Caminhava tranquilamente. Passo a passo. Ouvia uma música em meus fones. Pensava, francamente, em nada.
Subitamente sinto como um vórtex em meu peito. Sentia meus órgãos convergirem para o mesmo ponto. Meu estômago era o mais sensível, posteriormente pulmões, intestino, rins, fígado, coração. Sentia a cavidade torácica sendo devorada instantaneamente, dando espaço para um vazio digno de fome sentido do pescoço ao púbis. Sentia as costelas envergarem sem ceder. Por fora minha barriga tremulava.
Meus punhos cerraram. Sem pulmões a respiração tornou-se aleatória. O cérebro já não oxigenava corretamente. Os pensamentos desorganizaram-se. A musculatura foi contraída na tentativa de dar algum sentido à alguma coisa. Fibra muscular após fibra muscular vociferava. Os dentes rangeram.
Então o vazio na caixa torácica cessou. Um arregalar de olhos com uma inspiração incrivelmente profunda se sucedeu.
Às gargalhadas, insanas e descontroladas, senti um calor ferver o sangue. Sentia o peito arder e o ar que saia da minha boca, quente, decorrente às gargalhadas. Cai ajoelhado e abracei a mim. Apertei-me como se quisesse conter algo que não sabia o que era. Senti vontade de gritar e, quando o fiz, entrei em combustão espontânea. Tentei apagar a mim mesmo mas foi em vão.
No outro dia, quando despertei, encontrei-me carbonizado. Encontrei-me com um sorriso na boca invejável. Ajoelhei e beijei minha testa. Dei adeus a mim. Virei as costas e, caminhando, passo após passo, pensando em nada e ouvindo música alguma, tentei ser feliz.

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