Eu já estive do lado contrário. Sei exatamente como é esse tipo de situação. A diferença é que naquela época eu não tinha a experiência e os anos de lados trocados que possuo hoje. De fato não mesmo.
No passado eu gostaria que alguém questionasse a razão daquela (ou daquelas) atitudes. Seria reconfortante! Talvez tivesse me transformado mais cedo, cometido menos erros e, quem sabe, escrito as primeiras palavras desse texto anos antes. Mas não, nunca disseram nada... E sempre julguei agir corretamente. E também, eu não dizia nada para ninguém (algo que devo reconhecer). Mas eu não dizia pois eu entendia o que a pessoa estava passando, então fazia o que imaginava correto e, simplesmente, a deixava em paz (tal qual eu fantasiava ser a real vontade por trás de mim mesmo).
Mas hoje cá estou, anos depois de alguma coisa que já deveria ter acontecido. Feliz? Infeliz é que não! Porém com essa sensação amarga de voto de confiança desperdiçado por algo completamente leve e desprendido de obrigações. E essas desobrigações nos levam à ilusão de que sequer as obrigações humanas são necessárias... Até o dia em que notamos o quão desumanos fomos e quão isso é incongruente com a nova realidade.
Mas não sou juiz, sou justiça. Serei sempre em favor da lógica, seja ela ilógica pois, se até os números são imaginários, quem serei para questionar? Sou capaz de somar vazios e possuir algo, ao fim. Paradoxo, mas possível.
Devaneios a parte, é disso que necessitamos: começo, meio e fim. Começo com risos, meio com gozos e fins com adeus. Desses sem drama, sem choro e sem remorso pois foi verdadeiro. E ai de quem negar adeus. Coubera as vestes da mediocridade àqueles que se negaram. E àqueles que a tiveram negada? Um eterno sonho de desejo.

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