Às vezes essas coisas acontecem, mesmo. Nos perdemos em nossos erros. Nos perdemos em bobas inseguranças. Nos perdemos à procura e, até mesmo, procuramos nos perder.
Estamos caminhando, muitas vezes correndo. Sequer tropeçamos e tampouco paramos para olhar mapas. Continuamos uma jornada errante aos trancos e barrancos. Esquecemos por onde caminhamos e de onde viemos. Pior, esquecemos do por quê! Então, sozinhos, rodeados de nada e tantas perguntas nos questionamos: estou perdido? Passam-se minutos, horas, dias, semanas, meses e anos até a chegada da dúvida, da incerteza, dos receios e, por fim, dos medos. Ou ainda pior, esse dia nem nasce.
Vidas perenes, imersas em um labirinto sem saída e menos ainda de caminhos e recantos desconhecidos. Uma vida confortável com a bunda sobre a almofada mais macia, os cotovelos apoiados em tecidos aveludados, sua barriga encostando na madeira e seus pés, inchados, cruzados abaixo da cadeira. Aquela face apática, inexpressiva até lhe perguntarem: será que nos perdemos?
Sim, uma derrota com platéia, uma vergonha assistida e uma falta de senso digna de elogios. Perdeu-se? Não foi sozinho? Então és digno da piedade dos náufragos. Se perdeu a si solitariamente então, meu caro, boa viagem.

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