussurram indelicadezas ao pé do ouvido. Mas eis que nessa realidade contemporânea, as segundas se fazem muito mais devastadoras: como disse, a sua distinção não é para muitos, geralmente começando em uma sexta-feira qualquer, em um bar com cervejas para diversos paladares e mesa rodeada de bons amigos; um fim de noite esplêndido com uma companhia de fazer inveja e cantoria rítmica e descompassada; um sábado prazeroso produzindo trabalho artístico que realmente lhe dá o prazer mais íntimo que se pode sentir; incontáveis minutos consigo, pensando sobre o passado, o presente e talvez o futuro; mais cervejas; um domingo ensolarado com temperatura européia para degustar uma bebida quente; caminhar; sentir a vida correr dentro das veias; quem sabe entorpecer a mente; permitir à alma voar; dividir; compartilhar; ausentar-se. Para, então, permitir que Morfeu venha o consuma esta mente que aceita um merecido descanso antes do vindouro (inadvertido) agouro: a segunda-feira.
Sei muito bem que sou palco de meus desalentos, mas de seus caprichos? Por favor, poupe-me. Maldita segunda-feira...
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Segunda-feira macabra
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